Sobre o Ombro de um Gigante - Vol. 13
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Iwata Asks - Super Mario Galaxy 2 Vol. 2 - Pt. 5
Iwata Asks - Super Mario Galaxy 2 Vol. 2 - Pt. 4
Iwata Asks - Super Mario Galaxy 2 Vol. 2 - Pt. 3
A promessa e a ilusão da Capcom
Iwata Asks - Super Mario Galaxy 2 Vol. 2 - Pt. 2
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Iwata Asks - Super Mario Galaxy 2 Vol. 1 - Pt. 3
First 4 Figures: Zero Suit Samus
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O Nintendo 3DS e a promessa da próxima geração
[E3 2010] Iwata Asks em Vídeo - The Legend of Zelda: Skyward Sword
Olá, amigos da comunidade Wii-Brasil. Aqui estamos nós para a décima segunda edição da série de artigos “SOBRE O OMBRO DE UM GIGANTE”, chegando próximos à metade de nosso projeto. Desta vez, o autor Sean Malstrom entrevista a si próprio. Este é seu nome verdadeiro? Quem é ele? O que ele faz? Ele faz parte da indústria? Por que escrever esses artigos? Tudo isso e muito mais.
Sempre lembrando o aspecto amador da coisa toda, não sou nenhum tradutor profissional. Apenas um jogador veterano que ama a arte, devidamente autorizado pelo autor dos artigos.
Nos artigos, meus comentários serão reconhecidos por uma cor diferente. Todo o resto faz parte da tradução do artigo original. Boa leitura, discuta, divirta-se. Abraços.
SOBRE O OMBRO DE UM GIGANTE – VOL. 12
Malstrom Entrevista A Si Mesmo
Wii pode ficar mais em profundidade?
Tradução de Pitomba_
O redemoinho da Carta Marítima de Olaus Magnus (1539).
Malstrom entrevista a si mesmo.
Primeira pergunta, por que você está se entrevistando? Isso não quebra todas as regras do jornalismo?
Steve Jobs tem um ditado com que eu concordo plenamente, “Artistas de verdade entregam.” Alguém também poderia dizer, “Escritores de verdade vendem.” Se as pessoas não estivessem interessadas em ler o que está escrito, quem se importaria com o conteúdo? Muitos dos jornalistas mainstream da nação (EUA) têm um problema com a noção de que o jornalismo deve ser vendido como um produto, assim como em qualquer negócio. Quando a Nightline se mostrou estar no vermelho, o presidente da companhia começou o processo de demissões e queima de gordura. Dan Rather achou que isso “não estava certo”, então ele foi até o presidente da companhia e disse-lhe que as notícias não deveriam estar sujeitas ao ciclo de ganhos e perdas como todas as outras divisões da companhia (risos). Jornalismo é o único negócio que conheço onde eles arrogantemente dizem que o cliente está errado. Isso é ter um pedágio pesado enquanto todos os jornais na América em circulação estão em queda livre. Por quê? Porque os jornalistas mainstream de hoje em dia não acreditam que devem vender. Mesmo com a circulação caindo, eles se tornam mais determinados a fazerem a mesma coisa!
Estou me entrevistando porque é uma boa maneira de soltar algumas informações, e será divertido. O quão bom seria despejar fatos frios no estilo pirâmide usual se ninguém leria? Meu objetivo é atrair o máximo de olhos possível. Isso não será possível agindo como outros sites.
Por que você é tão focado nos aspectos comerciais? Por que você não analisa jogos como todo mundo?
Os aspectos comerciais da indústria de videogames são o mercado carente. Todo mundo tem um enorme interesse por isso, mas pouco se fala a respeito, além dos ocasionais gráficos de vendas ou relatórios de analistas. Há conteúdo atrapalhado, mas muito pouco contexto.
Não acho que seja uma boa idéia para um novo site como o Wiikly imitar outros sites da web. Afinal, muitos dos outros sites dizem a mesma coisa. Se você perdeu a notícia no IGN, você pode obtê-la no Gamespot. Se você perdeu no Gamespot, você pode obtê-la no 1up. Os maiores blogs também a terão, como Joystiq ou Kotaku. Os maiores fóruns irão postar a história e milhares de discursos retóricos irão segui-la. Há pouca diferença entre esses sites.
Minha experiência de vida real está no direito (e nas várias perversões políticas). Existem alguns benefícios por esses conhecimentos, como ser capaz de entender as leis, tendências demográficas, assistir jornalistas mainstream virem e irem, e por aí vai. Mas há muitas pessoas envolvidas com o direito, e há pouco dinheiro no campo político (embora entender de leis e tributação seja extremamente útil para falar com seu advogado e contador).
