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Wii Brasil
LerAnálise
Autor: Adriano Benedito Pasquini | ds
Nostalgia
Os JRPGs concebidos com aspectos comumente clássicos estão cada vez mais escassos nesta geração. No entanto, alguns jogos, por vezes, dão o seu aceno no intuito de fazer com que os holofotes visualizem um estilo que ainda pode dar bons frutos, apesar de alguns considerarem partes de sua estrutura totalmente defasadas. O Nintendo DS é a casa preferida para estes hóspedes. Um destes atende pelo nome de Nostalgia. O jogo fora lançado no Japão em 2008 e no último trimestre do ano passado embarcou nas Américas.

Ao jogar os primeiros minutos de Nostalgia, já são perceptíveis duas linhas de suas temáticas: ressaltar o espírito de aventura em sua história e embalar o jogador com uma mecânica clássica no estilo.

O jogo tem como cenário um mundo alternativo do século XIX , com localidades como Tóquio, Cairo, Moscou, Rio de Janeiro, dentre outras, além de suas respectivas dungeons, as quais, por muitas vezes, estão atreladas significativamente com a cidade explorada, como, por exemplo, o Monte Fuji, ligado à cultura japonesa ou as pirâmides, diretamente conectada à cultura egípcia. Ou seja, a realidade aqui tenta passar algo de verossímil ao aproximar o jogador de cenários retratados. No entanto, a imitação da realidade acaba aqui. Os inimigos a serem confrontados são monstros ou seres mecanizados.

Nostalgia nos faz embarcar numa aventura protagonizada por Edward Brown, filho do aventureiro Gilbert Brown. O pai de Edward desaparecera após uma missão na Torre de Babel, isto no início da narrativa. Dado este cenário, Edward parte para reencontrar Gilbert. Porém, isso desencadeia uma série de acontecimentos muito maiores e que tentam trazer mais riqueza ao enredo, como a busca de artefatos misteriosos e a investida contra uma organização que tem como intuito a destruição do mundo.

O problema na narrativa é fundamentado no seu pouco agradável desenrolar. As histórias demoram para obter uma conexão sólida no enredo e ao querer descobrir sobre a dita organização (chamada Cabal), a trama te distancia de um dos objetivos do início: a busca por Gilbert Brown. No entanto, isto é retomado e é aí que o jogo consegue apresentar uma melhora significativa. Entretanto, desde o início, o jogador é entregue às cutscenes bem elaboradas, mas a falta de dublagem faz com que os méritos destas percam um pouco de força.

Edward tem, em sua companhia, uma party praticamente fixa. A reunião de bravos aventureiros pouco propicia uma aventura ao desvendar as suas personalidades. Contudo há alguns pequenos fatores cativantes, mesmo que simplórios e pouco marcados. Há um resquício de rebeldia em Pad (uma espécie de "garoto de rua", com suas habilidades em armas de fogo ou técnicas de roubo), mas isto é passado de forma pouco palatável. O próprio Edward tem um tom determinado, com suas habilidades em espadas e com combos bem realizados e Fiona tem um ar de mistério que a envolve, mas que não é satisfatoriamente aproveitado na trama. Melody, uma jovem bruxa, talvez seja a mais carismática de toda a narrativa e a que proporciona os diálogos de leitura mais saborosa. Ela faz um papel indireto de " Black Mage", enquanto a citada Fiona é indiretamente a "White Mage". Os NPCs apenas fazem o seu papel. Nada memorável. No entanto, há algo salutar: apertando um determinado botão, os personagens dialogam entre si. Isto ajuda a conhecê-los de forma mais apurada e também serve como auxílio para não se perder quanto aos objetivos.

Batalhar em Nostalgia é um híbrido de satisfação e frustração. Obediente ao caráter semântico de sua nomenclatura, as batalhas ocorrem em turnos, precedidas dos irritantes encontros aleatórios. É pouco concebível que um RPG atualmente utilize deste artifício a esmo. A própria franquia Dragon Quest, a qual não se desgruda de muitas de suas raízes, deixou de lado, em Dragon Quest IX, os ditos encontros aleatórios. Nostalgia é um título anterior, lógico. No entanto, é frustrante ver uma dungeon tão bem caracterizada, pronta para ser explorada e, ao mesmo tempo, ter que se preocupar com a próxima batalha aleatória. E ter um NPC na party, herança de Final Fantasy III, que não tem uma inteligência artificial muito apurada, ajuda a complementar o que há de malefício nesta retomada retrô.

Os oponentes pouco ajudam. Um jogador experiente não encontrará grandes dificuldades ao derrotar os inimigos, os quais são variados e com um design brilhante. Basta apenas selecionar uma opção de ataque e atacar, atacar e atacar. De vez em quando curar. Claro que a metade final do jogo oferece uma dificuldade maior, no entanto,  raros são os desafios consoantes ao épico tema de vitória do jogo. Dificilmente o jogador vibrará estando dentro das dungeons. No entanto, não acaba sendo um desastre. A opção de ver a ordem dos ataques em uma batalha oferece um tom de estratégia, mesmo não sendo muito necessário.

Além de acumular dinheiro e experiência, os componentes da party acumulam Skill Points(SP), os quais podem ser trocados por upgrades em suas habilidades. Graficamente, isto é bem retratado em uma das opções do menu do jogo. E a manipulação deste sistema consegue ser funcional. Uma pena que isto é pouco aproveitado no jogo, devido a uma exigência quase nula de utilização de magia específica contra um inimigo específico. No entanto, algumas magias/habilidades são úteis, como a que possibilita Fiona oferecer um turno adicional a algum membro, dando assistência em alguma batalha mais árdua.



