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Abordar violência nos games virou tabu?
escrito por Adriano Benedito Pasquini
Ontem (domingo) foi veiculada, por meio do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, uma reportagem acerca da violência nos videogames e se esta pode ser influenciadora em ações do mundo real. Ok, você dirá, como muitos já disseram, que viu este filme antes. Entretanto, se você está pensando na reportagem exibida na Record, e que foi abordada em uma edição do nosso Editorial, saiba que, desta feita, o filme apresentou uma nova perspectiva, mesmo abordando temática similar.

A reportagem do Fantástico iniciou-se com um exemplo, tal qual foi feito pela Rede Record. No caso da emissora carioca, foi dado como exemplificação os atentados ocorridos na Noruega há alguns dias, onde um rapaz matou mais de 70 pessoas. Em uma carta aberta, o mesmo relatou, dentre outros assuntos, que jogava bastante jogos violentos, como os da série Call of Duty, os quais serviriam de treinamento para o atentado.

Na realidade, o ponto central da reportagem se deu porque a Noruega resolveu proibir a venda de jogos violentos no país, após este ocorrido. Do nada, a reportagem passa para um recorte cotidiano em terras brasileiras. O narrador da matéria, após ensaiar uma situação na qual os pais ouviriam o filho dizer que "estava matando todo mundo", questionou, veja bem, questionou, se isto era razão para se preocupar.


Calma, isso é só algo figurativo

 Após isto, há depoimentos de adolescentes e de pais e familiares destes, com as mais diferenciadas opiniões. Enquanto há uma mãe que se preocupa com os jogos e, ao mesmo tempo, tem um conhecimento superficial do que o filho jogara, o pai, um engenheiro, diz que não vê problemas, haja visto que o filho obtém bom rendimento escolar. Entenda bom rendimentos escolar atrelado a um exemplo de comportamento esperado, ou seja, que não se influencia pelos jogos. Anteriormente, na reportagem, os adolescentes dizem que "vida é vida, jogo é jogo", algo que sintetiza o pensamento de muitos gamers e que geralmente não é mostrado para uma parcela considerável do público.

Em seguida, a psicóloga Luciana Ruffo, dá um declaração acerca da função dos videogames como "válvula de escape" da realidade, porém em sua visão benéfica. Ela trata, brevemente, sobre o jogo não proporcionar uma recompensa real que faça alguém querer praticar aquilo posteriormente. Ela usa a palavra "liberdade" para salientar que o jogo pode possibilitar que o jogador experimente algo que não precisará fazer de forma real, como já dito, ou seja, os videogames "podem impedir a violência real".

Momentos depois, a reportagem se encaminha para um ponto crítico: o excesso que pode influenciar no comportamento humano. Neste ponto, além de depoimentos da psicóloga, um psiquiatra do Centro de Dependentes de Internet da USP, Cristiano Nabuco, alerta para as horas intensas de jogatina e as influências que isto pode acarretar na rotina de quem exagera em tal prática. Entretanto, nesta parte, a matéria se encaminha para algo mais "taxativo".


Por incrível que pareça, infelizmente isso já aconteceu

Pais e filhos jogando juntos? Uma solução? Isso é abordado na reportagem. Um pai e um filho aparecem jogando juntos Grand Theft Auto: San Andreas, praticamente um símbolo de jogo com temática violenta e que é alvejado de críticas. A psicóloga alerta para que os pais tentem entender ao invés de reprimir, algo que pode ser uma saída, baseada na aproximação. Após uma sessão rápida de jogatina, é perguntado para o pai o que ele achou. O pai se diz espantado, porém salienta que "infelizmente" é "do jogo".

O engenheiro citado aqui também se diz alguém que joga e afirma que deve haver uma diferenciação de "jogo" e "vida real". O repórter até questiona se "dá vontade de sair dali e fazer o ato visto no jogo" e o engenheiro, taxativo, exclama um "Não. Jamais!" Além disto, em resposta ao repórter, ele ainda afirma que "vai muito da criação (sic)" no que se refere a alguma influência que um jogo violento pode exercer.

Após uma explicação da classificação indicativa dos jogos no Brasil, que é dada pelo Ministério da Justiça, a reportagem termina com o psiquiatra e o pai, que jogara GTA com o filho, estes se mostrando temerários e até ensaiando ações radicais, caso no diálogo não se resolva uma situação de "dependência dos jogos".

Terminando uma descrição da reportagem, que pode ser vista clicando aqui, é perceptível a diferença entre a abordagem da Rede Globo e a abordagem da Rede Record de Televisão.

Enquanto a matéria da Rede Record se torna sensacionalista, a da Rede Globo é algo próximo de um dos preceitos do Jornalismo: ouvir todos os lados de uma discussão e deixar com que cada um tenha a sua opinião.

A introdução da matéria da Record parecia testar as habilidades dos editores de imagens da emissora. Por vezes, parecia cinematográfica, mesclando entre cenas de parentes chorando e jogos violentos, tentando manipular a emoção de seus telespectadores. A da Globo iniciou com um exemplo, entretanto, esteve longe de ser algo espetaculoso.

A matéria da Rede Record só ouviu um lado da discussão: o malefício que pode ser provocado pelos jogos. Ledo engano. Desculpem. Houve momentos da reportagem em que esse malefício e influência negativa eram mostrados de forma arbirtrária, totalitária. Famílias que tiveram problemas com seus filhos que jogavam títulos de videogame violentos era predominante. Havia um vilão ali.

Por sua vez, na Rede Globo, o tema foi tratado também por especialistas, todavia partilhando opiniões distintas, além dos familiares, que também tinham depoimentos diferenciados. Latente foi que a responsabilidade maior evidenciada na matéria do Fantástico é dos pais, que devem estar atentos ao conteúdo que os filhos usufruem, se este é condizente com a faixa etária estampada na capa de um jogo, por exemplo. E tentar conversar.


Hum... não é necessário ser tão ao pé da letra, mas já é um começo

Deu para perceber o posicionamento opinativo aqui.

Entretanto, discordâncias sempre existirão. E é saudável que existam. Porém, não diferenciar os focos de cada matéria é algo preocupante. E isto vai como uma crítica para muitos gamers, principalmente os que adoram "metralhar críticas" sem ao menos tentar entender cada situação. Como um assunto como este, que sim, é polêmico, pode ser abordado em âmbito nacional se jogadores o tratam com repulsa, como se o tema fosse um tabu interno? Neste caso específico, é triste ver que alguns, com frases totalmente descerebradas, se entregam à modinha de "criticar veículos de televisão" e que "nada na televisão presta", "televisão só serve para alienar", enfim, generalizando tudo. Não que a Rede Globo seja uma "emissora-exemplo". Há casos que poderiam ser citados aqui e que iriam contra tal intitulação, caso esta fosse externada.

Ainda bem que nem todos são assim. Porém, é algo preocupante. E sim, é um puxão de orelha. É como num protesto contra alguma ação política, no qual a pessoa profere gritos de revolução a esmo e, sem saber, também pode estar banalizando toda uma luta, sendo apenas alguém "cerebralmente inanimado". A situação aqui é similar. Precisamos ser críticos, todavia precisamos também ver as diferenças, caso contrário, a sociedade nunca verá jogos de videogame com outros olhos, porque, quando há uma tentativa disto, vemos, na maioria dos casos, "pedras" sendo atiradas do lado que deveria se interessar por isto. Em muitas situações, abandonar as pedras, num sinal de compreensão, quando esta se torna necessária, fará com que tenhamos um outro controle em nossas mãos.



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