Carregando
análise › 3ds 
New Super Mario Bros. 2
escrita por Adriano Benedito Pasquini
Um velho ditado diz que “nem tudo que reluz é ouro”. Ok, esqueçamos disto em muitos momentos quando falarmos de Mario, personagem icônico da Nintendo. Seja no universo 2D ou 3D, o encanador bigodudo italiano, através de seus jogos, ditou tendências para o estilo, algo que, provavelmente, nenhum outro personagem alcançará. Entretanto, nesta geração, em meio a diversos jogos de plataforma bidimensionais inventivos, o retorno ao universo side-scrolling do mascote mais importante da Nintendo não tem sido dos mais ambiciosos. Colecionadores de recordes de vendas, os dois jogos da série New Super Mario Bros. (de DS e de Wii) se contentam em fazer o básico, ainda que bem feito, estando distante do que os dois Super Mario Galaxy fizeram, já em sua faceta tridimensional.

Estabelecendo uma verdadeira alegoria, convertida em jogabilidade, de seu passado histórico e de sua lucratividade para a Nintendo, o irmão de Luigi retorna em New Super Mario Bros. 2 rodeado de ouro, muito ouro. Desafiando o jogador insistentemente, desde os primeiros segundos, mediante a apresentação de um placar que o rondará durante o jogo inteiro, a colheita de um milhão de moedas de ouro se torna um objetivo simples, não atrelado ao destravamento de qualquer tipo de conteúdo bônus vasto, mas, ainda sim, nosso interesse é aguçado a cada aviso de 1.000, 2.000, 5.000 moedas coletadas, como se fossem verdadeiras conquistas saltando na tela.

Apesar de se nutrir de um level design pouco expansivo, New Super Mario Bros. 2 é consistente. Ao mesmo tempo em que torcemos o nariz para uma progressão via enredo já combalida com a ação do tempo, novamente baseada em aniquilar inimigos para salvar a princesa Peach que fora sequestrada pela enésima vez, nos maravilhamos com grande parte do que permeia os níveis dos mundos e as possibilidades que Mario e seus power-ups ainda conseguem oferecer. Poderes clássicos como a Fire Flower e a Super Leaf se agregam à novata Gold Flower, todos bem distribuídos pelos níveis e trazendo uma gama de opções na progressão. Dependendo de sua investida, você pode acabar com todos por meio de bolas de fogo e ter uma postura mais explorativa dos cenários ou simplesmente alçar voo como Raccoon Mario pelo ambiente no intuito de hastear a conhecida bandeirinha vermelha tematizada um pouco mais cedo.

Os movimentos do bigodudo são um apanhado do que já fora visto em outros jogos. Saltos e sprints consistentes ditam uma boa resposta dos controles, assim como o uso do ground pound (bundada na vertical ao apertar direcional pra baixo após um salto) e a utilização de cascos como armas ao apertar um determinado botão para segurá-los. Simplicidade ao alcance de todos.  Por mais que fique aquela sensação de que poderiam mais, explorar cada encanamento à procura de moedas extras ou estreladas, em alguns momentos retornar aos cenários e perceber que, sim, eu posso diferenciar a minha ação e me esbaldar de moedas azuis extras ou simplesmente deixar pra lá, afinal, o tempo está passando ali naquele lado direito acima da tela, ou seja, tais ações ainda cativarão quem é fã de longa de data. O veterano Mario ainda o que ensinar para uma nova geração.

Entretanto, há o que aprender também. Boa parte do conjunto geral da obra ainda apresenta uma previsibilidade. Passar alguns níveis gélidos ou com aspecto vulcânico ou desértico, ir para a pequena torre (e overdose de Reznors) e, após isto, e alguns níveis, ir para o castelo. E Peach sendo carregada de novo. Claro, posso gastar minhas moedas estreladas destravando caminhos para níveis extras ou visitar Toad para ganhar algum power-up ou vida adicional, porém ainda estamos em um hub world pouco convidativo pautado pela mesmice. Batalhar contra muitos dos chefes Koopalings traz um déjà vu quase constante, apenas maquiado por algumas formas diferentes de investidas dos mesmos, porém postas para estratégia similar, o que, de certa forma, se contradiz com o andarilhar revigorante dentro dos mundos em si. Os planos de fundo compartilham em parte nessa repetição, porém são lindos e protagonizam parte do efeito 3D visto no jogo, porque, além de letras que parecem saltar da tela, o desfoque dos backgrounds, por meio de ativação do citado recurso, nos dá um ótimo efeito de profundidade.

Parte do apelo em mecânicas fundamentadas na colheita de moedas de ouro propicia momentos de novidade à velha guarda componente das ações. Anéis dourados, se transpassados, transformam tudo em ouro, nos maravilhando com Koopas e Bullet Bills deixando rastros de moedas ou, ainda, os Lakitus e os Hammer Bros., inocentemente, arremessando-as, todos tomados pela virose áurea contribuem para o acúmulo monetário gradual. Há alguns blocos especiais que, caso sejam golpeados por dez vezes seguidas, sem interrupções, transformam a cabeça de Mario momentaneamente em um dos seus, porém dourado e soltando moedas a cada passo e a cada pulo. Caso pegue uma moeda gigante estrelada ou abuse dos saltos gigantes em plataformas, uma chuva de moedas se instaurará no local, nos ludibriando e decepcionando, afinal, quem não se frustraria ao querer pegar todas? Nossa ambição também cai por terra ao utilizar a Gold Flower, que metamorfoseia Mario em um verdadeiro Midas. Sejam blocos ou inimigos, nada escapa da fúria incessante, se convertendo em mais delas, muitas, numerosas para as estatísticas.

