Monarquia Hyruleana - Adequação japonesa à cultura européia
Lenda - A constante recriação do impossível
Tradição - Animação em 3D e Promoção
Link - Individualidade e Motivação
Medo - Por que Link não assassina Ganondorf?
Zelda e Impa - Da representação sexual e guerreira feminina (Atualizado)
The Legend of Zelda e Interpretação - A pílula vermelha ou azul?
Da Mortalidade - A virtude de Link se putrefaz?
Chosen one? - As implicações de um abandono da capacidade de execução.
Discussão - método e técnica social na série Zelda: Herói do Tempo em análise
Falso Ofício - Quando ser fã é coisa séria
"Deixe-o sozinho por um momento ou dois, e você verá com sua cabeça baixa
cismando, cismando,
olhos fixos em algum fragmento, alguma pedra, alguma planta comum,
como se fosse a pista.
Os olhos preocupados se erguem,
furtivos, metálicos, insatisfeitos
com a meditação sobre a verdade
e o insignificante."
(Robert Lowell)
Pode-se generalizar arte como a apresentação de objeto e/ou façanha fora do comum para um público previamente selecionado pelo artista – ou grupo de artistas -, seja por idade, etnia, sexo etc., com uma finalidade expressionista – sem confundir com a vanguarda alemã, lembrando que o Expressionismo do início do século XX é um movimento artístico à parte - e apoiada pelo ímpeto comercial, digamos assim, para maior produção.
Aprofundando, pode-se ainda afirmar que a arte, de maneira geral, está intimamente conectada ao seu momento de criação, ou seja, se o contexto muda, se o pensamento muda, se o homem muda, portanto, a arte deve mudar, uma vez que ela é, sem dúvida alguma, uma usurpação consciente do ser humano. A arte não é biológica, não faz parte de um destino ou de um dom pré-fixado em indivíduos brilhantes por nascimento. A arte está para quem apreende técnicas e domina tanto seus fundamentos a tal ponto a desconstruírem-nas para formar algo inteiramente inédito. A natureza é linda, mas arte não é, por regra, sinônimo de beleza.
Mas, se ela é múltipla e pouco substancial, como estabelecer os limites da arte? Para um cozinheiro, talvez seja a falta de um tempero. Para um pintor, uma cor inexistente. Para qualquer um, a falta de um público. A ausência berrante de apreciadores ou depreciadores é a terrível exoneração e anonimato do que se poderia algum dia chamar artista. Uma obra sem observação perde, assim, seu motivo de ser, uma vez que existe singularmente sem opinião. E - se permanece sem opinião alheia – deixa, curiosamente, de existir pelo esquecimento. É o que está agora em algum porão ou sótão; algo que você não é capaz de imaginar, não porque é fantástico, mas sim porque nunca viu, tocou ou experimentou. Provavelmente, nunca o fará.

“Procurando bem, todo mundo tem pereba,
Marca de bexiga ou vacina.
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba;
Só a bailarina que não tem. (...)”
(Chico Buarque¹; In: Ciranda da Bailarina; 1º - 5º versos)
Nada machuca mais que um palco vazio ou um jogo empoeirado. A arte aqui possui esse poder de reproduzir em silêncio uma ou outra sensação perdida de 1998, totalmente inatingível. Impossível alcançar por inteiro uma obra hoje tal como compreenderam seus contemporâneos, mas ainda reconheço em mim o cheiro de Ocarina of Time dos controles do Nintendo 64. Arte, no entanto, não é saudosismo. E nesse sentido, Zelda não pode ser entendido como artístico. Aqui entra o conceito de construção intelectual.
Basicamente, toda produção de intelecto é um objeto externo o qual, pelas suas propriedades, satisfaz necessidades humanas de quaisquer espécies. Devem ser encaradas sob duplo ponto de vista, segundo qualidade e quantidade, e a utilidade que carregam as caracteriza um valor de uso. Por vezes, artístico. Uma produção assim possui valor apenas pelo fato de estar objetivado nele trabalho humano abstrato, e é possível mensurar essa grandeza por meio do quantum de trabalho nele contido. A força de trabalho útil configura o grau de eficácia de uma atividade produtiva adequada a um fim em um intervalo de tempo dado. Logo, à medida que a força produtiva aumenta ou cai, a obra torna-se uma fonte mais rica ou mais pobre. Porém uma mudança na força produtiva influi apenas na grandeza do valor de uso e não no trabalho representado no valor – visto que o lastro deste está no próprio tempo de trabalho. Marx explica:
Como a força produtiva pertence à forma concreta útil do trabalho, já não pode esta, naturalmente, afetar o trabalho, tão logo faça-se abstração da sua forma concreta útil. O mesmo trabalho proporciona, portanto, nos mesmos espaços de tempo, sempre a mesma grandeza de valor, qualquer que seja a mudança da força produtiva.
(MARX, Karl. O Capital – Crítica da Economia Política. Volume I. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1996.)
O processo de trabalho criativo extingue-se no produto, visto que se trata da atividade que o homem efetua mediante o meio de trabalho para que haja uma transformação no objeto de trabalho, ou seja, o trabalho está objetivado, e o objeto trabalhado assim que o produto se encontra pronto como valor artístico. Então, Zelda é - se levado em conta seu trabalho efetivado qualitativo - arte.
