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New Super Mario Bros. U
escrita por Gustavo Vitor Barbosa Bomfim

Não era muito difícil prever, lá na E3 2011, que New Super Mario Bros. Mii fosse sair do papel e se tornar um jogo completo. O protótipo, que na época nada diferia de seus antecessores apesar da camada HD, evoluiu pra se tornar o melhor dessa não tão nova leva de Super Mario Bros., ainda que como de praxe, se acomode mais do que tente inovar.

A recepção dada à fórmula de um Mario 2D parece resistir às leis do tempo. New Super Mario Bros 2 se fundamenta nisto e é gratificante perceber que NSMBU não segue à risca a linha cômoda de seu predecessor. Pegando emprestado páginas dos livros de Galaxy e lá de trás, em World, nos são apresentados o ápice das fases side-scrolling desde a era 32-bits no tão desejado mapa integrado inspirado na aventura do bigode no SNES.

 

O mapa de NSMBU é inspirado no de Super Mario World, mas tem algumas adições novas, como inimigos e itens no caminho entre as fases. Esbarre em um inimigo e você terá que vencer uma sequência deles para ganhar um StarMan. Encoste em um item e ele entra pro seu inventório.



Mario pula, esmaga, gira, dá pulos triplos com piruetas e possui sua tradicional seleção de power-ups, do simples cogumelo à sua versão em miniatura, com o modelo Mega repetindo sua ausência nas versões de mesa da franquia. No meio, encontram-se a Ice Flower de Wii, os sempre presentes Starmen e Fire Flower e umas surpresas após se completar a campanha e nos challenges. Mas há um novo figurante. Como em 3D Land, a introdução do jogo nos mostra uma árvore especial do Reino dos Cogumelos, carregadas com o único power-up novo do bigode do jogo. O Super Acorn, como é chamado, dá a Mario uma roupa de esquilo voador, permitindo planagens suaves com direito a subidas rápidas, uma por vôo.



Yoshi também faz seu retorno, e alguns filhotes vêm junto. O rosa infla como um balão e se prova uma ferramenta de vôo melhor que o power-up do esquilo; o azul cospe bolhas que engolfam inimigos ou servem como plataformas temporárias; e o amarelo imita a função do power-up da mesma cor de Galaxy 2 - ilumina ambientes escuros, com uma adição em que giros atordoam inimigos.

Todos esses elementos são apresentados separadamente nos 2 primeiros mundos do jogo, como que em um grande tutorial. A partir daí, juntamente com a escolha de para qual de 2 mundos seguir (podendo ignorar completamente o outro em sua jornada pela princesa) o jogo começa a mesclá-los numa constante melhora de level design com bem planejadas escalas na dificuldade - como em Donkey Kong Country Returns, seu contador de vidas pode estar alto em um momento, mas uma ou outra fase adiante poderão colocá-lo de volta à estaca zero, principalmente se estiver jogando sozinho.

Apesar disso, o fator multiplayer que retorna também de NSMBWii encara a dificuldade de forma subjetiva. Cooperativo no papel, caos na realidade. Mesmo os mais dedicados jogadores vão acabar se atrapalhando, deixando a idéia de que a Nintendo desenvolveu o multiplayer apenas com a desordem em mente. Quatro jogadores, controlando Mario, Luigi, Miis ou Toads, aliados ou não com um quinto jogador com o GamePad em mãos podem desbravar os mais de 80 estágios do jogo. Entretanto, o papel pseudo-onipotente do quinto membro não passa de uma ilusão. A tela de toque do GamePad permite a colocação de blocos ajudando ou atrapalhando os protagonistas e deslocando inimigos de seus trajetos; toques em áreas escuras as iluminam, e em inimigos os atordoam. Aquele no controle do GamePad apenas parece poder fazer tudo, menos jogar. Como o segundo jogador nos Galaxy, esse é um papel de assistente... ou àqueles que não querem nada mais além de atrapalhar os demais.



Enfim, Mario em alta definição. O estilo cartunesco (ainda mais em 2D) certamente não é a melhor chance de mostrar o poder do Wii U, mas ainda garante pausas durante o frenesi dos estágios para admirar um ou outro background, muitas vezes inspirados pelo mapa do jogo. Uma ávore ou formação rochosa características atrás da entrada do estágio? Quase garantido que aparecerão no fundo da fase em questão. Detalhes assim, e como Miis aparecendo vez ou outra acenando à distância são o que enriquecem jogos da Nintendo.



Outros detalhes estão na trilha sonora. A batida remixada de vários temas já famosos ganha mais vida quando Koopa Troopas e Goombas param sua trajetória para um ou outro passo de dança. A grande quantidade de músicas reaproveitadas, infortúnio que vem acometendo as últimas entradas na franquia acaba enjoando com o tempo, mas esses pormenores fazem o possível para relevar.



O fator replay em NSMBU é o maior da série. Derrotar Bowser (em uma das melhores batalhas contra o vilão, aliás) marca uma estrela em seu file, mas ainda há muito a se fazer. As Star Coins marcam retorno, com algumas das mais bem escondidas da franquia. Saídas secundárias se escondem em algumas das fases, levando a atalhos que permitem pular mundos inteiros, ou fases secretas com um nível maior de desafio. Isto tudo além dos challenges, desafios extras que vão desde esmagamentos consecutivos de Goombas até a rápida obtenção de grandes números de moedas. O tempo gasto nestes pode acabar superando o usado na campanha principal, que é bem grande por si só.



O modo multiplayer Coin Battle retorna e um novo chamado Boost Rush faz sua estréia. O primeiro consiste em uma disputa pelo maior número de moedas e o segundo é uma espécie de Time Trial onde quanto mais moedas coletadas, maior a velocidade em que a fase se adianta, deixando você pra trás. Ambos são bem vindos, com o Boost Rush recebendo maior destaque. Infelizmente, nenhum destes, tampouco a campanha principal, possuem opção para se jogar online. As funções em rede do título se resumem à sua interação com o Miiverse, onde se pode postar mensagens após completar fases ou realizar proezas mais específicas, como terminar o estágio sem levar dano.

 

Mensagens aparecerão conforme você progride no jogo, oferecendo para deixar um recado no Miiverse. Algumas são padronizadas e já começam com "Dear Bowser" ou "Two words:" então podem acabar sendo repetitivas depois de um tempo.



15 anos desde que um Mario lançou junto com um console. É verdade que a essa altura se considera que está nas mãos do time da EAD Tokyo mostrar como o bigode se adapta aos novos hardwares da Nintendo (ou seria o contrário?), mas é difícil não associar Mario como ícone e exemplo de cada nova geração. Sendo assim, o peso que NSMBU carrega acaba sendo demais. Sim, a nova empreitada 2D não é a demonstração do potencial que o Wii U tem, mas é extremamente competente como platformer, adicionando alguns elementos que provavelmente acompanharão a série no futuro, e, ainda que talvez inconscientemente com seu chefe final, coloca brilho nos olhos dos jogadores e dá um gostinho do que esperar de Mario em sua próxima jornada tridimensional.


-- Resumo --

+ World Map
+ Mario em HD
+ Algumas das melhores fases 2D da série
+ Challenges
+ Dificuldade bem estabelecida

- Predomínio de remixes ao invés de músicas originais
- Uso simples do GamePad
- Ausência de online competitivo/cooperativo




9,0


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