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Rayman Legends
escrita por Rodrigo de Sousa Trindade

Você não vai jogar nada mais criativo do que Rayman Legends em 2013. Ok, se trata de uma franquia estabelecida e existem diversas opções do universo indie ganhando destaque crescente, mas o time liderado por Michel Ancel conseguiu algo impressionante para uma franquia estabelecida como Rayman.

Legends é o segundo título a utilizar a UbiArt Framework, engine criada pela Ubisoft responsável pelo belíssimo visual do jogo. Enquanto seu antecessor Origins já chamava a atenção pela vivacidade de suas cores, Legends vai além disso misturando elementos de 2D e 3D que resultam em um desenho animado interativo, com diversos elementos em constante movimento.

O jogo não é só colorido. Há fases mais sombrias, embora estas sejam a minoria no pacote completo. Mas merecem ser mencionadas, pois mostram o repertório variado de ideias aproveitadas para criação do jogo de plataforma.

Aos leigos, Rayman funciona basicamente como Mario: é um platformer 2D no qual o jogador transita entre estágios com início e fim limitados, agrupados em cinco mundos principais. A maior diferença está na jogabilidade. Enquanto o tradicional mascote da Nintendo tem como característica a precisão nos seus saltos, Rayman é mais “solto”, veloz, ou seja, tem um ritmo mais acelerado que Mario.

Estas peculiaridades permitiram aos criadores a inovarem em diversos estágios, cinco deles em especial. Ao terminar todas as fases dos mundos e derrotar seus respectivos chefes, uma fase musical é liberada. Muitos já provaram a novidade em “Castle Rock”, presente na demo e no Challenge App liberados pelo eShop antes do lançamento do jogo.

Variando estilos musicais, desde o clássico, ao rock e até a paródias de músicas famosas, Rayman deve correr sem parar do início ao fim da música em cenários programados para uma progressão que mistura plataforma e ritmo de um jeito incrível. A sensação de completar cada um destes estágios sem falhas ou interrupções é excelente e muito prazerosa graças ao misto de desafio e humor que estes são responsáveis.

É possível e provável que erros ocorram ao longo destas fases, no entanto. Embora a música seja quebrada, isto jamais fica frustrante, pois Rayman Legends é generoso em checkpoints. Ao contrário de Origins, onde estes eram claramente divididos por “portas” espalhadas pelos estágios, Legends tem diversos espalhados por todas as fases. Isto é, desde as rítmicas, até as mais tradicionais e inclusive os chefes.

Todos os estágios são compostos de começo e fim, mas cada um deles tem uma disposição diferente de Lums e Teensies, dois dos colecionáveis do jogo. A história de Rayman Legends, embora besta, consiste em uma aventura para resgatar as centenas de Teensies sequestrados e aprisionados pelos vilões. Os Lums, por sua vez, funcionam como se fossem uma moeda dentro do jogo. Eles podem ser coletados de formas variadas, que incluem derrotar inimigos, coletar plantas escondidas pelos estágios ou passar sobre moedas ou os próprios Lums pelas fases, inclusive nos Challenges e nas fases de Rayman Origins.

O quê? Fases de Rayman Origins? Sim, é isso mesmo. Utilizando o longo tempo extra originado pelo adiamento do lançamento do jogo, que estava datado para Abril de 2013 e era exclusivo ao Wii U, a equipe aproveitou, adaptou e incluiu dezenas de fases de Origins dentro de Legends.  No entanto, estas não estão disponíveis logo de início e devem ser destravadas uma a uma da seguinte maneira: cada fase de Legends possui troféus de bronze, prata e ouro. Estes são alcançados conforme o número de Lums coletados. Entre os troféus de prata e ouro, existe um outro “nível”, que é a entrega de um cartão que o jogador deve raspar – literalmente – e do qual sairá um prêmio.

Existem quatro possiblidades de recompensa: Lums (de 500 a 10 mil), um Teensie, uma Creature (já chegaremos lá) e a liberação de um estágio novo de Origins. Para isto, o jogador precisa de sorte para nos seis quadrados disponíveis ao menos três exibirem a imagem do prêmio.

Uma vez liberadas, as fases de Rayman Origins estarão disponíveis em um quadro no hub do jogo. Aliás, é assim que funciona a navegação de Legends. Na metade direita da tela principal, o jogador encontra seis quadros que contêm os mundos do jogo. Pulando nos quadros (isso soa familiar... Mario 64?), cada uma das fases aparece disposta em mais uma sequência de quadros. E dentro desta disposição há pelo menos duas portas, que possuem uma fase cada, nas quais uma personagem jogável é destravada assim que as fases forem concluídas. Confuso? Sem dúvida. Ao invés de facilitar, a organização por quadros confunde e atrasa o início dos estágios. Uma vez neles, não há o que reclamar.