Fora das dungeons, há batalhas que são travadas no overworld, também em encontros aleatórios. Porém, a progressão não é feita a pé e sim graças a um dirigível denominado Maverick. E aqui Nostalgia mostra o seu diferencial. Maverick é praticamente uma extensão das habilidades dos personagens da party. Uma grande espada está alocada em sua frente e representa os comandos a serem utilizados por Edward. Rajadas de tiros podem ser dadas, as quais remetem às habilidades de Pad, citando somente dois exemplos. Maverick tem seu próprio HP (denominado END) e pode sofrer diferentes danos ligados a status, como a incidência de fogo em sua arquitetura, essa tirando gradativamente uma porção de END. Customizar a Maverick de forma útil também é uma experiência revigorante.

Maverick pode alçar voos para até três níveis de altitude (a última destas ligada a uma circunstância inata do enredo). Cada uma destas alturas propicia áreas novas para explorar e inimigos (monstros e airships) com dificuldade, por vezes, insana. No entanto, é nesta parte em que ocorrem as batalhas mais emocionantes do jogo. E a música tema de batalha também consegue trazer uma imersão maior do que nas dungeons.

A carência de profundidade também se apresenta no sistema de side-quests. É preciso pegar diferentes missões no Guild Adventure, uma espécie de Clube dos Aventureiros. Contudo, os objetivos são triviais e fazem o jogador simplesmente revisitar áreas, dungeons, em sua maioria, e encontrar itens de valor ou derrotar um inimigo específico que não traz um grande desafio.

Os gráficos presentes no jogo mostram que a fama ostentada pela Matrix Software é preservada. A mesma desenvolvedora dos remakes de Final Fantasy III e IV e da nova IP Avalon Code trouxe em Nostalgia o mesmo esmero ao reproduzir cenários e overworld. Cada cidade, apesar de ter uma progressão limitada, apresenta um visual rico em cores e vários elementos dispostos na tela. Há dungeons como o Nirvana Palace ou a Acrópole que visualmente são condizente com a qualidade colocada nas cidades. Os personagens da party apresentam uma modelagem satisfatória e graciosa, provavelmente a melhor de jogos para o portátil. As animações destes ao desferir os golpes contra os oponentes é mostrada em closes, nos quais dificilmente percebe-se a presença de pixels estourados. As canções têm o ritmo épico de todo o RPG, porém dificilmente serão lembradas.

Nostalgia tenta fazer a sua parte para resgatar a presença dos JRPGs nessa geração. É um jogo pouco ambicioso na mecânica de gameplay, todavia suntuoso em seu visual. A inserção de Maverick é benéfica e consegue ser um dos fatores que contribui para que um enredo, no geral, mediano consiga ter os seus momentos de brilho.

LerComentários
Página(s): [ 1 ] 2 Último
Leitor diz:
Acho engraçado o pessoal reclamar tanto de encontros aleatórios. Até hoje os melhores RPGs que eu joguei tinham eles(Final Fantasy 4/5/6).
comentado em 24/08/2010 às 17:43
Santoryuu Zoro diz:
Mas é um artigo sobre Nostalgia...
Eu concluí que da pra aproveitar bem
comentado em 23/07/2010 às 01:28
[NoCtrl] diz:
Eu quase pensei que fosse um artigo sobre Nostalgia... Só que depois que eu cliquei eu li "Análise" aí eu soube que era um jogo!
comentado em 22/07/2010 às 23:16
redfield jr. diz:
@Knight_Rox: Bom, eu apontei pontos positivos e negativos. Nenhum deles se sobressaiu de forma categórica. Lendo a análise, você verá que alguns dos pontos negativos podem ser relevados, mas muito poucos. E os pontos positivos continuam como são.
Levando-se em conta isto, cheguei à recomendação de 70%. Nota de jogo bom e que, dependendo do seu gosto, irá entretê-lo, mas que, se você não jogá-lo, não perderá muita coisa.

"Gostaria de ver uma análise sua sobre Infinite Space."

Uma análise de Infinite Space deverá sair em agosto.

E obrigado aos que leram e gostaram.
comentado em 22/07/2010 às 21:21
shadowhero diz:
Mas pensei que fosse um artigo sobre nostalgia ...[5] Lol quebrei a cara quadno vi que era um jogo
comentado em 22/07/2010 às 18:04
RedNiNero diz:
Heh queria ver como é o Rio de Janeiro no jogo!
Mas não consegui gostar dele não. E nem parece ser imperdível...
comentado em 22/07/2010 às 10:32
ScottSummers diz:
curti, depois vou da uma olhada com calma,

ótima análise
comentado em 22/07/2010 às 04:08
Faby xD diz:
Dungeon do Rio de Janeiro
Subida da Favela
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA -não
Fiquei interessada ate... Talvez eu jogue se der...
e... pensei que fosse um artigo sobre nostalgia [4]
comentado em 22/07/2010 às 03:39
ThiagoRP diz:
tenho o jogo aqui a tempos já, mas ainda nao tomei coragem pra jogar. O DS tem tanto titulo interessante que vou levar a vida toda jogando, mas esse nostalgia ta na lista xD
comentado em 22/07/2010 às 00:27
Knight_Rox diz:
gostei, o jogo parece interessante. acho que por vc falar tão bem do jogo ele merecia uma nota maior q 70%
comentado em 22/07/2010 às 00:23
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