A educação financeira é a mais rara de todas as educações. Há educação acadêmica (universidades e escolas) e educação para o trabalhador (treinamento para um emprego), mas educação financeira realmente não tem escola, exceto a “escola da vida”. Pessoas ricas acreditam que ‘emprego’ é uma sigla que significa ‘para os pobres’. Pessoas ricas não trabalham por dinheiro, elas deixam seu dinheiro trabalhar por elas. Steve Jobs, Bill Gates, Michael Dell, entre outros, saíram da faculdade, deixaram seus empregos, mas se tornaram o que eles são por causa de sua educação financeira.
Com base em tendências demográficas, é cada vez mais importante que as pessoas alcancem uma educação financeira (criando seus próprios abrigos financeiros, ao invés de estar no abrigo de outros, como a empresa onde você trabalha). Para aqueles que estão na faixa dos trinta e cinco anos ou menos, é provável que você não consiga se aposentar. Primeiro, você tem a evolução demográfica de todos aqueles que nasceram no baby boom aposentando-se, o que significa que, dentro de aproximadamente uma década, mais dinheiro estará saindo do mercado do que entrando. Segundo, há uma mudança mais fundamental ocorrendo na relação das pessoas com o dinheiro. Durante a Era pré-Industrial, a maioria das pessoas tinha seus próprios negócios. Afinal, a maioria das pessoas era de fazendeiros. A Revolução Industrial, enquanto criava a enorme explosão demográfica, tornou a maioria das pessoas em empregados. Mas as coisas estão voltando ao velho estilo agora com a Era da Informação. Não há segurança no emprego hoje. Com base em algumas leis interessantes passadas durante a década de 1970, a responsabilidade da aposentadoria não mais recai sobre o empregador, mas agora sobre o empregado.
A questão é que quanto mais cedo pensarmos em um contexto financeiro/comercial, mais seguro e livre será o nosso futuro.
Então não seria mais lucrativo investigar a indústria de petróleo ou de seguros? Por que focar a indústria de videogames?
Um, muito poucas pessoas o fazem. Existe um sério vácuo de informações comerciais nesta indústria e em outras indústrias de tecnologia. Dois, esta indústria está na vanguarda da revolução digital. Três, é extremamente lucrativa. Quatro, muitas pessoas esquecem que, antes de Steve Jobs ter fundado a Apple, ele trabalhava na Atari de Nolan Bushnel. Você não pode estudar Steve Jobs sem estudar a Atari.
Mas por que a atenção sobre os planos de negócios da Nintendo?
Os jogadores conhecem a Nintendo apenas como uma fabricante de consoles veterana e criadora de jogos de qualidade. Mas o verdadeiro talento da Nintendo não é os jogos. Não. O verdadeiro talento da Nintendo é sua precisão comercial. A Sega tinha grande talento criativo e fez jogos maravilhosos. Mas a Sega tinha a inteligência comercial de uma borracha. As coisas eram tão ruins na Sega que eles tinham problemas básicos de contabilidade. Quando o Saturn estava bombando, os executivos da Sega estavam estourando champanhe, acreditando que o sistema estava ‘esgotado’ quando, na realidade, eles estavam confundindo o número de consoles enviados para as lojas com o número de consoles vendidos ao consumidor.
A Nintendo é uma estrela do rock financeiro. Não apenas em relação a outras empresas de videogame, mas em relação a qualquer empresa na Terra. A Nintendo é mais bem administrada do que Sony, Toyota, e várias outras companhias japonesas. A Nintendo está sentada sobre pelo menos seis bilhões de dólares em dinheiro no banco. Eles se tornaram um sucesso global, mas não perderam a sua arte. Isto é raro.
Você acredita que o mercado de consoles de videogame é um dos mais difíceis do mundo. Por quê?
As pessoas não têm idéia de o quanto é difícil o negócio de videogames. A maioria dos desenvolvedores trabalha muito e ganha pouco. A maioria dos jogos tem apenas uma semana ou mais algumas para a maior parte de suas vendas (ou seja, fedelhos de quinze anos podem ridicularizar o jogo durante este período, e podem fazer da vida um inferno para os fabricantes de jogos). Eu sei como é difícil o negócio de videogames e por isso já não trabalho no meio e não tenho o menor desejo de ‘voltar a trabalhar na indústria’. Eu acho que os jovens que querem entrar na indústria de videogames precisam ser acertados por uma frigideira. A não ser que você seja o dono, há muito pouco dinheiro e toneladas de trabalho especializado. Uma vez que tantos jovens querem entrar, há um desequilíbrio de demanda.