Mas, ei, eu posso estar errado. (Mas não estou.) /o/

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1 Fica a dica para quem me manda emails perguntando sobre como podem escrever melhor: ouçam muito Chico Buarque. É quase inevitável.
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Promoção Zelda e Método:
Nicolas Britto – 17 anos / SP
Olá, Leonardo!!
Não sou membro do site mas sempre acompanho suas colunas e resolvi participar da promoção.
Pergunta:
“Se você fosse o Link e tivesse que tomar a decisão entre salvar Kakariko Village ou salvar a princesa Zelda, reconhecendo que são casos excludentes, o que você faria e por quê?”
Resposta:
Como ambas são excludentes, não faria diferença quem ou o quê eu salvaria. Nas duas situações, eu me encontraria em uma posição de dúvida moral tanto durante a ação quanto após a ação. Eu, sendo Link, deixaria de ser visto como herói por todos qualquer que fosse a minha escolha.
“You either die a hero or live long enough to see yourself become a villain.” (Batman – The Dark Knight/ Harvey Dent).
Parabéns, Nicolas! Estarei a enviar na segunda-feira a versão original lacrada para PC de Transformers – Revenge Of The Fallen.
Leonardo Bigio
Yasmin Alcalai
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[NoCtrl]
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15/07/2010 às 16:18
"Mas, ei, eu posso estar errado."
Perdeu a credibilidade... |
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Herr Geist
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14/07/2010 às 05:35
Essa coluna sempre me assusta
Como pode alguém filosofar tanto em cima de um vídeo game!? Aposto que nem Miyamoto conseguiu viajar tanto ao longo da vida dele xD Isso aí deve ser uma soma de faculdade de filosofia acrescida de vício por vídeo games e "ervas"... Mas piadas à parte, também considero determinados jogos uma expressão de arte, e como citado no texto Ocarina of Time teve em sua época um poder mágico que nenhum sucessor da franquia teve, eu só não sei ao certo se esse significado se junta à saudade da minha infância ou se é uma característica geral do jogo, já que assim como muitos quadros, músicas e peças teatrais importantíssimas nunca me fizeram sentir nada além de um ignorante desprezo , essa obra tão emocionante pode não ser nada pra outros. |
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Lusitânia
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13/07/2010 às 08:58
"E se Alberto Caeiro visse o texto desta coluna e os comentários de cada um de nós, ele é que daria o riso!"
Certamente. |
![]() redfield jr.
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13/07/2010 às 04:10
"Se Fernando Pessoa lhe ouvisse dizer isso, acho que se ria."
E se Alberto Caeiro visse o texto desta coluna e os comentários de cada um de nós, ele é que daria o riso! "Redefinindo-a como? Eu não entendi." Redefinindo no que se refere a dar outro sentido. Expandir. Um jogo de videogame conta uma interação direta entre obra e receptor desta. Algo que dificilmente outras vertentes de arte alcançam. Por isso os videogames são diferenciados. Isso é claro, além de agregar outras vertentes artísticas. Mas o cinema faz isso (contém música, texto, etc.). E foi reconhecido como arte. Por que os jogos de videogame não podem ser reconhecidos futuramente também? |
![]() fkoiti
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13/07/2010 às 00:11
Eu acho que games não "são" arte, mas "contém" arte, seja nos padrão gráfico, na história, na música (tem algum jogo de videogame sem música?), ou ainda, nos valores que nos são passados durante a "jogatina".
Posto, isso, creio que todos os jogos "contém" arte, seja uma forma, duas ou todas e sendo que essa arte nos é apresentada durante a "jogatina", ou em determinados momentos. |
![]() Zaraki
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12/07/2010 às 21:13
Ele explicou de forma simplificada, Lusitânia. Pra que querer complicar tanto as coisas? Veja só a discussão abaixo, tanta argumentação sem nenhum consenso.
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![]() tales of mana
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12/07/2010 às 17:20
LOL
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![]() Eddy.D.Crazy
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12/07/2010 às 08:58
"Alguns jogos de videogame extrapolam os limites da arte e fazem isso redefinindo-a,[...]"
God of war é um exemplo disso! |
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Lusitânia
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12/07/2010 às 08:27
"Arte é passar seus sentimentos para outro de maneira bonita/agradável de se apreciar, é próprio de cada um. video game é arte sim"
Definição tão basica e vazia... Se Fernando Pessoa lhe ouvisse dizer isso, acho que se ria... Dizer que Arte é transmitir sentimentos aos outros é a mesma coisa que dizer que o campeonato da Taça (Copa) do Mundo é apenas uma bola girando para um lado e para o outro... Arte é MUITO mais que isso, felizmente... |
![]() Katsuriro
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11/07/2010 às 15:21
"Alguns jogos de videogame extrapolam os limites da arte e fazem isso redefinindo-a..."
Redefinindo-a como? Eu não entendi o.O Eu acho que video games são artes sim, pois é a representação dos sentimentos humanos representados de "forma jogável". Idependente de ser comercial ou não isso não o desmerece. Livros e quadros também são feito para vender, o próprio Dostoievski afirmou que fez o livro "O jogador" para vender e assim se sustentar e isto não desmereceu o livro como arte. |
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