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Aero Porter
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
Yoot Saito é certamente um dos mais reclusos game designers japoneses. Ao invés de ser uma figura constante na mídia como muitos de seus compatriotas, ele prefere desaparecer por anos, apenas para de repente ressurgir com um jogo novo pronto. Foi assim com Seaman, o bizarro simulador de peixes falantes de Dreamcast e PlayStation 2, e também com Odama, que é talvez um dos mais diferenciados jogos de pinball da história. Com Aero Porter, pouco mudou.

Desenvolvido como parte da coletânea de jogos da Level-5 Guild 01, Aero Porter chegou ao Ocidente como um lançamento exclusivamente digital. E mesmo sendo muito mais "normal" do que os outros títulos que já sairam da cabeça de Saito, ele não deixa de ter uma proposta pouco convencional.



Em um mundo em que os separadores de bagagem administram aeroportos inteiros, o jogador assume o controle de um iniciante na profissão. Aero Porter é descrito pela Level-5 como um simulador de aeroportos, mas o jogo não chega a esse ponto. Na realidade, trata-se um simulador de esteiras de bagagem de aeroportos.

A proposta básica da jogabilidade do título é simples: movimentando as esteiras, que ficam posicionadas umas sobre as outras e dispostas em ambas as telas do 3DS, o jogador deve direcionar as bagagens para suas respectivas aeronaves de acordo com um esquema simples de cores. Bagagens azuis vão para dentro do avião azul, por exemplo. Assim, é preciso tomar cuidado para que malas não sejam extraviadas para destinos incorretos - algo que é determinante para o sucesso de seu aeroporto. Quando os passageiros recebem suas bagagens corretamente, a reputação da instalação aumenta.

No início, Aero Porter é direto e divertido. Os problemas do jogo vão surgindo apenas quando o jogador vai avançando de nível, destravando novas funções e consequentemente aumentando a dificuldade da experiência. No estágio final, o que antes era simples torna-se uma verdadeira bagunça frustrante.



Ter sete esteiras ativas significa ter em suas mãos dezenas de bagagens de sete cores diferentes que movimentam-se em ritmo constante uma atrás da outra. Sendo forçado a agir rapidamente por causa das contagens regressivas para as partidas de cada um dos voos, o jogador comum passa a ter dificuldade até mesmo de separar corretamente as malas por suas cores. Não perder dois ou três voos por vez parece uma tarefa impossível. Mas as esteiras não são sua única preocupação. É preciso tomar cuidado também com as reservas de combustível do aeroporto, que alimentam tais esteiras. Então é necessário apagar as luzes das que não estiverem sendo utilizadas, além de tentar controlar o excesso de novas bagagens para não sobrecarregar o sistema e acelerar ou reduzir o ritmo dos motores. Ah! Um pacote suspeito surgiu! O jogador tem trinta segundos para levá-lo até o caminhão do esquadrão anti-bombas ou um desastre pode ocorrer. Quer mais?

É bem possível que ao ler o parágrafo acima o seu interesse por Aero Porter tenha aumentado. Honestamente, não duvido que existam no mundo gênios dos videogames capazes de realizar duzentas tarefas simultaneamente que sejam capazes de tornarem-se mestres neste título. Mas para uma pessoa normal como eu, é difícil ver uma luz no fim do túnel. Não me vejo dominando as esteiras deste aeroporto com perfeição nunca. Isso porque, ao tentar fazer coisas demais ao mesmo tempo, o jogo cobra demais do jogador. Ele ultrapassa o limite do que podemos chamar de "frenético divertido" e alcança o campo do "frenético frustrante".

Como todo jogo de Yoot Saito, Aero Porter não podia deixar de ser inconvencional em algum aspecto. E essa crítica evidencia como ele chega a tal ponto: ele subverte todos os valores de sua categoria porque, nele, mais conteúdo pode ser algo negativo. Não bastassem todas as preocupações regulares da vida de um controlador de esteiras, o jogador ainda precisa ficar atento às cobranças dos VIPs - pessoas importantes, como o Presidente dos EUA, que podem visitar seu aeroporto. Uns deles cobram que ele separe bagagens camufladas de outras cores para um determinado avião, por exemplo. Outros até pedem para que ele gire o 3DS em um movimento circular para fazer suas bagagens redondas rolarem mais rapidamente pelas esteiras.



O pacote distribuído pelo eShop vem ainda com uma opção que utiliza o StreetPass, que permite que os jogadores personalizem e compartilhem aviões, que acabam aparecendo eventualmente em seus aeroportos. Mas isso não passa de uma distração.

Aero Porter é um jogo frustrante. Ele te dá todas as ferramentas necessárias para a obtenção do sucesso, mas não respeita os limites do cérebro humano. É possível melhorar sua performance - mas ela dificilmente será suficiente para completar um dia no estágio final sem uma série de deslizes. Que fique claro: não julgo este título por causa de sua dificuldade elevada. O recém-lançado Super Hexagon, por exemplo, é extremamente difícil, mas não deixa de ser um bom jogo. Isso porque sua dificuldade não deriva de mecânicas de jogabilidade incongruentes ou do excesso delas.

Enfim: cá está um jogo que estressa mais do que diverte. E, por sua proposta ser interessante e aplicada de forma divertida em seus primeiros estágios, isso é uma pena.

-- Resumo --

+ Apresentação gráfica condizente com a proposta;

- Jogabilidade excessivamente complexa, que frustra;
- Curva de aprendizado extremamente íngreme.




5,0


comentários
Neo_Fowl
22/04/2013 s 01:12

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