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análise • 3ds 
Senran Kagura 2 Deep Crimson
Escrita por Luis Guilherme Machado Camargo

Senran Kagura é uma série honesta sobre todos seus aspectos. Assista qualquer trailer ou vídeo da jogabilidade e, com certeza, terá mulheres peitudas e roupas sendo cortadas em batalhas. Eu não costumo dar muita atenção ao fan service em muitos jogos, mas essa é uma característica central dos jogos da série e também é o que costuma ser a primeira (e, em alguns casos, última) impressão que uma pessoa tem da série. Isso é triste, pois Deep Crimson tem muitas qualidades que vão muito além de sua propaganda pervertida.

A história de Deep Crimson foca na entidade Kagura que aparece a cada 100 anos com o único objetivo de destruir Yoma, monstros que aterrorizam e se alimentam de pessoas.  A história é uma continuação direta de Burst, primeiro jogo da série no 3DS, e não tem ligações com a série Versus das plataformas Playstation. Apesar de ser uma continuação direta, o primeiro capítulo do jogo é uma recapitulação dos acontecimentos finais de Burst, sendo perfeito para rapidamente introduzir novatos à história da série.

Apesar de ter dedicado o parágrafo anterior à história, ela não é um dos pontos fortes da série.  A história é completamente clichê e sem elementos de grandes reviravoltas ou surpresas, mas o jogo também não cria pretensões de ser algo mais que um clichê divertido.


No entanto, mesmo com sua história básica, a escrita de Senran Kagura 2 (e da série, no geral) continua excelente, demonstrando perfeitamente o amadurecimento das personagens como shinobis (ninjas), rivais e amigas. A escrita, dentro do contexto da série, é um grande contraste do que se esperaria de uma série lotada de fan service e acaba por elevar as personagens além de seus clichês iniciais para personalidades genuinamente interessantes.

Deep Crimson é um jogo de ação com arenas e combate 3D, mas com uma câmera que, na maior parte do jogo, cria uma perspectiva 2D. Considere a jogabilidade como uma adaptação moderna de jogos como Streets of Rage, Golden Axe, Final Fight e outros clássicos da época dos fliperamas.


Ao contrário dos clássicos remetidos, o combate é rápido, frenético e com uma complexidade que remete a títulos do tipo “Musou” (Dynasty Warriors, Hyrule Warriors, Sengoku Basara, entre outros). Cada personagem tem seu estilo único de batalha, alguns se especializando em ataques rápidos com espadas e lâminas, enquanto outros podem optar por estratégias de longa distância com armas e outros projéteis.  No geral, nenhum personagem parece fraco ou inútil, mas a afinidade com cada uma ira variar de jogador para jogador (no meu caso, eu adorei jogar com Hikage, mas não me adaptei bem com a Mirai).

Além dos combos usuais com ataques fracos e fortes, agora temos o novo sistema de parceiros. A maioria das missões irá contar com duas shinobis, uma controlada pelo jogador e outra pelo próprio jogo. Pressionando o botão A é possível rapidamente trocar qual personagem você está jogando e movê-la para perto da sua posição atual. Segurando o botão A, a personagem controlada pelo jogo realiza um combo no inimigo que o jogador está mirando.  A nova mecânica serve primariamente para continuar combos e manter-se no constante ataque e é absolutamente vital que se aprenda o domínio da mesma, pois Senran Kagura 2 não é um jogo particularmente fácil.


Infelizmente, boa parte dessa dificuldade se deve a uma série de problemas do próprio combate. A câmera com perspectiva 2D não é o ideal para um jogo com combate rápido e em 3D e, muitas vezes, acaba por atrapalhar o ritmo do combate. Houve diversos momentos que inimigos me atacavam fora do campo de visão ou que era difícil determinar o que estava acontecendo em tela por causa de um ângulo ruim. Apesar de existir uma mecânica que o permite perseguir inimigos, onde quer que estejam, ela simplesmente não é suficiente para suprir todos os negativos do sistema de câmera.

Outro problema é com o hit stun, ou seja, o quanto seu oponente fica “paralisado” por um ataque, um dos fatores determinantes se é possível ou não realizar combos. Na minha experiência com o jogo, o hit stun me pareceu muito incerto. Havia momentos que eu conseguia completar um combo simples, para na próxima tentativa o inimigo conseguir escapar do mesmo sem problemas. Isso criou problemas com o fluxo do combate, especialmente em chefes, onde combos falhos causavam que eu levasse contra ataques e eu não tinha saber quais combos eram efetivos. Eventualmente, resolvi isso abusando da mecânica de parceiros, mas o problema permanece quando jogando com apenas uma shinobi.


O jogo inteiro é dividido em missões e que, individualmente, podem ser concluídas rapidamente. Além das missões da história, temos missões especiais e o Yoma’s Nest. As missões especiais adicionam condições como sobreviver por um determinado tempo, utilizar um ataque especifico para derrotar todos os inimigos, entre outros. O Yoma’s Nest é uma série de salas com inimigos e que, gradativamente, vão aumentando a dificuldade.

Outra novidade, que infelizmente não pude testar, é o novo modo cooperativo, sendo possível jogá-lo online e localmente. É possível escolher missões do modo história ou do Yoma’s Nest para jogar com um amigo. Não consegui achar salas para jogar online, mas é um modo feito para combinar uma sessão com um amigo, já que é possível montar salas com senhas e o modo cooperativo é para até duas pessoas.

Um último detalhe que gostaria de chamar atenção é a trilha sonora que, pessoalmente, acho incrível. A maior parte das músicas tende ao rock, mas com uma variedade de instrumentos bastante interessantes. É possível escutar a trilha sonora dentro do menu Records junto com anotações dos criadores e é algo que vale a pena conferir.


Veredito

Senran Kagura 2 Deep Crimson pode passar uma primeira impressão forte, mas também é um bom jogo de ação com uma escrita e trilha sonora admiráveis. Espero que a análise ajude a mais pessoas a conhecerem a série, além do que o marketing mostra.

Jogo analisado com código fornecido pela XSEED Games.

 

 


7,0
COMENTáRIOS • site
Dave
05/10/2015 s 11:13
O melhor foi o comentário no final: "As melhores coisas sempre vem em pares" hahaha!
NewD2Boy
03/10/2015 s 11:00
Gostei da análise e é um jogo muito interessante apesar de ter alguns probleminhas na câmera,não chega a incomodar muito e não atrapalhar a gameplay como acontece em outros jogos vou comprar para o meu portátil.
Kid Kaos
02/10/2015 s 22:39
comprei e o jogo é excelente. mudou COMPLETAMENTE a forma comparado ao Burst, então deem uma chance mesmo que não tenham gostado do Burst. posso afirmar que é totalmente superior ao primeiro!
Andr3
02/10/2015 s 07:17
O primeiro jogo era legal pra caramba, mas extremamente subestimado por causa do fanservice. Se for tão bom quanto o primeiro, é compra garantida.
Emissario
01/10/2015 s 08:17
Tô fora. Joguei o Burst e odiei. Portanto não passarei nem perto deste.
Green Moon
01/10/2015 s 00:10
boa analise!
ainda não comprei(dólar maldito),mas tá na lista pro próximo jogo que irei ter.

@Rafael Bueno aquele cara é uma doença.
Rafael Bueno
30/09/2015 s 23:21
melhor q a review "engraçada" do Jim Sterling

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