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análise › 3ds 
Code of Princess
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
Vivemos em tempos confusos. Tempos em que milhões divertem-se com títulos empacotados que saem das lojas por 60 dólares ou mais, enquanto outros milhões aproveitam da mesma forma aplicativos para celulares de 99 centavos, ou então gastam fortunas em extras para joguinhos de Facebook. Em um cenário assim, é sempre difícil determinar o valor real de um jogo relativo aos números depois do cifrão em sua embalagem.

Code of Princess é um exemplo de título que, pelo que oferece, parece estar sendo vendido a um preço mais alto do que deveria. Tido como uma sequência espiritual do clássico para Saturn da Treasure Guardian Heroes, ele é homólogo aos jogos hack-and-slash que outrora encontrávamos nos fliperamas. Tanto em termos de funcionamento, quanto de profundidade.



Estruturado em missões, o jogo não inova os aspectos de combate de seu gênero. Ao invés disso, ele se atém ao mais básico esquema de jogabilidade - um que rapidamente torna-se repetitivo e cansativo.

Cada cenário do título é dividido em três "camadas" de profundidade pelas quais o jogador pode navegar. Inimigos aparecem tanto pela esquerda quanto pela direita, e os heróis devem repelí-los com combos de ataques regulares ou com ocasionais técnicas especiais. Travando a mira em um oponente ou ativando um modo que esvazia rapidamente sua barra de MP, o jogador é capaz de dobrar o dano desferido por seu personagem.

Esse é Code of Princess. Independentemente do estágio atual ou do personagem selecionado, a tarefa do jogador é sempre apertar os mesmos botões, na mesma ordem, para ver as mesmas animações. Apesar de o jogo ter um sistema de progressão por níveis, não existem novas habilidades a serem aprendidas ou destravadas. Não há espaço para estratégias: inimigos comuns, inimigos maiores, ou até mesmo chefes devem ser derrotados da mesma maneira sempre. Assim, é possível dizer que o título não evolui ao longo de sua duração: ele termina exatamente da mesma forma que começa.



E a verdade é que o fato da jogabilidade ser rasa é um grande desperdício, porque todos os acertos do título em seus outros aspectos fazem com que qualquer um tente ao máximo gostar dele. Carismático e engraçado em seus diálogos, visualmente belo e com uma apresenação sólida, Code of Princess é um dos melhores trabalhos de localização da Atlus para o Ocidente dos últimos tempos.

A trama do jogo gira em torno de Solange Blanchefleur de Lux, uma princesa de um reino em ruínas que é a única capaz de controlar a gigantesca espada DeLuxcalibur. Em sua jornada para derrotar monstros e restaurar a paz em seu reino, ela acaba encontrando os mais bizarros companheiros - como a necromante Lady Zuzu, que tem um corpo construído a partir de restos mortais no maior estilo Frankenstein, mas jura não ser uma zumbi; ou o covarde bardo Allegro Nantabile Cantabile.

Dublados de forma excelente, os diálogos do jogo constantemente quebram a quarta parede, fazendo referências ao funcionamento de suas mecânicas de formas inusitadas. Em outros momentos, eles demonstram que o título é capaz de auto-crítica, como quando personagens tiram sarro do levemente revelador e nada prático modelito da protagonista. Sem exageros: eles são a parte mais divertida de Code of Princess.



Para fãs do gênero hack-and-slash, o grande valor de Code of Princess está em suas opções multiplayer. Sem um modo Download Play, o jogo fica devendo em termos de conectividade local - mas seu modo online é robusto e divertido. Permitindo que até quatro jogadores completem missões como amigos ou lutem entre si, o modo tem destaque por oferecer dezenas de personagens jogáveis - todos retirados diretamente da campanha principal.

Com um sistema de jogabilidade mais ambicioso, Code of Princess poderia ter sido muito mais. Sua apresentação agrada, mas sua jogabilidade rasa é entediante. Ao que parece, até mesmo seu time de desenvolvimento sabia disso, já que eles resolveram cobrir a bagunça com elementos de RPG de fachada. Enfim: o preço cobrado é alto demais. Caso ele caia, também caem as expectativas... E talvez aí o jogo consiga satisfazer.

-- Resumo --

+ Trama, personagens e diálogos engraçados;
+ Gráficos bonitos e bom uso do efeito 3D;

- Jogabilidade rasa e repetitiva;
- Elementos de RPG inconsequentes, que não passam noção de progresso.




6,0


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