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análise › wiiu 
The Wonderful 101
escrita por Thales Nunes Moreira

Em apenas quatro anos, a Platinum Games já se consagrou como um dos estúdios mais talentosos do mundo. Do subestimado MadWorld ao espetacular Bayonetta, o currículo da desenvolvedora impressiona não apenas pelo nível de qualidade dos seus jogos, mas principalmente pela sua consistência, mantendo esse nível ao longo de uma série relativamente longa de jogos - sem sinal de parar.

O primeiro título da desenvolvedora no Wii U,The Wonderful 101, é de um tipo de jogo que raramente se vê hoje em dia. Em primeiro lugar, é um jogo que, em uma época na qual jogos podem envolver centenas de desenvolvedores, claramente é o produto de um time que compartilha uma visão. É também um jogo que utiliza as características do Wii U de forma criativa. Mas, acima de tudo, é um jogo que simplesmente tenta ser divertido, que não tenta ser o novo "Cidadão Kane dos videogames", que é bobo, colorido e bem humorado - e não tem vergonha alguma de sê-lo.

 
Os GEATHJERK já haviam invadido a Terra em outras épocas, o que levou a humanidade a estabelecer medidas de proteção, entre as quais brilha o esquadrão de heróis: Wonderful 100. Esses cem heróis, equipados com roupas especiais que lhes dão superpoderes, são a principal resistência da Terra. Agora, os GEATHJERK estão invadindo novamente e Wonder-Red/Will Wedgewood é posto no comando.
 
Ao longo do jogo, a trama fica bem mais complexa, mas a premissa não é a mais original do mundo, é verdade. The Wonderful 101, se diferencia ao abordar o assunto da maneira mais leve e bem humorada possível, com personagens disparando frases de efeito o tempo todo e situações completamente ridículas cujo único objetivo é fazer rir - e sempre conseguem, seja por uma linha de diálogo, por uma ação ou pelas interpretações espalhafatosas. É uma sátira, um dramalhão. É, como alguns poderiam chamar, "cafona", mas e daí? 


The Wonderful 101 é um jogo de absurdos – no melhor dos sentidos. Não apenas no humor escrachado, como também na escala e no número de personagens na tela. Coisas como usar uma centena de heróis para enfrentar uma serpente voadora robotizada de quilômetros de extensão em meio a nuvens de tempestade são usuais nesse jogo. Poucos títulos são tão fieis ao lema "quanto mais, melhor".
 
Algo que, por sinal, também se reflete na mecânica central de combate, os Unite Morphs. The Wonderful 101, em seu núcleo, é um jogo de ação tradicional, porém a forma como as habilidades são ativadas é muito mais intuitiva e dá ao jogador uma sensação maior de agência. Remetendo ao pincel celestial de Okami, desenhar diferentes formas na tela do GamePad ou com o analógico direito faz os heróis se unirem e formarem diferentes armas ou estruturas. Quanto maior o desenho, mais forte é a arma. Certamente, desenhar uma linha reta para formar uma espada gigante é muito mais intuitivo do que apertar X duas vezes, seguido de Y, um giro de 180º no direcional analógico esquerdo e uma pirueta para trás. Mesmo usando o Classic Controller Pro do Wii, é muito simples fazer todos os desenhos e qualquer reclamação nesse aspecto é, francamente, difícil de sustentar após alguns minutos de jogo.
 

Mesmo que essa seja, em termos de mecânicas, uma das poucas reais inovações de The Wonderful 101, as convenções do gênero aqui não soam como algo antiquado, e sim como suportes que permitem que os outros aspectos do jogo brilhem por conta própria. Ora, por mais frenéticos que sejam, jogos como Bayonetta ainda envolvem apenas um(a) protagonista e manter a integridade e o ritmo da ação em um jogo com centenas de pequenos personagens correndo na tela é um feito absolutamente louvável. Só um personagem (ou líder) é realmente controlado pelo jogador, o que torna o processo mais simples, mas o jogo ainda exibe um grande número de personagens, de forma que manter a orientação espacial poderia se tornar complicado, o que não acontece - na maior parte do tempo. É, ao mesmo, tempo caótico, centrado e lindo.
 
