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análise › 3ds 
Luigi's Mansion: Dark Moon
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
Aparecendo em uma posição de destaque novamente após mais de uma década preso na sombra de seu irmão baixinho, Luigi é o mesmo de sempre. Posando de inútil com suas aparentes preguiça e covardia, o herói começa sua nova aventura em Dark Moon de maneira tímida, mas não hesita em saltar para a ação quando necessário, nem em colocar seus neurônios para funcionar quando o real e o sobrenatural confundem-se.

O novo Luigi's Mansion para o Nintendo 3DS é o maior projeto da história da pequena devhouse canadense Next Level Games, que entre um jogo licenciado e outro desenvolveu pérolas como Super Mario Strikers e o mais recente Punch-Out!!. Extremamente consistente, Dark Moon supera em todos os aspectos o seu predecessor de 2001, firmando-se na lista dos melhores do portátil com muita beleza, simplicidade nos controles e a engenhosidade de um Zack & Wiki, mas ao mesmo tempo pecando por uma escolha de design que favorece uma linearidade desnecessária.



Anos após os eventos do game original da série, o pequeno notável Professor E. Gadd monta residência em um laboratório na região chamada Evershade Valley, onde ele passa seu tempo estudando fantasmas amigáveis. Quando um estranho artefato chamado Dark Moon é quebrado e dividido em vários pedaços, porém, os espectros tornam-se agressivos, e ele é obrigado a recorrer ao experiente caçador de assombrações Luigi para resolver seus problemas.

Mais uma vez colocado na linha de fogo contra sua vontade, o bigodudo tem como objetivo explorar mansões mal-assombradas nas redondezas do vale para coletar as peças da Dark Moon. Em posse do Poltergust 5000 - versão mais moderna do aspirador de pó a la Ghostbusters que o permite capturar espíritos -, Luigi acaba por envolver-se em uma série de eventos que coloca em jogo muito mais do que apenas a paz de uma inóspira região abandonado pelos vivos.



Com seus belos cenários e animações, Dark Moon causa uma boa primeira impressão. Tal qual a de Kid Icarus: Uprising, a apresentação cinematográfica do título serve para exemplificar o real potencial do 3DS. Luigi e os outros personagens movem-se com naturalidade por cenários minuciosamente construídos, repletos de pequenos detalhes e completamente interativos. As pequenas coisas como a forma com a qual o protagonista treme ou olha por cima de seus ombros quando está parado ou como o aspirador de pó pode sugar as cortinas de uma janela ou pratos de uma prateleira ajudam não apenas a agradar os olhos dos jogadores, mas também a construir uma atmosfera interessante para a aventura.

Mas de nada adianta aparência sem substância. Felizmente, Dark Moon não está bem servido apenas no primeiro desses campos. Inteligente, o jogo tem méritos tanto em sua ação, satisfatória por seus controles e diversidade, quanto em seus quebra-cabeças, desafiadores sem nunca serem obtusos.

Reproduzindo um problema recorrente em títulos Nintendo, como o recente Skyward Sword, por exemplo, o game começa de uma forma lenta e pouco inspiradora. Enquanto explora sua primeira mansão, Luigi é constantemente guiado por E. Gadd através de ligações telefônicas, tendo poucas oportunidades para agir de sua própria vontade. Essa introdução serve para dar o tom da jornada, mas dura muito mais do que deveria.



Assim que as primeiras duas horas são superadas, porém, a aventura ganha proporções surpreendentes. Apesar de se passar em cenários compactos, que assim como os estágios de Super Mario 3D Land lembram pequenos dioramas em 3D, ela rapidamente toma proporções que vão além das vistas na maior parte das grandes produções do gênero aventura baseando-se apenas em sua engenhosidade. A todo momento Luigi depara-se com enigmas e quebra-cabeças das mais diferentes naturezas, com soluções sorrateiramente escondidas em pequenos detalhes.

