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Radiant Historia
escrita por Caio Teixeira Brandão

A Atlus é uma das responsáveis pelo grande sucesso do gênero RPG no Nintendo DS. Jogos como SMT: Strange Journey e Devil Survivor são alguns exemplos de como a empresa investiu no portátil mais bem sucedido da história. Apesar de não apresentarem grandes inovações para o gênero, seus jogos são garantia de enredos intrigantes e diversão por horas a fio.

Radiant Historia compartilha dessa mesma premissa, e apesar de retomar o tema de viagem no tempo já utilizado em jogos com Chrono Trigger, ele o faz de forma inovadora e inusitada. O jogador assume o papel de Stocke, um agente da inteligência de Alistel, potência tecnológica envolvida em uma guerra de grandes proporções com o reino de Granorg. O personagem é considerado peça fundamental na guerra, pois é o responsável por executar o "trabalho sujo" de espionagem e assassinato de líderes das forças inimigas.



Após o fracasso de sua missão e a morte de seus aliados, Stocke é transportado gravemente ferido para a dimensão de Historia e descobre que o mundo está em grande perigo. Lippti e Teo, guardiões de Historia, lhe informam que o livro em branco que carrega (dado por seu superior Heiss antes da missão) na verdade é um artefato de grande poder denominado White Chronicle, que permite ao usuário voltar e corrigir o passado, transformando assim o presente e possibilitando um futuro seguro para o mundo. Entretanto, os guardiões impedem Stocke de contar a qualquer pessoa sobre o artefato e sua missão de salvar o mundo.

A história do jogo ocorre em duas linhas temporais interligadas e cabe ao jogador viajar entre elas e alterar eventos cruciais, removendo obstáculos para que o verdadeiro futuro (a salvação do mundo de Vainquer) possa se manifestar. A White Chronicle registra as escolhas de Stocke ao longo da história e possibilita o retorno a esses eventos, denominados Time Seals. A trama é repleta de reviravoltas e de momentos emocionantes, nos quais o jogador se pergunta se é possível evitar que certas coisas aconteçam.

É impressionante ver o número de finais possíveis em Radiant Historia, embora exista apenas um verdadeiro final, no qual o futuro acontece da forma como deveria, enquanto os demais são consequências catastróficas das escolhas de Stocke. Completar todos os eventos (e sidequests) da White Chronicle requer o investimento de dezenas de horas, e algumas escolhas são difíceis de serem tomadas ou executadas, embora o jogador receba dicas dos guardiões de Historia.



As batalhas são um ponto forte do jogo. Posicionados de forma diferente em um "grid" a cada embate, os inimigos possibilitam que os jogadores busquem estratégias diferentes a cada novo desafio. Deve-se utilizar golpes que movimentam os inimigos pelo grid ou até que os coloquem no mesmo espaço, deixando-os vulneráveis a receberam os mesmos ataques, dobrando o dano dos protagonistas e aumentando as chains dos combos. Aliás, os chains também são um aspecto importante das batalhas, pois quanto maior o número de ataques em um combo, maior é o dano infligido nos inimigos.

Os gráficos remontam aos RPGs do SNES, embora com algumas melhorias significativas nos cenários. A trilha sonora é composta por Yoko Shimomura e dá o clima certo de urgência aos momentos em que o personagem se encontra em apuros. O design dos personagens é agradável, embora alguns deles se destaquem mais, pela profundidade e pelo desenvolvimento de sua história.

De forma geral, Radiant Historia é um ótimo jogo, principalmente devido ao enredo sério e os personagens mais maduros - aspectos que o diferenciam de muitos JRPGs da biblioteca do Nintendo DS. Talvez se a Atlus tivesse dado maior atenção ao jogo (contraste perceptível com a campanha de marketing de sua franquia principal), esta poderia ser que permaneceria inabalável aos desgastes do tempo.



Segunda opinião

- Por Pedro Henrique Lutti Lippe

Em algum momento entre a morte do PlayStation original e hoje, o RPG japonês perdeu seu foco. Sua identidade.

Ficaram para trás os diálogos de qualidade, os cenários originais interessantes, as tramas envolventes, os personagens carismáticos e as aventuras épicas. No lugar de tudo isso ficou uma onda incomensurável de clichês, abastecida por uma geração de desenvolvedores que nem imaginam o que jogos como Chrono Trigger, Secret of Mana, Vagrant Story, Dragon Quest V e Xenogears faziam para serem tão bons. Acham eles que as bases da estrutura de um JRPG são os cabelos espetados ridículos e os altos números no contador de horas jogadas.

Surgem aí belos exemplos negativos na forma de pérolas como White Knight Chronicles, que de conteúdo real tem umas 8 horas, mas se extende por dezenas mais por ter um combate "em tempo real" mais lento que o de um Fire Emblem e obrigar os jogadores a assistir a uma sucessão de repetidas animações de 4 segundos a cada barril ou caixote de itens encontrados pelos cenários. Um dos maiores RPGs para consoles da geração... É desonesto e nada memorável.

Radiant Historia é diferente. Ele é ágil, fluente, funcional, envolvente, criativo e interessante - exatamente como os clássicos. Os personagens cativam, e demonstram suas habilidades em um divertido sistema de batalhas que mistura o ATB de um Final Fantasy com as lutas em grades dos combates massivos de Suikoden II.

Mas acima de tudo, Radiant Historia é honesto. E só por isso, já merece a atenção dos viúvos e viúvas do bom RPG japonês.




8,5


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