Voltando à tela principal, do lado esquerdo estão colocadas as entradas para os Challenges, as fases de Rayman Origins, o divertidíssimo Kung Foot e a seleção de personagens e a coleção de Creatures. Embora sejam “inúteis”, as Creatures são colecionáveis obtidos via os cartões obtidos pelo acúmulo de Lums em cada fase. Uma vez destravadas, elas ficarão nas prateleiras de sua coleção e te entregarão Lums e moedas diariamente. Fora isso, conforme as prateleiras forem completas, troféus serão assinalados para cada uma delas, como uma forma de recompensa.

Apesar do Wii U não ter troféus ou achievements, a Ubisoft incluiu em Legends seu próprio sistema de recompensas, via o sistema Uplay. Ou seja, quem gosta de coletar e buscar tudo o que o jogo tem disponível pode se dar por satisfeito.

A outra novidade de Rayman Legends é a existência do minigame Kung Foot. Ele não vai além de um futebol 2D, mas é uma inclusão válida e que enriquece o multiplayer do jogo. Uma bola cai do céu e quem marcar mais gols em um limite de tempo vence. É uma premissa simples que funciona muito bem e chega até a lembrar arenas de Super Smash Bros. pela competitividade e confrontos entre os personagens. No Wii U, porém, os duelos podem ser desiquilibrados quando formados times de três jogadores contra dois.

Sim, cinco jogadores. Obviamente o console da Nintendo é o único que permite um personagem extra na tela, graças ao GamePad. Nas fases tradicionais, até cinco Raymans, Teensies ou Globoxes – skins para cada um é o que não falta – podem avançar em conjunto até o fim. Quanto mais jogadores, maior o caos e mais afetada será a jogabilidade tradicional da série, mas é divertido e dá para encarar, graças aos generosos checkpoints. O seria frustrante sozinho, em grupo é motivo de diversas risadas e até competição entre amigos.

Ou seja, apesar de não funcionar da forma ideal, o multiplayer cumpre sua função: é legal para se jogar em grupos. Só não espere combinar jogatinas online, pois esta possibilidade inexiste em todas as versões de Legends.

A existência do GamePad não é responsável apenas pelo quinto jogador do multiplayer, mas também por estágios exclusivos de Murphy, uma espécie de fada, ao Wii U. Neles, o jogador não controla o personagem da tela, mas Murphy. Com ele você deve abrir o caminho para progressão de Raymans e Globoxes da vida. O que nos primeiros mundos é um serviço simples de cortar cordas e puxar plataformas, nos estágios mais avançados é um desafio considerável, dada a velocidade em que as transições acontecem.

Os estágios de Murphy, quando jogados por apenas um jogador, podem ser para alguns menos divertidos do que as fases tradicionais. Entretanto, quando no co-op (especialmente com dois jogadores), a dinâmica é ótima e inédita. Não há outro jogo que passe essa sensação de trabalho em equipe de Rayman Legends.

Falando em trabalho, Legends certamente demandou muito. Mesmo com atrasos, o jogo conseguiu não só se equivaler a Rayman Origins, mas superá-lo com doses de criatividade que vão desde espionagem subaquática, brincadeiras com a gravidade, dragões e lucha libre. Quem sempre quis controlar um pato com uma cabeça de Rayman também terá uma oportunidade, aliás.

Rayman Legends é único. Desde a combinação perfeita entre música e plataforma, até mundos que fazem paródia de importantes títulos da literatura – leitores de Júlio Verne entenderão – o jogo não tem um concorrente tão inovador e é ideal para a coleção de qualquer dono de Wii U.

-- Resumo --

+ Animações excelentes;
+ Multiplayer e co-op com o GamePad;
+ Combo música + plataforma;
+ Muito conteúdo;
+ Achievements via Uplay;

- Hub confuso e pouco intuitivo




9,5


comentários
D2Boy
28/10/2013 às 11:53
Esse jogo é demais em todos os aspectos vou comprar para o meu Wii U com certeza.
Rolemos
02/10/2013 às 16:58
Foi propaganda enganosa mesmo... nada de versão em portugues para o wii U
Aristarkh
25/09/2013 às 13:16
"para quem gosta aumenta e muito a vida útil de um jogo, principalmente se os mesmos forem bem feitos."


O problema é que nunca é bem feito, sempre te forçam a fazer coisas idiotas e backtrackings desnecessários, tudo isso por um selinho que não vai trazer nada de novo pro jogo.

