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análise › 3ds 
Theatrhythm Final Fantasy
escrita por Pedro Henrique Lutti Lippe
A série Final Fantasy pode não ser mais a unanimidade que era há alguns anos, mas o fator nostalgia ainda age com força sobre seus fãs. Afinal, gerações inteiras cresceram aventurando-se no controle de Cecil, Terra, Cloud, Zidane, Tidus e das dezenas de outros heróis que já nasceram das mãos da Square.

Theatrhythm é um jogo que sem dúvidas nasceu do desejo de saciar a demanda por novidades deste fiel público. Isso é apenas uma hipótese, claro; mas a paixão dos fãs indica que ele alcançaria sucesso mesmo se fosse apenas mediano. Nas mãos de um estúdio competente, porém, a ideia por trás do título cresceu criativamente, e o resultado é uma excelente oferta do gênero rítmico capaz de agradar mais do que apenas os amantes dos RPGs.



Chaos e Cosmos são os dois deuses que administram toda a criação. Entre eles, há o espectro chamado de Rhythm. Neste, permanece abrigado o Music Crystal - uma gema que enche o mundo de harmonia. Em tempos recentes, porém, a influência caótica do deus negro cresceu, reduzindo o brilho do lendário cristal e obrigando a deusa da luz a agir. Ela então convocou seus heróis para uma jornada em busca de Rhythmia - o único recurso capaz de restaurar o equilíbrio ao universo.

Essa trama é um bom exemplo de como Theatrhythm não apresenta-se de maneira excessivamente séria. Os heróis e vilões, apresentados no estilo cômico de Final Fantasy Brigade e Kingdom Hearts Mobile, parecem fantoches, contribuindo para a noção de que tudo é apenas uma brincadeira teatral. Um grande musical.

Vencedor que seja em termos de apresentação, claro, um jogo não é nada se sua jogabilidade não for satisfatória. Pois a de Theatrhythm é.



Toda a ação do jogo ocorre na tela superior do 3DS. Nela, surgem as notas que devem ser tocadas na hora certa com a ajuda da caneta Stylus. Elas vêm em três tipos: as vermelhas, que cobram um simples toque na tela sensível ao toque; as amarelas, que obrigam os jogadores a deslizar a Stylus em uma de oito direções; e as verdes, que são vencidas com um pressionar carregado da caneta e podem vir combinadas com notas amarelas.

Essas simples mecânicas persistem nos três diferentes tipos de estágios existentes no jogo. Primeiro, há os Field Music Stages (FMS), que apresentam um personagem vagando por campos inspirados pelos cenários dos diferentes Final Fantasy. O diferencial destes estágios é que o jogador deve deslizar a Stylus para controlar as notas verdes por seu percurso. Em seguida, há os Battle Music Stages (BMS), que colocam um grupo de quatro heróis em confronto contra monstros e os grandes vilões da franquia. Neles, existem quatro "linhas" de notas, que têm um impacto meramente visual na jogabilidade. Por fim, há os Event Music Stages (EMS), que exibem aos jogadores cenas importantes dos RPGs enquanto as notas percorrem a tela em difrentes coreografias.

Em determinados momentos de cada estágio, as notas tomam um tor azul uniforme. Caso o jogador acerte a maioria delas em sequência, ele ativa a Feature Zone - uma função que ativa diferentes eventos. Nos FMS, um chocobo é invocado para percorrer os campos com mais agilidade, enquanto nos BMS a Feature Zone invoca um dentre cinco diferentes Summons para atacar os inimigos. Já nos EMS, o sucesso com as notas azuis ativa versões estendidas das canções.



Em essência, o funcionamento das mecânicas rítmicas de Theatrhythm é o mesmo em todos os seus estágios. O jogo tem três diferentes níveis de dificuldade: Basic, Expert e Ultimate. O intermediário já oferece certo desafio e cobra grande agilidade com a Stylus, enquanto o último... Bom, digamos apenas que ele é capaz de deixar até mesmo os mais experientes fãs do gênero rangendo os dentes. E esse é um dos trunfos do game, que o torna recomendável até mesmo para os que nunca jogaram um Final Fantasy antes e só querem saber de batucar no ritmo.