Um dos potos mais brilhantes de Dark Moon é o fato de que ele cobra a constante atenção dos seus jogadores. Em tempos de grandes produções que podem ser vencidas com comandos mecânicos e repetitivos, o novo Luigi's Mansion destaca-se na multidão por raramente permitir que um mesmo método de lidar com um problema seja suficiente para resolvê-lo duas vezes em sequência. Um exemplo: inicialmente, inimigos podem ser vencidos com um simples flash da lanterna - mas depois outros surgem em seu lugar munidos, por exemplo, de proteções para os olhos que bloqueiam os efeitos da lanterna. Em situações assim, que aparecem a todo momento, os fãs são obrigados a pensar antes de agir.

Pegue Darksiders ou até mesmo um The Legend of Zelda como exemplo, e pense: no gênero, a diversidade de quebra-cabeças e desafios em geral tem raízes no uso de uma lista enorme de diferentes itens e acessórios. Mas Luigi's Mansion: Dark Moon admiravelmente toma o caminho mais difícil, apoiando-se em sua simplicidade e construindo uma jornada inteira com base no uso de apenas dois itens: o Poltergust 5000 e sua lanterna acoplada.



Apesar de toda sua inteligência, Luigi's Mansion: Dark Moon é afligido mesmo problema que seu similar Paper Mario: Sticker Star. Tal qual o jogo da Intelligent Systems, o trabalho da Next Level Games é afetado negativamente por uma busca pela "portabilização". Ambos os títulos de 3DS, ao invés de seguir a mesma estrutura funcional de suas versões para consoles, acabaram desnecessariamente divididos em estágios ou missões.

No caso de Dark Moon, a escolha de design resulta em uma aventura repartida - que, sim, pode ser aproveitada em sessões mais curtas e fechadas do que o primeiro Luigi's Mansion, mas que acaba tornando-se linear em excesso. Sem a estrutura de missões, o jogo poderia apoiar-se ainda mais do aspecto exploração, sem sofrer com a necessidade de ter que dar a Luigi direções.

Indiretamente, a culpa pelo maior demérito de Dark Moon é do 3DS. Seu formato portátil não influi negativamente, porém, nos controles do jogo - que mesmo sendo sequência de um dos primeiros títulos Nintendo a utilizar dois direcionais analógicos, acaba saindo-se bem com apenas um. Passado em cenários pequenos e fechados, ele não cobra dos jogadores controle sobre a movimentação da câmera, e os botões B e X servem bem para movimentar a mira de Luigi verticalmente. Para facilitar ainda mais a vida dos jogadores, as rajadas de seu aspirador perdoam a mira ruim, ajustando-se em certas situações para corretamente acertar os fantasmas.



Graças aos seus consistentes controles, Dark Moon é capaz de oferecer paralelamente à campanha principal um modo multiplayer para até quatro jogadores bastante proveitoso. Batizado de ScareScraper, ele deixa de lado os quebra-cabeças e foca-se principalmente no aspecto ação da aventura.

Com quatro variações - Hunter (caça aos fantasmas contra o relógio), Rush (caça às passagens para avançar com limite de tempo), Polterpup (caça aos cães fantasmagóricos) e Surprise (mistura de elementos das outras três) -, o modo coloca quatro heróis bigodudos em um arranha-céu mal-assombrado, tendo eles como objetivo avançar por seus andares em segurança. A opção não tem grande substância ou até mesmo durabilidade, mas diverte por sua freneticidade e surpreende por sua execução. Isso porque ela é completa, permitindo que até três jogadores sem cartuchos do título experimentem partidas online via Download Play mesmo separados do usuário que tem o jogo efetivamente.



