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análise › 3ds 
Animal Crossing: New Leaf
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe

Não faria sentido avaliar um jogo como Animal Crossing após apenas alguns dias ao seu lado. Isso porque Animal Crossing não é um jogo comum, que é vencido e depois realocado para a prateleira e a memória. Ele persiste sempre, diariamente, criando raízes fundas na rotina do dia-a-dia mas sem nunca machucar como outros vícios, nem pedir esmola como os outros jogos sociais.

Refiro-me a eles como "outros" porque muito antes de FarmVille e Candy Crush Saga, Animal Crossing já era em 2001 um jogo social. Não no sentido de um título que obriga os fãs a testarem a paciência de seus amigos com recadinhos constantes em seus murais no Facebook, mas sim de um mundo paralelo em que a única missão do jogador é socializar com seus habitantes virtuais. Ah, e esses de que falo são todos animais.



Apesar de já ter aparecido em três consoles de mesa da Nintendo (e provavelmente já estar sendo preparada para um quarto), Animal Crossing é uma franquia que claramente nasceu para reinar no âmbito portátil. Wild World provou isso no DS, mas as limitações do agora ultrapassado hardware impediam o título de realizar todo seu potencial. Por isso New Leaf é um marco tão importante para a série. No 3DS, o jogo ganhou não apenas a apresentação visual que merece, mas também não precisou fazer concessões em termos de conteúdo, e agora, no formato digital, pode estar com os jogadores a todo momento.

Em Animal Crossing, os jogadores ganham uma vida paralela. Cabe a eles o papel de prefeito de um pequeno vilarejo rural, no qual não existem missões, fases ou pontos de experiência - apenas liberdade. Liberdade para passar o tempo caçando insetos, procurando móveis para personalizar sua casa ou simplesmente jogando papo fora com os vizinhos.

E o tempo que você passa no mundo virtual é o mesmo do real. A passagem das horas, dos dias, dos meses e até mesmo das estações em Animal Crossing é paralela à do plano em que vivemos, já que o jogo utiliza o relógio interno do 3DS para organizar seus acontecimentos. Assim, pela manhã, o Sol nasce enquanto os animais começam a acordar e sair de casa. Com o entardecer, espécies de peixes que só sobem à praia quando a noite se aproxima fazem justamente isso. E de noite, todos vão dormir. Tudo isso transpira com ou sem a interferência do jogador que, no final das contas, é só mais um no contexto dessa realidade paralela. Se no dia do aniversário de um de seus vizinhos o jogador não aparecer para visitá-lo, ele será criticado por seus companheiros no dia seguinte, por exemplo.

Mas os títulos da série não cobram muito de seus fãs além de alguns minutos de atenção por dia. Ao mesmo tempo em que existem dias movimentados - como, por exemplo, a véspera de Natal -, existem também aqueles em que nada de especial acontece. De novo: como na vida real. E jogadores de Animal Crossing inevitavelmente passam a lidar com isso, integrando a rotina de seu personagem no jogo à sua própria.



Perigoso, New Leaf se instala como um vício sem que os jogadores percebam. O porquê dessa capacidade do jogo está escondido em seu caráter minimalista e seu visual aparentemente inocente, que servem apenas como fachada para os complexos sistemas que funcionam por trás das cortinas e buscam sempre surpreender os jogadores.

Assim como, para os olhos de um desinformado, uma maçã caindo de uma árvore não passa de um evento garantido, que não depende de complicadas leis da física, para fãs que estão explorando Animal Crossing pela primeira vez a aparição de um inseto raro em determinada hora do dia não passa de uma coisa que simplesmente acontece. Mas não é bem assim. Ele aparece porque sua população é mais ativa na época do ano, e a temperatura era ideal para que ele deixasse o abrigo e pousasse em uma flor. E quem precisa saber disso?

Animal Crossing é um jogo melhor aproveitado por aqueles que não têm medo de serem surpreendidos. Deixe o GameFAQs de lado. A descoberta de uma conversa engraçada ou de um item peculiar é muito mais proveitosa quando não é prevista. E é através desse seu aspecto que a série torna-se prazerosa: ela está sempre buscando surpreender com algo novo ou diferente, dia após dia, nos pequenos detalhes.



E inocentes são os que pensam que podem "vencer" New Leaf, vendo tudo o que há pra ver no jogo para deixá-lo de lado logo. Isso porque o jogo tem conteúdo suficiente para preencher pelo menos um ano da vida de seus fãs. Os números estão do lado do título. Número de móveis, número de peixes, número de roupas, número de destraváveis... Mas não apenas números. Complexos sub-sistemas de jogabilidade inteiros, como o de Feng Shui, por exemplo, já são suficientes para ocupar horas e horas de jogo.

E New Leaf marca a estreia de um novo aspecto na série, que também serve para ocupar o tempo: o da personalização do espaço público. Como prefeitos, os jogadores podem ordenar a construção de projetos públicos que alteram a aparência e até mesmo trazem novas instalações para os vilarejos. Financiados através de doações, tais projetos englobam até mesmo extras simples como hidrantes ou pontes até grandes construções, como estações policiais ou uma reforma no museu municipal.

Com esse novo sistema, as diferentes cidades tornam-se únicas, e explorar as criações de seus amigos através dos modos multiplayer local ou online vira uma experiência muito mais interessante.



No 3DS, há mais opções de interação com outros jogadores do que nunca. Pela internet, é possível compartilhar QR Codes para designs personalizados para roupas ou outras coisas, e até mesmo códigos que permitem a desconhecidos visitar sua cidade no "mundo dos sonhos" sem que você esteja online. Via StreetPass, o jogo obtém casas de outros jogadores e as coloca em uma área de exposições. Ao visitar uma ilha tropical junto de seus amigos, é até possível participar de pequenas competições contra eles.