Ah, e é importante dizer: diferente de Elite Beat Agents, por exemplo, Theatrhythm não massacra a tela sensível ao toque do portátil. Os movimentos cobrados são todos leves e concisos.

Há aqueles que alegam que "jogos rítmicos são todos iguais". Theatrhythm reforça a tese de que isso não é verdade ao distanciar-se de seus companheiros de gênero com mecânicas que acrescentam profundidade à experiência rítmica. Refiro-me aos elementos de RPGs herdados dos jogos aqui homenageados que tornam esse título de RPG único em sua categoria. Antes de poder aproveitar as músicas, os jogadores devem selecionar um grupo de quatro personagens que o representaram. No total, 29 personalidades da saga Final Fantasy estão disponíveis (sendo 16 destes destraváveis), e cada um deles possui diferentes atributos de combate e habilidades. Sim, atributos como Strength e Magic, e habilidades como Fira e Focus.

Um personagem como mais Agility é capaz de percorrer com mais destreza os campos de um FMS, enquanto o que tem mais HP resiste a mais erros do jogador em um BMS. Enquanto isso, algumas habilidades especiais podem ser ativadas de acordo com sua performance em um estágio - recuperando um pouco de seu HP, por exemplo. Por fim, há ainda itens consumíveis, que podem ter grande efeito nas partidas.

No fim das contas, estes elementos de RPG são apenas aspectos secundários da jogabilidade, já que de nada adianta para um jogador ter um grupo forte de heróis se ele não consegue acertar as notas. Ter personagens que ganham experiência e tornam-se mais fortes com o tempo, porém, é uma questão que toca naquele vício pelo progresso que nós gamers compartilhamos. Ver os níveis subirem, ou então os troféus, CollectiCards (sim, cartas colecionáveis) e estatísticas acumularem no menu Collection é muito prazeroso.



Em termos de quantidade de conteúdo, Theatrhythm Final Fantasy não decepciona. Existem três modos de jogo: Series, Challenge e Chaos Shrine. O primeiro apresenta três músicas de cada um dos 13 títulos da linha principal da série (sim, o pobre Final Fantasy XIV foi negligenciado) em uma sequência, encapsulados por segmentos de abertura e encerramento. O segundo é o "Quick Play" de Theatrhythm, onde é possível testar canções avulsas. E o último, mais interessante, gira em torno das Dark Notes - duplas de duas canções aleatórias que podem ser vencidas na busca por itens, aproveitadas via multiplayer local ou então compartilhadas por StreetPass. Até mesmo um super-humano capaz de obter pontuações perfeitas em todas as músicas nas primeiras tentativas gastaria um bom tempo para atingir "100%" em todos os modos.

Claro: a seleção de músicas é a parte do conteúdo que mais importa. Aqui, a não ser pela ausência de uma ou outra faixa clássica, é difícil criticá-la. No total, são mais de 70 canções jogáveis, dentre as quais estão as obrigatórias "One-Winged Angel", "Dancing Mad", "Battle with the Four Friends", "The Man with the Machine Gun", "Something to Protect", "Suteki Da Ne" e "Sunleth Waterscape". E há ainda a seleção de DLCs, que quando completa deverá acrescentar ao catálogo mais de 50 outras faixas.



Um pecado? A inexistência de leaderboards online no jogo. Fora isso, é difícil encontrar problemas em Theatrhythm. Munido de uma das melhores trilhas sonoras da história da indústria - afinal, estamos falando da obra combinada de todos os Final Fantasy - e de conteúdo suficiente para preencher dezenas de horas das vidas de fãs dos RPGs e/ou do gênero rítmico, o jogo faz por merecer uma posição ao lado de Elite Beat Agents e Rhythm Heaven na lista das melhores ofertas da categoria.

A única contra-indicação: não pegue Theatrhythm se você não tiver ao menos um outro jogo Final Fantasy acessível, pois é impossível não querer rejogar todos eles após divertir-se com suas trilhas.

-- Resumo --

+ Jogabilidade viciante e desafiadora;
+ Seleção vasta e de qualidade de canções clássicas;
+ Elementos de RPG que acrescentam à complexidade do jogo;
+ Muito conteúdo - colecionáveis, troféus, e mais;
+ Apresentação charmosa e interface agradável;

- Ausência de leaderboards online.




9,5


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