#15 - The Legend of Zelda: A Link to the Past
Talvez, durante o desenvolvimento do primeiro Resident Evil para PlayStation, nem o próprio Shinji Mikami acreditasse que aquele projeto iria além – só isso explicaria a mudança de abordagem na sequência. Resident Evil 2 não era mais um conto que tentava inutilmente copiar os filmes “b” de terror, mas uma amostra de amadurecimento da franquia, um norteador. O que não significa que tudo o que foi aprendido no primeiro fora jogado no lixo.
Todos os elementos básicos de Resident Evil 1 não sofreram alterações. Os ângulos de câmeras fixos, as longas buscas por itens, os zumbis, a Umbrella Corp, está tudo lá. Mas ao levar o jogo para Raccoon City e dar um enfoque maior nos personagens, a Capcom conseguiu criar uma narrativa cativante, que já não era mais tão dependente das suas fontes de inspiração. Ainda há uma atmosfera opressora, como se quem estivesse no controle fosse o próprio jogo e não o jogador, mas o desejo de saber o destino dos personagens supera isso, funcionando como motivador para encarar a jogabilidade propositadamente limitada.

Raccoon City é uma bela cidade do meio-oeste norte-americano. Próspera, berço de descobertas científicas, de delegados corruptos, de cientistas loucos e de garotinhas indefesas; e, também, está cheia de zumbis sanguinários. Além disso, é (ou era) a base de operações do grupo STARS do primeiro Resident Evil, motivo pelo qual Claire foi procurar o seu irmão Chris lá, uma vez que ele fazia parte desse grupo. Já Leon foi apenas buscar um novo emprego como policial. São dois protagonistas mais jovens e ingênuos que os seus correspondentes em Resident Evil 1, Jill e Chris, e, assim, as suas personalidades são melhor desenvolvidas ao longo do jogo, enfatizando as mudanças pelas quais passam à medida que os eventos da trama acontecem. Entretanto, os coadjuvantes da trama também conseguem se destacar, como o frio Chief Irons ou a misteriosa Ada Wong – um dos poucos interesses amorosos declarados de toda a série. Mas talvez seja Sherry Birkin a mais interessante. Trata-se de uma menina atormentada pelo descaso de seus pais, William e Annette Birkin, que interage e passa a confiar em Claire e Leon, despertando instintos quase paternais neles e se mostra confusa quando as mutações provenientes do G-Vírus, uma versão mais poderosa do T-Vírus (que causara o aparecimento dos zumbis), começam a se manifestar em seu pai, que injetara o composto em si mesmo para escapar da morte certa. É uma história instigante contada em dois atos, um mostrando a visão de Claire e outro contando a trajetória de Leon, sendo que o jogador podia escolher com qual completar primeiro, havendo algumas diferenças na história dependendo da ordem.

Mas se Resident Evil 2 se mostra rico e variado em termos de personagens, o mesmo não se pode dizer dos ambientes. Raccoon City, como seria provado mais tarde em Resident Evil 3, é um cenário que poderia ter sido muito melhor explorado, mas que ficou resumido a três grandes ambientes: a delegacia de polícia, os esgotos e a base subterrânea da Umbrella. Todavia, todos são complexos e extensos o suficiente para que a pouca variedade não seja um problema. Nada surpreendente, uma vez que a Capcom fizera um ótimo trabalho com a mansão de Resident Evil 1.
A primeira impressão quando se chega na delegacia de polícia é um misto de tensão e alívio: o salão principal está completamente vazio, mas a música de fundo dá a pista de que o resto do edifício não está tão vazio assim. O suspense é onipresente, fazendo o jogador calcular cada passo, se perguntando o que haverá atrás daquela porta ou janela, já que os zumbis têm o péssimo hábito de quebrá-las sem aviso prévio. O gerenciamento de itens, aliás, se mostra, como sempre, vital para a progressão. Descarregar uma arma em um zumbi pode ser uma boa solução a priori, mas essa munição pode fazer falta em um chefe ou outro inimigo no próximo corredor.
A versão de PlayStation 1 vinha em dois CDs, cuja capacidade de armazenamento era muito superior aos cartuchos do Nintendo 64. A Angel Studios, atualmente Rockstar San Diego, foi a responsável pelo port, conseguindo colocar em um único cartucho o praticamente o mesmo conteúdo dos dois CDs. As Ex Files, incluídas no lançamento da versão de 64, dão mais detalhes sobre a história do jogo e de outros da série e contêm até mesmo um relatório de Rebecca sobre a falsa morte de Billy Cohen, evento que só seria relatado de forma explícita em Resident Evil 0, dois anos depois. A maioria dos extras da versão do console da Sony está presente, com exceção do Extreme Battle, onde o objetivo é recolher quatro bombas. No entanto, o 4th Survivor, onde o jogador controla Hunk, um dos enviados para recolher o G-Vírus de William Birkin, está presente, bem como o clássico The To-Fu Survivor, basicamente o mesmo 4th Survivor, mas com o pedaço de queijo Tofu no lugar de Hunk.

