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ZombiU
escrita por Amauri Silva Junior
Quando anunciado durante a E3 2011, a principal promessa do Wii U era resgatar o público mais "hardcore", de certa forma abandonado pela proposta do Wii. Mas promessas se perdem ao vento, e os jogadores mais céticos e entusiastas já tinham migrado para outras plataformas há algum tempo. Como convencer então esses jogadores que a próxima plataforma abraçaria o gosto dos hardcores? Aliás, como a Nintendo traria já no lançamento um game completamente direcionado para o público hardcore?

Ports de outras consoles poderiam ser a solução, talvez. Afinal, vários jogos multiplataforma de sucesso estavam no lançamento do novo console. Só que, para convencer de fato, o Wii U teria que trazer algo novo, totalmente original. Algo que não poderia ser jogado em nenhum outro console da geração atual, e que fizesse uso convincente do conceito por trás do Wii U Gamepad. É nesse contexto que a Ubisoft Montreal nos presenteou com ZombiU, um survival horror ambientado em uma Inglaterra pós-apocalíptica, tomada por zumbis. Realmente, uma aposta alta da empresa para abrir a próxima geração.



Pense em um mundo inundado de zumbis. As ruas devastadas, o clima escuro. Gritos de agonia ao seu redor... Nenhuma viva alma a vista. E você, um cidadão comum e desprovido de qualquer compreensão da realidade que o cerca, acorda no meio do nada, surpreendido pelo caos que se instaurou por todos os lugares. Cuidado, você foi avistado! As criaturas famintas por carne fresca correm em sua direção e logo vão lhe consumir. E agora, o que fazer?

De repente, uma voz te surpreende, vinda de uma câmera que certamente estava a lhe observar. "Corra!", grita o sujeito que se auto intitula "estrategista", pronto para lhe guiar ao longo de sua jornada pela sobreviência. É exatamente assim que inicia o enredo de ZombiU. A partir deste ponto, seu maior propósito é, de fato, sobreviver. E apesar da história simples e sem muito detalhe, ela se desenrola bem conforme você joga, trazendo novos elementos de roteiro com direito até a um tímido plot twist.



Após o susto inicial na tentativa de fuga que inicia o jogo, você acorda em um abrigo, uma construção "segura" que você pode chamar de lar. Nele o jogador tem acesso a uma rede de computadores, que serve como guia de missões pelo mundo exterior. Há também um contêiner a la Resident Evil, onde é possível guardar itens de seu inventário. Além disso, uma cama, que serve como save point. E acredite, "você terá que 'dormir' para evitar que enlouqueça", conforme alerta a voz do estrategista. A partir deste ponto o jogo se desenrola por meio de uma série de missões bem específicas, que o obrigam o herói a sair do conforto de seu novo lar para arriscar a pele lá fora.

Para facilitar a vida do jogador, o estrategista o presenteia com um dispositivo um tanto familiar. Uma espécie de tablet, equipado com câmera traseira e várias outras funções que tornam sua aventura mais complexa, e porque não mais diverida? Detalhe: qualquer semelhança deste dispositivo com o Wii U GamePad é mera coincidência! Aliás, o coração do jogo todo é esse aparelho, cuja implementação bem executada faz você acreditar ser o GamePad em suas mãos. Através dele você pode escanear, visualizar o mapas, detectar ameaças por um sensor de movimento ativado ao toque, acessar seu inventário, mirar com armas de precisão etc. Ou seja, ele representa o controle quase total das situações do jogo.

E os desenvolvedores conseguiram implementar essas funcionalidades de um jeito tão criativo que você logo se convence que uma segunda tela é realmente uma ideia genial. Claro, no início é tudo muito estranho ter que olhar para as duas telas no jogo, e na hora de uma fuga desesperada até atrapalha um pouco, mas com o tempo você aprende a dar atenção necessária para cada uma delas, o que torna essa habilidade, que é física e do mundo real, parte da experiência para sobreviver naquele mundo virtual. Com o tempo você estará tão dependente do GamePad que entrará em pânico quando o jogo te chocar em certos momentos que não serão mencionados para não estragar as surpresas.



Uma função que separa ZombiU de outros jogos do gênero é que seu personagem pode ser qualquer cidadão de Londres. Um professor, um médico, um taxista... Não há um protagonista principal. E se você morrer lá fora, acabou! Você está infectado, e seu zumbi ficará com todos os itens que você acumulou em sua mochila até ali. E para recuperar aquela arma legal, munição ou kit médico adquirido previamente com algum esforço, será necessário ir até o local de sua morte para enfrentar seu personagem. Acabe com ele e suas coisas serão suas novamente. Morra antes de recuperar sua mochila e o jogo o punirá espalhando seus itens pelo grandioso cenário do game. É bom mencionar que ao morrer você não terá que recomeçar o jogo. Todas as missões cumpridas até então estarão intactas, e o novo personagem terá apenas que continuar a que ficou pendente. Por falar em missões, são elas que vão dar aquela variada nos ambientes e locações do jogo. Hora você estará em uma determinada rua, outra em um esgoto, em um prédio, um cais, um metro, uma enfermaria... Até o palácio de Buckingham é visitado.