Mas o negócio de videogames é extremamente difícil para as grandes corporações também. Existem aproximadamente quarenta empresas que entraram no negócio de consoles. Apenas uma tem sobrevivido desde os anos 1980: Nintendo. Apenas mais uma tem sobrevivido desde os anos 1990: Sony. Assim como a grande maioria dos jogos de videogame fracassa no mercado, a grande maioria das fabricantes de consoles também fracassa.
Considere a taxa de empresas que o mercado de consoles mastigou ou de corporações inteiras que foram engolidas. A Microsoft gastou muitos bilhões e isso não fez do Xbox um sucesso no mercado (ou mesmo lucrativo). Atualmente, o mercado de consoles tem o potencial de mastigar a Sony. Vide as perdas que este proporcionou a Time Warner antes de eles cortarem a Atari.
Esta é uma indústria extremamente competitiva, baseada no momento, que depende de enormes investimentos de dinheiro para cada território. O lado bom é que existem lucros meteóricos envolvidos nesta indústria que atraem tantos concorrentes. Mas quanto maior a recompensa, maior o risco. O mercado de consoles é extraordinariamente difícil. Nem mesmo Steve Jobs irá tentar abordá-lo.
Onde você acha que a maioria dos observadores e analistas erra?
Sou um grande apreciador da busca por “regras” e “leis” de que os negócios giram em torno. Observadores e analistas também usam estes ‘parâmetros’ em suas análises para prever o futuro. O problema é que quando você coloca esses ‘parâmetros’ no passado, eles não se mostram verdadeiros. Pense em usar modelos climáticos para prever o futuro. Cientistas podem vir com modelos computacionais fascinantes para mudanças climáticas, mas quando esses modelos são colocados no passado pela história, fica claro como esses modelos se tornam falhos. O mesmo é verdade para alguns atuais ‘parâmetros’ que a maioria dos analistas e observadores usa.
Tais como?
Marca. Tecnologia. Hardware caracterizado por multimídia. Quando você coloca-os no passado ao longo do tempo, você descobre que nenhum deles foi fator decisivo de liderança. Mas se você aplica ‘parâmetros’ verdadeiros, como o tamanho da gameteca, você irá descobrir que, em cada um dos preciosos ciclos de consoles, o console com a maior gameteca, que atinge mais públicos diferentes, vence. Toda santa vez. E você descobrirá que marca e tecnologia nunca importam.
Você pode colocar em perspectiva as estratégias da Nintendo para cada geração? Para uma clara recapitulação?
Sem problema.
Primeira Geração: (era Atari 2600) A Nintendo, muito bem sucedida nos jogos de arcade, procura a Colecovision para lançar seus portes dos arcades. A Nintendo aprendeu muito sobre as situações legais e vulnerabilidades com o infame caso Donkey Kong.
Segunda Geração: (era do Crash) A Nintendo percebeu que tinha que controlar o hardware, a fim de garantir qualidade, e para lidar com seus próprios problemas legais futuros. O Famicom foi lançado no Japão e apresentou os portes dos arcades da Nintendo. A Nintendo procurou a Atari para distribuir o Famicom na América. Claro, a Atari estava muito ocupada morrendo e levando toda a indústria Americana de consoles consigo.
Terceira Geração: (Era 8-bit) Enquanto o Famicom facilmente invadia o Japão, foi uma batalha árdua para o NES na América. A NOA teve que pular muitos obstáculos. A grande questão da época era se a companhia de consoles Japonesa poderia expandir para a América com sucesso. A mentalidade do NES foi desenvolvida a não quebrar como a Atari o fez. Chips de bloqueio e contratos draconianos com as produtoras terceirizadas foram assinados. As expansões da Nintendo na Europa foram adiadas graças às frequentes ações legais da Atari contra a Nintendo nos tribunais Americanos (o que poderia efetivamente ter destruído a NOA, foi sério assim). A NOE estava estabelecida, então a NCL não tinha que contar tanto com a NOA. Ainda, a Nintendo expandiu com sucesso novamente com a criação do Gameboy.
Quarta Geração: (Era 16-bit) Nesta era, o foco da Nintendo mudou completamente para a competição. O objetivo do SNES era derrotar o Megadrive/Genesis (e PC-Engine) que tiveram uma vantagem de dois anos no mercado de 16-bit. Depois de uma batalha custosa, o SNES venceu.
