Blockado, assim como outra leva de jogos de DSiWare, é um port direto de uma prévia versão lançada para iOS, e como geralmente ocorre, é um jogo feito para aproveitar a tela de toque. É possível deduzir, pelo nome do jogo, seu conteúdo: puzzles de blocos. Sendo assim, nem pense em chegar perto se quebrar a cabeça não for o seu forte, porque a história do jogo não tem força (em verdade, é bem clichê) pra valer o esforço.
Você controla Valerie, uma mulher que chega em uma ilha misteriosa e aparentemente deserta. Adentrando a mata que sucede a praia onde Valerie chegou, a protagonista logo encontra diversos pilares com blocos em cima, em que o objetivo é claro: Mover os blocos a fim de colocar o(s) bloco(s) principal(is) na(s) saída(s).
Dito isso, o cerne do jogo foi esclarecido. Apesar de conter como subtítulo Puzzle Island, as proporções do terreno não se convertem em variedade de quebra-cabeças: Mover blocos é o único por aqui. Não pensem, porém, que isso é um fator destrutivo. É limitante e desapontador, porém Blockado contorna isso com diversas mecânicas implementadas em um sempre inteligente level design.
No começo, tudo se resume a simples movimentações a fim de liberar o caminho para o bloco principal. Com o passar do tempo, mais blocos principais são adicionados, e blocos especiais entram no puzzle. Entre alguns deles temos blocos-ponte (em que há uma ponte separando parte de um mesmo bloco, permitindo passagens por debaixo), blocos-mola (que mudam de conformação conforme a tensão colocada), blocos-imã (que podem ser atraídos ou repelidos) e por aí vai. A adição bem planejada de cada um dos elementos do gameplay de Blockado nunca deixa a sensação de repetição. Sim, você moverá blocos do começo ao fim, mas as constantes variedades o farão pensar diferente - cada puzzle é único.
O jogo se mostra bem longevo (considerando sua completude total), e faz valer a aparentemente amarga quantia a se pagar. Não impõe restrições quanto a como jogar - jogatinas descompromissadas ou longas serão divertidas do mesmo modo. Cada puzzle premia o jogador com até 3 moedas (dependendo da performance), e mesmo não sendo necessário terminar sempre com o menor número de movimentos possíveis, adquirir todas as moedas (que ultrapassam mil) se mostra um bom exercício ao cérebro. A falta de quaisquer músicas no título (preenchido com movimentos de blocos e tentativas de reproduzir ambientes quase silenciosos - florestas de noite, cavernas, etc) é algo a se citar, mas não chega a diminuir a obra, que é satisfatória e recomendada a todos os fãs do gênero.