Vários são os jogos da primeira geração HD que superam ZombiU graficamente, sem muito esforço. Aqui, algumas texturas são mal produzidas, os personagens são pouco detalhados, embora haja uma boa variedade de protagonistas e zumbis. A escuridão e a neblina em alguns momentos dificultam. A iluminação é muito pobre e o desenho de algumas locações são muito semelhantes. Entretanto, e vai soar estranho a consideração a seguir, todas essas falhas contribuem de alguma forma para criar uma ambientação carregada, típica daqueles excelentes filmes de terror da década de 80. Há um climão grotesco e gore que é natural justamente por conta da direção artística e fotográfica tomadas. Acredite, em determinados momentos você vai se apavorar com essa ambientação bizarra, que vai te deixar confuso em dizer se está muito bonito graficamente, ou se está feio e mal acabado. O fato é que todo visual parece ter sido proposital de alguma forma ali, como se tivesse sido pensado para aumentar a tensão e o medo. Some a tudo isso uma sonoplastia fina e perturbadora, com sons distintos entre a sua TV e o Wii U GamePad e você tem a combinação perfeita de terror. É incrível o aumento de imersão proporcionado pela separação dos áudios e a qualidade do som que sai do controle é excepcional. Na tela você escuta os sons do ambiente e os gritos do protagonista e dos zumbis. No GamePad você escuta a voz do estrategista com seu sotaque britânico escrachado (e muito bem dublado por sinal), assim como outros sons que são do aparelho no jogo, como o som de estática em pontos específicos ou dos beeps que saem por causa do sonar que detecta criaturas vivas nas proximidades.

Paralelo ao jogo principal, há dois outros modos que aumentam consideravelmente o replay do título. Um deles é um multiplayer local para dois jogadores, relativamente simples porém muito viciante. Aqui o game recria uma das situações da campanha, colocando você em uma espécie de ringue, no qual sua função é sobreviver e acumular pontos conquistando territórios e matando às hordas de zumbis que são "plantados" pelo jogador com o gamepad (que vê o mapa todo esquematizado de cima e posiciona zumbis através da tela de toque). O jogador sobrevivente pode escolher entre o Pro Controller e o combo Wii Remote + Nunchuk para enfrentar as hordas que o atacarão. Há um total de 5 mapas, diversas classes de armas e muitas horas de diversão.



O outro modo é chamado "sobrevivência". Aqui o jogo te desafia a terminá-lo todo com um personagem apenas e, se morrer, você recomeça do zero. Infelizmente, não há um modo online. No máximo você pode deixar mensagens pré-definidas nas paredes alertando outros jogadores sobre direções de caminhos ou periculosidade de um determinado local, ou encontrar os protagonistas de seus amigos mortos nas proximidades do abrigo, usurpando os itens deixados por eles. Há também várias mensagens da equipe desenvolvedora do game em paredes e chãos e também rankings do jogo em dias determinados. Enfim, nada muito substâncial.

Por fim, há um bonus que pode ser acessado do menu principal chamado "zumbifique-me". Trata-se de uma brincadeira que usa a câmera do controle para filmar o rosto do jogador e aplicar uma camada em seu rosto, em tempo real, que o transforma em Zumbi. Não é algo excepcional, mas é muito divertido.

Por se um jogo do gênero survival horror, ZombiU definitivamente não é para qualquer um. Jogadores menos experientes, ou então aqueles acostumados com a ação frenética de jogos como Call of Duty, podem não curtir o game por diversos fatores inerentes ao gênero. O jogo segue um rítmo bem lento e mais estratégico. Seu personagem é bastante limitado, corre devagar, mira com dificuldade, morre com facilidade... Aqui você não encara uma horda de zumbis, você foge dela! A dificuldade em alguns momentos é realmente frustrante, e muita gente pode desistir depois de poucas tentativas. Mas para os fãs do gênero, o jogo é um prato cheio de desafios e muitas horas de diversão, que os fará voltar para terminá-lo diversas vezes, de várias formas diferentes. Para a proposta do jogo, realmente uma bola dentro da Ubisoft e um excelente começo de geração.

-- Resumo --

+ Uso criativo do Wii U GamePad;
+ Áudio imersivo e dublagem de alto padrão;
+ Roteiro inteligente e bem executado;
+ Clima de medo e apreensão;

- Gráficos mal-acabados;
- Combate corpo-a-corpo demasiadamente limitado.




9,0


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