Mesmo atrapalhado por sua linearidade arbirtrária, Luigi's Mansion: Dark Moon cumpre com simplicidade o que a maior parte das ofertas de seu gênero não consegue: desafiar as mentes de seus fãs a todo momento. O jogo é tão consistentemente bom que faz criar uma experiência nesse nível parecer uma tarefa fácil, que qualquer um poderia cumprir. Mas, olhando para a concorrência, é fácil ver que essa não é a verdade.

Belo, divertido, engenhoso e diferenciado, o game faz justiça ao legado de Luigi - que, convenhamos, é o verdadeiro herói da franquia. Afinal, resgatar princesas atrás de seu amor como Mario faz é fácil. Difícil mesmo é fazer o mesmo apenas para ajudar seu irmão.

-- Resumo --

+ Jogabilidade e quebra-cabeças engenhosos e inteligentes;
+ Controles elogiáveis;
+ Apresentação impecável;
+ Multiplayer divertido e completo;

- Linearidade arbitrária desnecessária.




9,0


comentários
parada
21/05/2013 às 12:22
boa análise cara, mandou bem.

agora falando do jogo, eu fiquei bem decepcionado depois que comecei a jogar (to jogando ainda e tals, no inicio, por sinal, já que ando meio sem tempo por conta da facul) já deu pra perceber que ele não é igual ao luigis mansion de game cube, nesse eu fico entrado e saindo de uma mesma mansão várias vezes, toda hora tendo que fazer tipo uma missão diferente, sem contar que muda de mansão pra mansão, e no antigo a gente ia explorando uma unica e grande mansão, o que eu acho mais legal porque dava noção de continuidade né, parecia realmente que estávamos progredindo no jogo, já nesse, todo nível novo parece que a gente ta começando tudo de novo... fase após fase.. meio chato isso, preferi mil vezes o antigo, não que esse seja um jogo ruim, mas pra mim, pecou nesse aspecto, eu teria dado uns 8..
Ferber
21/05/2013 às 09:55
Excelente análise. Parabéns.

Acho que para tirar o 10 só faltou ressaltar um pouquinho mais a questão do bom humor do jogo, que é marcante.
DK
21/05/2013 às 01:59
Tenho que comprar logo
Green Moon
20/05/2013 às 10:58
eu tb gostei da analise esse e um ótimo jogo,realmente ele não tem muitos contras e o modo online e muito divertida e da uma boa longevidade para o jogo, obrigatório para quem tem um 3DS.

só não concordo com a Linearidade,isso e perfeito para um portátil e nem todo mundo vai jogar um portátil em sua casa sem se preocupar se a bateria vai acabar.
nicolasacmf
20/05/2013 às 10:32
Concordo com PRATICAMENTE tudo nessa review. Só achei que o sistema de missão, por mais restritivo que seja, não machucou o jogo tanto assim. Faltou mencionar a trilha sonora. Ela não é estelar como a de FE Awakening, Kid Icarus Uprising ou os Mario Galaxys, mas definitivamente está acima da média, ajuda na ambientação e é super charmosa...
Gustavo
20/05/2013 às 06:01
Concordo totalmente com essa review. A única coisa que não curti no jogo é esse funcionamento por missões. No primeiro, era tudo uma coisa só, uma aventura do começo ao fim. Nesse, cada pequeno progresso é interrompido por uma visita ao E. Gadd, fora que no começo ele praticamente cospe as soluções dos puzzles na sua cara.

No mais, segredos em toda sala, animações fantásticas, música sutil mas marcante (a música da segunda mansão é arrepiante) e controles ridiculamente simples e funcionais. Dava pra ter sido melhor na mecânica, mas paciência.
WTF Ivysaur
20/05/2013 às 02:48
Bom review. Mas citou tantos problemas que pensei que a nota seria menor.

De qualquer jeito, faltou mencionar a música (ou a ausência dela). Segundo review que a parte sonora passa completamente despercebida.
Heartless
20/05/2013 às 00:57
Gostei da análise. Eu ainda não joguei o primeiro Luigi's Mansion, mas este eu pretendo pegar.

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