Se Resident Evil 4 foi uma revolução na série, Resident Evil 2 foi o responsável por fazê-la ir adiante. Até hoje considerado um dos melhores da franquia, eis um jogo que representa o gênero em sua forma mais pura.
- Por Thales Nunes Moreira
![]() Rentuas
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15/08/2010 às 22:25
Enfiiim... re2 é o melhor... entre história, sem palavras ^^
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![]() Kyon Kun
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07/08/2010 às 17:07
Ainda bem que tem o RE0 e o RE1 Remake pra salvar
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![]() .hack//andy.nds
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07/08/2010 às 00:29
Bons tempos quando eu jogava RE2 de madrugada com todas as portas e janelas trancadas, além d'um cabo de vassoura do lado. Essa é a verdade...
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![]() Thales.
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04/08/2010 às 15:14
Não disse que não era pertinente, só que não era isso que estava sendo discutido inicialmente. E, sim, talvez, se não fosse por RE4, Gears não fosse o que é, mas o que eu quero dizer é que Gears levou o gênero para muito além do que RE4 ousou, o que não tira todos os grandes méritos de RE4.
Agora quanto a RE5 certamente ser melhor se fosse mais parecido com RE4, é difícil dizer. Podia dar completamente certo, podia dar terrivelmente errado... |
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Nebel Spieluhr
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04/08/2010 às 14:51
@ Thales.
Mas é importante saber quem influenciou primeiro sim, até pq se não fosse RE4, Gears of Wars talvez não fosse o que é, já no caso de RE5, não importaria tanto, pelo contrário, se ele fosse mais parecido com RE4 seria melhor. Então esse ponto que adicionei é bastante pertinente. |
![]() Thales.
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04/08/2010 às 13:18
Não estava sendo discutido sobre quem ifluenciou primeiro, mas sim as semelhanças de RE5 com Gears of War, que foi o que o Emissário apontou. E, a meu ver, Gears of War influenciou muito mais do que RE4 e não só em RE5. Se os TPS são o que são nessa geração (e isso inclui RE5), é por causa de Gears of War, mas RE4 teve seu papel em provar que o gênero poderia ser rentável, revitalizando-o.
Mas concordo que RE4 é melhor que RE5. |
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Nebel Spieluhr
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04/08/2010 às 00:23
@ Thales.
Eu não sei qual influenciou mais, mas sei quem influenciou primeiro, e vc tbm. RE5 poderia ser mais parecido com RE4, e seria melhor do que é. Não comparo RE4 com Gears of Wars pq nunca joguei, mas zerei RE5 e achei RE4 melhor. |
![]() Thales.
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04/08/2010 às 00:11
RE4 não influenciou tanto Gears of War assim. Claro, teve sua contribuição, mas o seu papel principal foi impulsionar o gênero. Gears of War tem muitos méritos próprios que RE4 não conseguiu (mas mesmo assim é um jogo que dispensa comentários) e vários deles foram incorporados por RE5, bem mais do que Gears incorporou de RE4.
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Nebel Spieluhr
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03/08/2010 às 21:29
@ Thales.
Não se esqueça tbm que Gears of Wars foi influenciado por RE4. O próprio produtor ja disse isso. E que apesar do RE5 ter aquele modo horrível de controlar com 2 analógicos totalmente desnecessário, visto que vc não pode andar atirando, ele tbm tem o estilo RE4. |
![]() Thales.
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03/08/2010 às 19:43
Mas Resident Evil 5 incorporou vários conceitos de Gears of War, como o sistema de cover, por exemplo, e, além disso, o próprio diretor Jun Takeuchi admitiu que se baseou em Gears of War para os controles do jogo. A ação também é conduzida de forma semelhante a Gears - mesmo que sem a mesma eficiência -, especialmente perto do final, e a estética geral também tem semelhaças. Dado isso, mesmo que RE5 tenha como base RE4, ele tem muitas semelhanças com Gears of War, talvez, em alguns momentos, mais até do que RE4. Mas foi RE4 que revitalizou o gênero, popularizando-o, permitindo que as evoluções de Gears of War se tornassem uma influência.
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