A inserção de tais recursos, no entanto, facilita um pouco a progressão no jogo. Todavia, isto também dependerá da habilidade do jogador, devido a fatores como o famoso “one hit die” e variantes, dependendo do power-up em mãos (ou selecionável por meio de um slot solitário na tela de toque). Por mais vidas que alguém consiga, uma morte é sempre uma morte e há sequências que exigem um pouco mais de acuidade. Insucessos fatais acumulados farão com que apareça um Assist Block especial, já visível e, portanto, opcional, que tem como função transformar o personagem em White Raccoon Mario, tornando-o invencível contra inimigos e certas armadilhas, facilitando as coisas em alguns aspectos.

Se a complexidade fica ausente em alguns pontos, a harmonia marca cada um dos níveis dos mundos. Se por um lado temos backgrounds lindos e gradualmente repetitivos, partes temáticas de níveis primando por um passadismo ordeiro, do outro lado, ganhamos em dinamicidade nos elementos bases de plataforma. Algumas delas aumentam e diminuem suas larguras, ou balançam para a esquerda e para a direita, desafiando nosso timing. Outras causam surpresa nos forçando a raciocinar, por meio de pulos, a decisão se devemos movê-las pra cima, ou para baixo. Outras, por sua vez, já se conformam em ser estáticas. Inimigos e power-ups fazem um conjunto rítmico agradável com a trilha sonora, reagindo aos sons de “Help” e derivados. Existe o pecado pela falta de variação e novidades significativas na coletânea musical, mas os arranjos são competentes e a já adiantada comunhão com outros elementos do mundo harmoniza New Super Mario Bros. 2.

Caso o jogador queira se sentir desafiado e, porventura, se sinta impossibilitado devido ao acúmulo de vidas, a Nintendo resolveu inserir o modo Coin Rush. Premissa interessante e funcionalidade parcialmente defeituosa, este modo desafia o jogador a colher o maior número de moedas possível por meio de três níveis de um determinado mundo selecionável, tentando balancear tempo disponível e a caça de moedas de ouro. São os mesmos níveis, mas a motivação é outra. Ao mesmo tempo em que se torna necessário, com apenas uma vida disponível, completá-los, angariar o maior número de moedas possível, para estabelecer os seus recordes, fará com que o desafio se torne presente de forma efetiva. Entretanto, o jogo peca por oferecer um compartilhamento de recordes apenas via StreetPass e ignorar totalmente a possível inserção de um sistema longevo de leaderboards ou a seleção de recordes para serem superados, algo parecido com que ocorre em Mario Kart 7.

Já evidenciando falhas por ausência, temos aqui também o modo cooperativo para dois jogadores. Aqui, Luigi entra em cena, porém a participação se restringe ao modo offline, sendo necessários dois aparelhos e duas unidades do jogo, cada qual com seu jogador. Frustrante demais jogar New Super Mario Bros. 2 estando online, verificar sua lista de amigos, ver que alguém também está jogando-o e não poder clicar em “Participar do Jogo” por puro vacilo da Nintendo. Jogando offline, você não encontrará a rica diversão visualizada em New Super Mario Bros. Wii, ainda que tal modo seja determinante para o seu aumento de número de moedas no jogo. A arquitetura dos níveis claramente não suporta dois jogadores com facilidade, estando ambos, na maioria dos casos, sempre juntos, somando-se a isto ainda a partilha de um defeito presente na versão de Wii que consiste na estrutura deficitária dos níveis, carecendo de partes efetivas e maquinadas para dois jogadores na tela.

Mario ainda domina o reinado dos jogos de plataforma, mas New Super Mario Bros. 2, apesar de mostrar toda a sua riqueza de uma fórmula que contém elementos vistos a exaustão, alguns destes dão sinais de um envelhecimento que necessita da riqueza de novas ideias que efetivem e rejuvenesçam este rei, tal qual parte dos títulos da série apregoa. Há uma harmonia em Mushroom Kingdom, com suas várias áreas secretas, seus caminhos falsos por meio das casas assombradas, que poucos jogos do estilo apresentam. E existe a tentativa válida de uma variação com o foco na recolha de moedas. Válida, mas ainda é pouco diante da imponência de Mario que já percorrera galáxias inundadas de criatividade. A carência de um suporte online efetivo, que, claro, pode ser expandido por meio de fases extras, via SpotPass, mostra também que a Nintendo se fecha em uma redoma de decisões ainda conservadoras quando se trata de um jogo de plataforma 2D de Mario. Certamente New Super Mario Bros. 2 contém muitos elementos em seu cerne que valem ouro, mas, devido ao conformismo, por vezes latente, se contenta em não aproveitar possibilidades pra valer mais.

-- Resumo --

+
Divertidíssimo;
+Controles simples, fáceis e precisos;
+Opções variadas de recolher moedas;
+Harmonia de níveis junto à trilha sonora;

-Algumas escolhas datadas de level design;
-Chefes pouco empolgantes;
-Priva os modos Coin Rush e cooperativo de um suporte online de fato.




7,5


comentários
Nenhum comentário encontrado.

Apenas usuários cadastrados podem comentar.

Se deseja realizar seu cadastro, clique aqui.

Login de usuário


Lembrar?

análises recentes
Cube Tactics
3ds    4
Blok Drop U
wiiu    2
Inazuma Eleven
3ds    4
The Cave
wiiu    6
Pikmin 3
wiiu    16
Sonic Lost World
wiiu    23