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análise › 3ds 
Paper Mario: Sticker Star
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
Desde a estreia de Bowser's Inside Story em 2009, cinco diferentes lançamentos do gênero plataforma estrelando Mario chegaram às lojas. Não, o mundo não precisa de menos Mario de plataforma. Ele precisa de mais RPGs do bigodudo.

Sempre tendo como base o clássico de Super NES Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars, a Intelligent Systems e a AlphaDream construíram, respectivamente, Paper Mario e Mario & Luigi, duas franquias que em comum têm mecânicas inteligentes, jogabilidade viciante e roteiros de muita qualidade. Seus jogos conquistaram fãs por tratarem-se de RPGs acessíveis e bem-humorados - algo raro para um gênero que adora mergulhar em seu mar de clichês em busca do "épico".

Paper Mario: Sticker Star não foge de suas origens, e mantém o espírito de seus predecessores vivo nesta nova geração. Tal qual Super Mario 3D Land em relação aos seus parentes, porém, o jogo acaba cometendo alguns sacrifícios em nome de sua portabilidade. O resultado é uma experiência divertida, porém menos marcante que os capítulos anteriores da saga.



Todos os anos a cidade de Decalburg comemora a visita do milagroso Sticker Comet com um animado festival. Segundo a lenda, aqueles que desejarem algo com muita força na presença do astro terão seus sonhos realizados. Obviamente, ao ouvir falar nisso o vilão Bowser resolve aparecer para estragar o evento. Seu toque faz o cometa despedaçar-se em cinco fragmentos, e um deles, uma coroa, acaba parando em sua cabeça. Mais poderoso do que nunca por influência do adesivo, Bowser acaba de vez com o festival, deixando apenas destruição em seu caminho.

A trama de Sticker Star segue o padrão básico da série. Com o auxílio de Kersti, uma fada adesiva, Mario parte em uma jornada para recolher cinco Royal Stickers - os fragmentos do cometa que assumiram forma de coroas - e acabar com os planos de seu maior inimigo e seus comparsas.



Se em termos de narrativa o jogo é idêntico a seus predecessores, por outro lado ele demonstra em sua primeira hora como sua estrutura de jogabilidade o difere dos outros Paper Mario. Após recuperar-se da surra que levou, Mario deve vasculhar todos os cantos de Decalburg atrás dos Toads que Bowser aterrorizou. Neste início, não há pancadarias; apenas exploração. As batalhas contra Goombas e outros aparecem logo em seguida, mas sempre com menos destaque do que tinham no original de Nintendo 64 ou em The Thousand-Year Door.

O motivo para tal mudança está em uma opção de design tomada pela Intelligent Systems: a eliminação de grande parte dos elementos de RPG dos combates. O progresso de Mario não é mais medido por atributos ou pontos de experiência, suas habilidades não mais sofrem alterações por causa de insígnias, e ele não conta mais com o apoio de companheiros nos embates. Mario fica mais forte, mas o avanço não é visível, e as batalhas ainda existem, mantendo as mecânicas rítmicas de sempre, mas agora são mais breves e não rendem recompensas além de algumas moedas. Elas saíram de foco.

Em Sticker Star, os holofotes estão sobre os adesivos. Espalhados por absolutamente todos os lados, os itens pontuam todas as ações do encanador bigodudo. Cada um de seus comandos de batalha consome um adesivo - até mesmo os clássicos pulos e marteladas -, e até mesmo a maior parte dos quebra-cabeças com os quais ele cruza em sua jornada devem ser resolvidos com essas figuras colantes. Ao serem coletados ou criados, eles são armazenados em um álbum que fica o tempo todo em evidência na tela inferior do 3DS.

Por mais que as mudanças pareçam gritantes, elas são absorvidas com igual facilidade por iniciantes ou veteranos da série. A existência dos adesivos simplifica as batalhas, colocando ataques comuns e especiais no mesmo patamar, e sua abundância pelo mundo torna praticamente impossível um jogador acabar com um álbum vazio.



É inegável, porém, que as novidades têm um impacto na fórmula Paper Mario que pode ser visto como negativo por aqueles que, depois de Super Paper Mario, queriam ver a série retornar às suas origens exatas. A inexistência de uma barra de experiência acaba com a motivação de saltar de batalha em batalha coletando pontos, e por mais que elas permaneçam as mesmas em essência, elas acabam tornando-se meros obstáculos. Em muitas situações, eu mesmo me vi optando por atravessar telas inteiras desviando de inimigos - algo que eu nunca fiz em oturos games da linha.