Menos importantes no jogo como um todo, mas igualmente importantes como demonstração da criatividade desse time, são os trechos que forçam o uso das duas telas simultaneamente. Em um certo trecho, por exemplo, é preciso controlar uma nave enquanto ela atravessa a frota inimiga, porém ela é controlada ao mover os heróis pelo seu interior, que é mostrado apenas na tela do GamePad. Ou então quando os heróis estão presos em um cubo e precisam guiá-lo batendo nas faces certas - novamente, o interior é exibido no GamePad e o exterior na televisão. Trechos como esses representam apenas uma pequena fração dos níveis - quando estão presentes -, mas são toques interessantes e o que se esperaria de um exclusivo de Wii U.


Sendo um jogo de Hideki Kamiya, The Wonderful 101 também é cheio de referências a clássicos dos anos 80 e 90, além de jogos anteriores da Platinum e da finada Clover Studio. Como dito, os Unite Morphs são derivados do pincel celestial de Okami, jogo do qual The Wonderful 101 também se inspira para um chefe em particular. Também há referências a Zelda, trechos que emulam Punch-Out!! e certos temas explorados na história remetem até mesmo a Resident Evil 2. A maior influência, contudo, é naturalmente o jogo anterior do designer, Bayonetta. Desde o sistema de compra de itens e melhorias, passando por elementos da interface e estrutura geral dos níveis, o título, conscientemente ou não, serviu de base para vários aspectos de The Wonderful 101.
 
Há também um modo de missões que consiste em algumas arenas da campanha principal adaptadas, sendo constituídas apenas de combates. Esse modo inclui um multiplayer para até cinco jogadores, que não adiciona muito ao pacote completo, mas mantém todas as qualidades do combate solo e é ainda mais caótico.

 
O jogo perde um pouco de força na segunda metade, quando a história toma o lugar de protagonista da ação, de forma que o pacote parece ficar um pouco heterogêneo. Ainda assim, os dois aspectos são executados de forma tão competente que a experiência nunca se torna tediosa - a última operação é absolutamente apoteótica. 
 
The Wonderful 101, assim, se consagra como um dos melhores jogos do Wii U. Mesmo sem a coesão de jogos como Pikmin 3, é o tipo de experiência que a Nintendo prometeu ao anunciar o console - o tipo de experiência que ele merece. 
 
-- Resumo -- 
+ Unite Morphs
+ Identidade
+ Uso do GamePad
- Perda de coesão na segunda metade.
 




9,0


comentários
Voliver
01/03/2014 às 23:52
Concordo com a nota, mas achei o review meio fraco, falou, falou e falou, mas nao falou muita coisa. Poderia ter sido mais direto e falado varios outros aspectos positivos do jogo como, trilha sonora, cenarios bem feitos, graficos e a batalha contra os chefes, que, na minha opiniao, eh digna de comparacao com Demon's/Dark Souls de tao EPICA! E discordo a respeito do ponto negativo destacado, eu achei, inclusive, que o jogo fica MUITO melhor na segunda metade do jogo, sendo mais especifico, a partir da operacao 004, a trilha sonora e os cenarios a partir dessa operacao comecam a diversificar, e a historia fica muito mais profunda e bem contada! Unico ponto negativo ABSOLUTO pra mim, eh a ausencia de um Game Over, que, por consequencia, ausencia de dificuldade. Dificuldade, pra mim, eh FUNDAMENTAL, pois sem isso, o jogo fica menos prazeroso de se jogar, e foi exatamente o que aconteceu comigo jogando TW 101. Outro ponto negativo menor, eh a repetitividade em relacao a trilha sonora e os cenarios que o jogo apresenta no comeco do jogo, felizmente, a partir da operacao 004 isso eh corrigido. Enfim, eh um jogaco! Sacrilegio de quem nao for comprar...
vkaraujo
11/11/2013 às 13:25
Na ultima geração tive um PS3 e agora estou com um WiiU.
Esse ano joguei TLoU, GTAV, ACIV, Rayman Legends, entre outros.

Mas para mim W101 é o jogo do ano de 2013. Ha muito tempo não me divirto tanto com um jogo.
Wellersson
04/11/2013 às 17:06
Belo jogo, gosto de jogos desse tipo.
Wiivern
01/11/2013 às 12:40
"que alguém no mundo não tenha achado o jogo a última bolacha do pacote. É risível, pra dizer o mínimo."