Infelizmente, como já é um costume em termos de plataformas Nintendo, o modo online do jogo é extremamente burocrático. Existe a obrigatoriedade da troca dos Friend Codes de sempre, e mesmo o sistema de "melhores amigos" - que facilita a troca de mensagens entre conhecidos dentro do game - não permite que um visite o outro sem que o outro passe pelo demorado processo de abertura dos portões de seu vilarejo.



Jogo Animal Crossing: New Leaf diariamente desde seu dia de lançamento, e até agora não me cansei dele. Frequentemente dou boas risadas com as besteiras que meus vizinhos falam, e sempre gosto de conhecer animais novos que vêm visitar meu vilarejo acampando em uma instalação que construí como prefeito. Brinco ocasionalmente me arriscando no mercado de nabos - e felizmente até agora não perdi muito dinheiro nele. E me divirto constantemente.

New Leaf é um jogo que devia vir pré-instalado em todos os portáteis 3DS. Ele representa não apenas o auge de sua série, mas também o brilhantismo do gênero de simulação de vida. Assim como faz o mundo real, Animal Crossing não entrega tudo de bandeja de uma vez só, mas sim dosa as recompensas para que voltemos dia após dia. E isso funciona.

 
-- Resumo --

+ Jogabilidade viciante;
+ Quantidade assustadora de conteúdo;
+ Maior númeor de opções de personalização da série;
+ Mundo envolvente e bem-humorado;

- Estrutura online burocrática e arcaica.




10,0


comentários
fubuki.lucario177
24/09/2013 às 23:25
primeiro o vicio no monster hunter e agora isso,quando o pokemon lançar vou ta super viciado nele
Wiivern
07/09/2013 às 23:15
A nintendo deixou as coisas mais fáceis de serem conseguidas do q nos outros, com 90 horas de jogo, já tô com todos os fósseis do museu.com mais de 2.000 horas no cube eu não consegui isso. Em compensação tem muuuito mais coisas pra se conseguir na versão de 3ds.
Rhapsody
30/08/2013 às 23:37
Já dropei o meu. Depois que abro todas as lojas e expando toda a casa sempre eu abandono o jogo.
Razor Ramon
30/08/2013 às 12:58
Meu pai se apoderou do meu 3DS depois que eu mostrei esse jogo pra ele rsrsrsrsrs

já tem umas 100 horas de jogo pelo menos..
LeoMetroid
26/08/2013 às 15:45
comprei o jogo porque não entendia suas notas altas e esse "amor" pelo game, pensava que era chato e repetitivo. Hoje fico triste quando algum vizinho vai embora Ó_Ò
Zappa
24/08/2013 às 20:58
É um joogo que quero pro meu futuro 3DS *-*
Mas lendo o reviw aqui percebi que é um jogo diferente do que eu achava que era... pelo que tinha visto, achei que era um jogo como o Little King Story.
daniel neves
23/08/2013 às 14:36
Meu jogo de 3DS favorito fácil. Já passei de 150 horas, e é que não peguei no lançamento. Muito bom.
LoverHater
23/08/2013 às 14:32
Gostei da review. Fala exatamente como é o jogo. A parte burocrática da abertura de portões é nada mais, nada menos que uma preparação para a conexão entre o 3DS e a internet... Acredito que não seja um ponto negativo. Mas tudo bem...
@Leonk3, para tirar sua dúvida.... eu tinha o MH3 ultimate e troquei pelo Animal Crossing: New Leaf... resultado: não me arrependo nem um pouco. Jogo todos os dias, a todas as horas... Já passei de 200 horas jogadas facilmente... E não canso de jogar... Minha mulher mesmo reclama falando que estou viciado no jogo
Se você quer um jogo para se divertir a qualquer momento, este é o pedido. Lembre-se que Mario & Luigi Dream Team tem um fim, já este não... Parece ser eterno
Leonk3
23/08/2013 às 14:01
Estou na dúvida se pego o Animal Crossing ou Mario e Luigi Deam Team... T-T
Green Moon
23/08/2013 às 13:26
meu jogo favorito do 3DS,já passei de 200 horas fácil.
não concordo com"Estrutura online burocrática e arcaica" mas a Review ficou muito boa.
Thales
23/08/2013 às 09:52
Desde que peguei o jogo, jogo todo dia. Todo dia. Já se tornou o meu jogo favorito do 3DS. Não vai demorar muito para eu passar as minhas horas de jogo no City Folk (quase 70).
Ferber
23/08/2013 às 07:49
Bela análise. Parabéns.
Hogid
23/08/2013 às 01:30
Já postei vários comentários aqui no site elogiando o jogo, dizendo que estava viciado e tal... Pois bem... Agora eu recomendo... Não comprem... Mais de dois meses jogando essa coisa todos os dias e não consigo parar. Depois volto pra falar mais. Agora tenho que vender meus nabos, e caçar besouros na ilha, e aumentar meu quarto, e criar um novo projeto público, e conseguir vizinhos novos, e.............
WTF Ivysaur
23/08/2013 às 00:53
Só reclamo da tela de baixo muito mal utilizada. Seria fantástico navegar pelo inventário sem "pausar". Um saco coletar frutas e ficar tendo que verificar se tem espaço o tempo todo e parando tudo para agrupar as frutas.
nicolasacmf
23/08/2013 às 00:42
inb4 rárdicóris reclamando da nota e chamando o jogo de casual.

Also: eita review bão de ler.

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