Quinta Geração: (Era 32/64-bit) Uma grande reviravolta ocorreu, ocasionando a rápida saída dos recém chegados ao mercado. A Nintendo uniu-se à Silicon Graphics, a premiada companhia de efeitos especiais que trabalhou em filmes como “O Parque dos Dinossauros” para criar a máquina de videogame definitiva tecnologicamente. O Nintendo 64 nasceu para esmagar o Saturn e o Playstation como um inseto com sua tecnologia de gráficos avançada. Isso não aconteceu graças ao fato de a plataforma da Sony ser muito mais amigável para as companhias terceirizadas (a Nintendo ainda utilizava a mentalidade arcaica de controle firme após o Crash). Os custos começaram a decolar. Yamauchi começou a se preocupar.
Sexta Geração: (Era Cinematográfica) O Gamecube foi um equilíbrio entre maior tecnologia e menores custos. Fracassou por o PS2 já estar bem entrincheirado no mercado, e ambas Microsoft e Sony estavam pagando milhões às produtoras para que empresas de jogos não portassem seus jogos para o Gamecube (apesar dos protestos dos desenvolvedores). Foi neste momento que a Nintendo reconstruiu sua companhia e começou um período de grande análise de como o mercado de consoles funciona, de porque o PS2 foi um sucesso. A análise durante este calmo período da Nintendo foi a semente para o nascimento da próxima geração.
Sétima Geração: (Era da Ruptura) Gameteca massiva é a chave para o mercado de consoles, assim como interface de controle mais simples para expandir a audiência. É por isso que o Wii tem trinta jogos no lançamento e outros trinta títulos de lançamento para o Virtual Console (com mais dez semanalmente). O Wii-mote, claro, é a nova ponte de facilitação que permite que públicos não tradicionais tenham acesso aos jogos do Wii. O propósito do DS foi servir como teste para esta nova estratégia. O Wii é o DS multiplicado por cem. O DS foi ‘inovador’, como a maioria de suas inovações apontavam, mas o Wii é ‘revolucionário’.
Você está surpreso com a rápida ascensão da antecipação pelo Wii?
Sim! É comum para plataformas de ruptura serem mal interpretadas pelo mercado enquanto suas vendas decolam mais tarde. Consoles da Nintendo costumam ter lançamentos sólidos, então espero que o Wii venha a ter um lançamento um pouco melhor do que o do Gamecube, e termine com o PS3 ultrapassando-o rapidamente. Apenas um ano depois o Wii começa a esquentar no mercado de massas e a decolar. O Blackberry, Amazon.com, e até mesmo o NES e DS são bons exemplos disso.
É difícil medir exatamente se o Wii já está ganhando força com o mercado mainstream.
Sim, tão difícil que o autor errou em suas previsões. O Wii decolou imediatamente.
Como saberemos realmente se o Wii está penetrando o mercado de massas? Vendas massivas?
Vendas massivas não é a indicação. Quando um produto de ruptura cresce fora de seu nicho, o que você tem é um mercado absorvedor. Isto significa que o mercado começa a absorver tudo que sai. As vendas do NES na América nunca foram particularmente altas. O que aconteceu foi que o mercado começou a absorver tudo relativo ao NES. Qualquer jogo lançado geralmente esgotava. Foi assim que o NES se tornou um fenômeno social na América. Olhe para as vendas do DS pelo mundo e especialmente no Japão. O DS não está tendo ‘vendas massivas’. O que está acontecendo é que o mercado está absorvendo tudo relacionado ao DS. Não importa quantos DSs são fabricados, eles são todos vendidos. A escassez de plástico e cartuchos do DS de hoje são remanescentes da escassez de cartuchos da geração 8-bit.
Então você acha que o Wii vai ter escassez?
Eu diria que apenas quando o mercado não tradicional for atingido. Mas enquanto a plataforma for penetrando esses novos mercados, o que vamos encontrar é um crescimento contínuo que só cresce cada vez mais. É por causa dessas escassezes que um valor cada vez maior é impresso sobre o NES e o DS.
As escassezes do PS3 e Xbox 360 são inteiramente graças a problemas de produção, não demanda (exceto no início). As pessoas confundem a escassez no lançamento desses sistemas tecnológicos com demanda ‘crescente’. Não. Eles vão apenas perder vendas. Este erro é comum porque escassezes muitas vezes ocorrem durante um crescimento de mercado (isto é, demanda crescente).
O PS3 e Xbox 360 não estão tendo suas demandas aumentadas pelos mercados tradicionais, apenas estão diminuindo suas produções (o que significa que sonystas e caixistas podem viver no mundo encantado onde seus sistemas estão ‘sob demanda selvagem’.). Preço alto também diminui demanda. Eles estão em uma esteira cada vez mais rápida, com as empresas perdendo mais dinheiro para obter menores resultados.
