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análise › 3ds 
Phoenix Wright - Ace Attorney: Dual Destinies
escrita por Gustavo Vitor Barbosa Bomfim



Um problema das séries longas é que, duas gerações depois, colocar o número 5 do lado do título como a versão japonesa, intitulada Gyakuten Saiban 5 fez, é como um repelente a novos jogadores. Mesmo os veteranos esquecem de acontecimentos de 2 ou 3 jogos atrás eventualmente. Os títulos localizados da franquia, entretanto, nunca sofreram com isso e, pelo menos desta vez com Dual Destinies, essa escolha é justificada. O quinto jogo da série principal de Ace Attorney encontra o equilíbrio entre sequência e experiência singular e rotulá-lo como quinto seria alienar uma boa parcela de potenciais jogadores.

Esse equilíbrio é alcançado através de referências sutis e lembranças sagazes de outros jogos da série que não desnorteiam novatos e só melhoram o jogo para veteranos. Se há um jogo da série recomendado para encaixar melhor os acontecimentos de Dual Destinies, este é Apollo Justice, já que no último jogo da franquia o advogado entra na firma de Wright e, agora com a novata Athena Cykes, formam a tríade de protagonistas.

 



Sim, Phoenix voltou, mas não sozinho. E não havia outra maneira, porque nos "dias escuros da justiça", temática principal do jogo, um advogado apenas é incapaz de retornar a corte de volta a seus dias de glória.

Apesar do cerne do jogo se fundamentar nesse período negro do sistema judicial (realçado inteligentemente pelo promotor principal ser um prisioneiro), tanto a parte da investigação quanto os "duelos" no tribunal são sempre alegres e recheados do bom humor característico da série - sejam pelas piadas (sob uma localização excelente), personagens caricatos ou pela própria bizarrice que se espera no desenrolar dos mistérios que Phoenix e cia. desvendam.



Cada protagonista tem suas particularidades, e elementos de gameplay de Phoenix e Apollo (Psyche-locks e o bracelete, respectivamente), retornam. A novidade fica por conta de Athena, que com auxílio de uma ferramenta tecnológica chamada Widget, aponta contradições nos relatos das testemunhas de forma diferente. Athena consegue captar e distinguir sentimentos irregulares nos testemunhos, como ser salvo de uma explosão e sentir tristeza ou levar um susto mas não sentir surpresa. Isto confere uma nova camada a todos os eventos em corte, já que mesmo que não esteja protagonizando o caso, ela pode ajudar e o sistema entra em ação.



O esquema de julgamento em dias se mantém, com parte do dia guardada às investigações e outra à corte. Enquanto a segunda se mantém praticamente intacta, a primeira sofreu modificações. Nem todas, entretanto, foram pra melhor. Entre as alterações, estão uma versão-maquete das cenas do crime, agora visualizadas de vários ângulos num espaço 3D. O diferencial do 3DS pouco contribui porém, em contraste ao aproveitamento do portátil anterior com a implementação da touch screen em Apollo Justice (que acabou também, inferiorizado em Dual Destinies). Mas o grande problema da investigação são as limitações: você agora só pode investigar as cenas dos crimes, e nada mais. Isto configura uma linearidade ainda maior num jogo que praticamente já é a leitura de um script.

Este script, porém, vale cada linha de diálogo. A Capcom empurrou o tradicional "caso ruim" do terceiro para o segundo episódio, espremendo o filler entre casos de ritmo mais elevado e conseguindo, no processo, uma sequência de eventos que nunca desestimula e que preparam o palco perfeito para os episódios finais. E ah, que episódios. Mesmo sem Shu Takumi nas rédeas, o enredo do jogo não deixa nada a desejar a quaisquer um dos títulos antigos.



Um Ace Attorney nunca esteve tão bonito. Os sprites 2D dos jogos de GBA/DS tinham seu charme, mas os modelos 3D de Dual Destinies são ótimos. A trilha sonora tem sua boa dose de remixes, sim, mas definitivamente não existem objeções a versões orquestradas das músicas, principalmente as acaloradas durante debates em corte. E as debutantes são bem variadas, incluindo um tango-símile sensacional. Por fim, os personagens agora tem dubladores - e, ainda bem, nenhum repulsivo. Infelizmente só há dublagem nas esparsas cutscenes do estúdio de animação japonesa BONES.



Apesar de toda a comoção pela ausência de distribuição física do jogo, a verdade é que Dual Destinies é o mais acessível dos Ace Attorney. Os limites na investigação e a notável ausência de alguns personagens famosos da série são pormenores chatos, mas ao tempo que você alcançar o último caso e estiver aficcionado nas reviravoltas absurdas, vai perceber que são somente isso: pormenores.

 


-- Resumo --

+ Phoenix de volta
+ Trama boa com ritmo crescente
+ Trilha sonora
+ Modelos 3D

- Investigação limitada
- Poucas cenas com dublagem

 

Jogo analisado com código fornecido pela Capcom.

 




9,0


comentários
Nivek
03/11/2013 às 14:53
Cara, que jogo lindo, pra quem jogou os outros as diferenças são notáveis. Eles tiraram algumas coisas legais, mas que eram desnecessárias (como, por exemplo, a "investigação" de lugares que não têm nada a ver com o crime), mesmo assim, está ótimo. As cores, os personagens, os cenários, estão muito mais vivos! Achei que ia sentir falta dos sprites 2D, mas nada disso, Phoenix e Apollo estão muito bad-ass em 3D. Aquelas cenas onde alguém diz algo "polêmico" na corte e mostra-se uma visão geral da sala com um murmúrio do público mudaram pra muito melhor: Além da câmera afastar, ela faz uma pan da direita pra esquerda, em 3D, fica lindo demais. Mals, Pokémon, pra mim esse e Fire Emblem são os campeões do 3DS.
OVERHEAT
24/10/2013 às 20:52
Para mim ausência de dublagem quanto mais, melhor. Mantém uma certa nostalgia. Mas é claro que de certa forma dublagem também é positivo para que novatos se sintam mais a vontade em adentrar no jogo.

Gostaria de saber de quem jogou/está jogando como anda o número de pistas falsas no jogo. Existem muitas? Elas conseguem mesmo te fazer pensar em outras possibilidades erradas?
Não tenho :o
24/10/2013 às 20:31
Devo ser o único dono de um 3DS abrindo mão de Pokémon sem dó, só pelo Phoenix Wright.

Essa franquia é puro amor no meu coração, inexplicável a sensação de voltar a jogar uma coisa linda dessas.
Shurebis
24/10/2013 às 19:11
Pra quem jogou a demo: o começo do jogo está diferente e bem melhor.
Kojima
24/10/2013 às 16:46
- poucas cenas com dublagem

isso pode ser bom ou ruim, dependendo da pessoa
eu sou fã dos bipes

apesar da dublagem não estar das piores
nicolasacmf
24/10/2013 às 11:50
Nossa, esse foi rápido hein.

Eu fiquei esperando por um lançamento a meia noite. Ainda nada...
Brisingr
24/10/2013 às 11:43
Essa análise aumentou meu hype
Infelizmente só vou poder comprar no fim do ano! Espero que a Capcom dê a louca e faça uma promoção assim como fez com MH3U e SSF4

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