Wonderful 101 tem achievments, assim como Kid Icarus Uprising, mas eles te recompensam lhe dando desbloqueáveis junto. Achievments são coisas que devem colocar nos jogos, não nos sistemas.
Rolemos
24/09/2013 às 17:10
O Meu Chegou ontem , comprei pela Saraiva - versão em português, só que veio manual em frances ,inglês e espanhol e o jogo ficou em inglês tem como configurar para português ??? Propaganda enganosa...
Jango
24/09/2013 às 07:49
Dentre os vários jogos 2D que estão lançando para o Wii U, esse é sem dúvidas o melhor, muito diferente e inovador. Excelente análise.
Super FOG
24/09/2013 às 01:04
Vai ver tem que baixar o Language Pack na eShop, igual Assassin's Creed III
Lastdragon
23/09/2013 às 22:15
@Ród

Valeu por me responder!! Na verdade a questão da língua pra mim não complica, mas de vez em quando vem criançada aqui e ajudaria, como comprei na saraiva e pelo comunicado da Ubi o jogo seria totalmente localizado, achei que teria a opção, visto que em Zombie U basta o console estar em português que ele já traz as legendas automaticamente.
Ród
23/09/2013 às 21:54
Lastdragon, vc destrava os avatares de Mario e Luigi conforme coletar Lums. Com 20 mil acumulados vc terá os dois, se não me engano. Quanto ao jogo em português eu não sei te dizer, já que peguei via eShop canadense.

O negócio seria fuçar nas settings do jogo e ver se existe essa opção, mas eu sinceramente acredito que a língua não é uma barreira, visto que não há história, praticamente.
Lastdragon
23/09/2013 às 20:08
comprei meu jogo ontem, mas estou com dois "problemas" se puderem me ajudar...
não sei como ter as roupas de Mario e Luigi e também meu jogo não fica em português, mesmo o idioma do meu WiiU estar assim. Alguém pode me ajudar?
Quanto a analise, parabéns, o jogo está incrível, parece até que a Ubi tem aproveitado melhor as funçoes do WiiU que a própria BigN.
Super FOG
23/09/2013 às 11:52
"para quem gosta aumenta e muito a vida útil de um jogo, principalmente se os mesmos forem bem feitos."

E isso vai direto contra o que eu acabei de dizer! É um argumento batido, é obrigação do jogo oferecer meios de aumentar sua própria vida útil, não do sistema do console. Eu aprecio quando o jogo tem seus mecanismos proprietários de achievements, tipo Kid Icarus, Scribblenauts Unlimited, The Wonderful 101, etc, porque é certeza de que fazê-los irá habilitar alguma coisa no jogo, fator recompensa, sabe, não existe isso em jogos com conquistas via sistema do console.
Seph_luis
22/09/2013 às 16:09
@Rod

No PC tem as fases do Murphy, normalmente umas 2 ou 3 a cada mundo. Você simplesmente aperta um botão para que ele faça as coisas. Foi uma implementação muito forçada na minha opinião, no WiiU deve ser bem melhor já que com outra pessoa dá para planejar o negócio.

@SuperFOG

Não vou entrar em detalhes, mas a Nintendo deveria ter incluído achivements ou um sistema parecido no WiiU e no 3DS. Para quem não gosta, a inclusão desse sistema não faz diferença alguma, para quem gosta aumenta e muito a vida útil de um jogo, principalmente se os mesmos forem bem feitos.
Mupynator
21/09/2013 às 17:34
Será que dá pra jogar as fases do murphy com um pro controller?
Ród
21/09/2013 às 12:39
Seph, não joguei a de pc, mas pelo que li antecedendo o lançamento, há fases exclusivas ao Wii U e Vita.
Aristarkh
21/09/2013 às 12:09
""Achievements via Uplay"

Nintendo esta sendo cabeça dura em não incluir algo do tipo."


Pra atrair mais jogadores bitolados trophyfags? Não, obrigado.
Super FOG
21/09/2013 às 00:34
"Nintendo esta sendo cabeça dura em não incluir algo do tipo."

Cabeça dura??? Eu agradeço muito que o Wii U não tenha essa frescura, sério, nunca vi graça em completar objetivos aleatórios para ver um ícone piscar na tela com uma pontuação que eu não vou usar. A melhor vantagem desse UPlay é que eu posso desligá-los!

Mas o pior de tudo é as idiotices que as produtoras fazem com achievements para torná-lo mais estúpido do que já é, quando eu vejo um jogo de PS3 com um troféu do tipo "veja o pior final possível" é certeza que vou me recusar à platiná-lo porque é como se o jogo estivesse querendo que eu fosse ruim de propósito.

E não me venham com o batido "achievements aumentam a duração do jogo", porque é uma OBRIGAÇÃO do próprio jogo oferecer conteúdo para garantir sua replayabilidade. Se sentem tanta falta disso nos consoles Nintendo, dá pra improvisar no Wii U, tirando uma printscreen e postando no Miiverse para os amigos.

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