@Doofie
Não é nada disso, o que acontece é que Wonderful101 é um jogo que vai adicionando mais elementos quanto mais se joga (em todos os quesitos). E por causa disso, é difícil avaliá-lo justamente apenas por uma amostra. Se tem gente que não quer dar ouvidos, paciência. Que fique sem jogar.

Mas você pode ver que todos que acabaram o jogo, não dão o braço a torcer, porque conferiram o todo do jogo. Pois conhecem, de fato, até onde chega seu apelo.

Algumas coisas que é justo dizer: ele tem a história mais completa e apelativa de invasão alienígena já mostrada até hoje, mesmo se inspirando em fontes diversas.
Tem centenas de referências que passam desde o fantasma da ópera a seriados dos anos 70 e filmes de invasão alienígena de épocas diversas.

Tem muito bom humor. E fica mais divertido quanto mais se aprende a jogar. Pois muitos movimentos que auxiliam a deixar o jogo ainda mais divertido demoram bastante pra ser comprados e aprender que arma é melhor contra cada inimigo também ajuda bastante.
G.P.C
01/11/2013 às 09:07
Talvez a falta de atenção não tenha sido minha... Como muitas pessoas por aí, falta a humildade de assumir que cometeu um equívoco.
Thales
01/11/2013 às 02:48
Vamos aumentar o nível da discussão, pessoal.
Batmatt
01/11/2013 às 02:18
"Leia com atenção: EU faço overrating por amar o jogo, se meio mundo faz o mesmo, e ainda faz ignorando a existência de jogos como Last of Us (que foi um dos jogos mais overrated dos últimos tempos), não é meu problema, apenas disse uma opinião minha."

¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?wat¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?¿?
Super FOG
31/10/2013 às 21:45
Leia com atenção: EU faço overrating por amar o jogo, se meio mundo faz o mesmo, e ainda faz ignorando a existência de jogos como Last of Us (que foi um dos jogos mais overrated dos últimos tempos), não é meu problema, apenas disse uma opinião minha.
Batmatt
31/10/2013 às 21:22
Isso se chama "não saber o significado dos termos", lol
G.P.C
31/10/2013 às 15:43
"@GPC, eu faço overrating no jogo porque eu absolutamente amei ele, pus ele com carinho na minha lista de jogos favoritos de todos os tempos."

"Chamar de overrated um jogo com zero popularidade, como Wonderful 101, não faz sentido para mim."

Estranho saído da mesma pessoa.
Super FOG
31/10/2013 às 10:20
Eu também acho TLoU bom, mas absolutamente overrated, tá muito longe de ser aquele megaton que os fãs e a imprensa fazem parecer que é.

Chamar de overrated um jogo com zero popularidade, como Wonderful 101, não faz sentido para mim.
G.P.C
30/10/2013 às 22:00
Ahh pessoal, calma né, ninguém é obrigado a gostar de algo, muito menos existe algo que agrade a todos... eu tentei gostar, até gostei, mas não tanto quanto vocês. Não sejam tão extremistas. Essa é a graça... as pessoas não gostarem sempre das mesmas coisas.
Amauri Jr
30/10/2013 às 21:50
Eu joguei last of us do início ao fim. Gosto do jogo e do estilo, mas penso que este jogo overrated e te dou "N" motivos. Mas não porque não gostei do jogo, mas porque posso apontar algumas falhas cruciais no game que o afasta de um 10/10 por exemplo.
Amauri Jr
30/10/2013 às 21:48
@ Batmatt Olha só... Uma coisa é vc falar que não gosta do jogo por qualquer que seja o motivo. Outra coisa é falar que o jogo é overrated, ainda mais baseado na opinião pessoal. Eu, por exemplo, não gosto de GTA. Mas não posso dizer que é overrated baseado em meu gosto pessoal.
Super FOG
30/10/2013 às 21:04
Eu só acho estranho o pessoal chamar Wonderful 101 de overrated sem olhar para The Last of Us e a bosta do GTA 5.

É bem como o Emissário disse, não é um jogo pra se gostar de forma fácil, mas ele definitivamente merece todos os elogios possíveis porque é irrefutável que ele é um jogo excelente!

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