Mas enfim voltamos à questão da exploração, que ganhou todo o destaque que os combates perderam. Os cenários de Sticker Star têm muitos segredos escondidos, ao ponto de que, sim, você evitará inimigos para seguir martelando o chão em busca de passagens escondidas em paz. A maior parte das descobertas a serem feitas escondem recompensas modestas como um adesivo de combate brilhante, mas a satisfação de fazê-las já é grande, pois em geral elas estão ocultas criativa e inteligentemente.



Transportado para o âmbito dos portáteis, Paper Mario ganha em Sticker Star uma estrutura diferenciada. Com um mapa no estilo de Super Mario World, o jogo é dividido em mundos e estágios, que são até identificados por números no esquema clássico dos games de plataforma do herói. Na prática, isso tem certa influência psicológica nos jogadores, que sentem-se à vontade para deixar o 3DS descansando após completar um breve estágio. Mas o ritmo da aventura em si permanece inalterado, já que as fases de um único mundo compartilham entre si temas específicos.

E ao mencionar os temas de cada mundo, chegamos ao ponto mais baixo de Sticker Star. O humor dos diálogos e dos números visuais da série continua irretocável, sim, mas o pacote como um todo acaba sendo muito menos interessante que devia pela falta de criatividade de seus cenários.

Enquanto coleta os Royal Stickers, Mario atravessa planícies, desertos, florestas, geleiras... E apenas duas ou três dessas áreas são minimamente marcantes. O problema é que a releitura do Reino dos Cogumelos em Sticker Star é a mais genérica possível. Isso quebra uma das maiores tradições da série, que sempre apresentou aos fãs as mais interessantes e diferenciadas regiões do domínio de Peach. No 64, jogadores aventuraram-se por palcos que ficam na memória como as Dry Dry Ruins ou a Lavalava Island. The Thousand-Year Door levou essa proposta ao limite ao colocar em evidência áreas como a cidade voadora Glitzville e a peculiar floresta monocromática com solo arco-íris Boggly Woods. No 3DS, não há nada disso.



O outro grande problema de Sticker Star reside na natureza de seus quebra-cabeças. A maior parte dele gira em torno da coleta de adesivos específicos que devem ser criados. Ao encontrar itens tridimensionais em seu mundo de papel, Mario pode utilizar uma instalação em Decalburg para transformá-los em adesivos. Tais itens são os mais variados possíveis - existem estrelas ninjas, rádios, tesouras e até mesmo um bode -, e por meio de um processo mágico chamado de "papelização" podem ser implantados por Mario e Kersti no mundo para alterar a realidade, criando os mais diversos efeitos.

A questão é que, para cada quebra-cabeça, apenas um único item específico pode ser utilizado, mesmo em casos em que adesivos alternativos têm funções semelhantes e teoricamente serviriam para o propósito desejado. E encontrar certos itens é muito difícil. Em geral, isso não seria um problema: mas é impossível até mesmo determinar em que estágio do jogo os itens ainda não coletados estão. O resultado disso: em certos momentos, os jogadores acabam travados em seu progresso pela falta de um item que pode estar em qualquer um dos, digamos, 15 estágios que ele já deixou para trás. É frustrante, e um simples marcador indicando que fases ainda abrigam segredos resolveria essa deficiência.



É difícil comparar diretamente Sticker Star aos seus predecessores, porque na realidade eles são bem diferentes. Este título de 3DS mantém o charme característico da série e sua narrativa bem-humorada, mas também tem méritos e deméritos exclusivos.

Por mais que Paper Mario: Sticker Star tenha seus problemas, ele é em essência uma aventura muito divertida, digna de entrar para a lista do que o portátil 3D tem de melhor a oferecer. Até mesmo aos que ficarem decepcionados com o rumo que a linha de RPGs tomou, garanto: um sorriso na cara é garantido.

-- Resumo --

+ Jogabilidade consistente;
+ Bom humor marcante;
+ Exploração como destaque;

- Quebra-cabeças que podem frustrar;
- Cenários genéricos e pouco interessantes.




8,0


comentários
Horokeu
13/06/2013 às 14:40
Fiz uma crítica sobre esse jogo lá no Alvanista.
Se vocês se interessarem, está aqui o link:
http://alvanista.com/games/3ds/paper-mario-sticker-star/reviews/144638/uma-nova-decepcao-com-uma-serie-tao-boa-

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