Em seu lançamento, apesar dos estoques elevados, a escassez do Wii era tão grande que pessoas pagavam mais caro a atravessadores para terem o seu. O mesmo não aconteceu com os consoles concorrentes. E foi assim por anos.
Mas e se a ruptura do Wii acertar o mercado de massas já no primeiro dia?
Minha Nossa Senhora.
Então o Wii será para o Playstation 3 o que o iPod foi para o Walkman.
Isso me faz lembrar, você acha que é bom para a Nintendo roubar tanto da Apple?
Bons artistas copiam. Grandes artistas roubam.
Eu imagino que a enorme tentação para a Nintendo emular as estratégias de negócios da Apple é pelo fato de estas serem tão incapacitantes para a Sony. Mas vamos deixar as comparações com a Apple para o artigo da próxima semana.
Sim, fique ligado no wii-brasil.
Você teve algum problema ao efetuar a pre-order?
Eu encomendei em uma loja pequena. Quando eu fui avisado pelo gerente de que eles estavam aceitando encomendas, eu desci lá e fiz meu pedido imediatamente. De seis consoles que eles estavam recebendo, eu era o número seis. Assim que terminei, um SUV gigantesco estacionou. O gerente me disso, “Oh não. Ela está aqui por um Wii também.”
Como aqueles de fora da América sabem, essa ‘mulher’ (e eu uso o termo vagamente) lembrava Jabba the Hut. Acho que ela foi enviada por seu filho ou algo assim. Imaginando que ela arrancaria minha cabeça fora ou algo tão desagradável quanto, o gerente deixou-me escapar pela porta dos fundos. Fiquei triste por ele ter que lidar com ela. (risos).
Qual a primeira coisa que você vai fazer quando receber o Wii?
Vou deixá-lo na horizontal e colocar uma bebida sobre ele.
O quê!?
Eu esperei vinte longos anos para colocar bebidas sobre um console Nintendo novamente. Depois do NES, a Nintendo deliberadamente adotou curvas e impossibilitou colocar bebidas sobre o sistema. Sinto falta dos dias de uma bebida sobre o sistema da Nintendo.
O que você acha da linha de jogos do Virtual Console?
A linha é muito interessante por refletir a filosofia da Nintendo de vender jogos para ‘todos’. Enquanto os jogadores hardcore gostaram de Gunstar Heroes, mas ficaram desapontados com o primeiro lote de jogos, a maioria daqueles jogos do Virtual Console não foram destinados a eles.
Algo para todos significa todos. Se você quer um shooter espacial clássico, você tem Super Star Soldier. Bomberman 93 é um excelente jogo multiplayer. Se você quer um jogo arcade das antigas, você tem os jogos do Genesis para escolher. Você tem jogos de puzzle e pinball que têm apelo universal. Você tem Sim City que atrai um jogador diferente daqueles que só querem jogar jogos de plataforma. Os jogos do velho NES são muito bons para aqueles pais que jogavam na época do NES.
Eu, particularmente, baixei Donkey Kong, The Legend of Zelda, Altered Beast, Sonic the Hedgehog e Super Mario 64, da leva inicial. Se existe um serviço que adoro, é o Virtual Console. Foram 43 (quarenta e três) jogos baixados para a minha coleção até agora.
Isso é algo que eu sempre quis saber. Com Wii Sports no pacote, por que seriam os primeiros jogos do VC os arcaicos jogos pioneiros de NES Baseball, Tennis, e assim por diante?
A Nintendo quer pais e pessoas mais velhas jogando videogames. Isto ocorreu por acidente durante a geração 8-bit. Conselheiros de jogos começaram a receber chamadas de pais sobre como vencer os jogos que estavam jogando quando seu o garoto estava dormindo. Muitos jogavam com seus filhos. Mas na última metade da geração 8-bit e, especialmente com a geração 16-bit, este grupo de jogadores foi deixado para trás. Quando a revolução 3d chegou, os jogos ficaram tão complicados que esses semi-jogadores foram completamente perdidos. Uma muralha crescera.
Por que não vimos Mario 2d no VC?
Boa pergunta. Super Mario Brothers está disponível no VC no Japão, mas não na América. Só a Nintendo sabe. Mas lembre-se que o VC está sendo usado de maneira estratégica em resposta a cada um dos mercados. A Nintendo está escolhendo a dedo certos títulos para ganhar força imediatamente com determinado mercado.
Eu não tenho idéia do motivo de Super Mario Brothers não estar disponível, exceto para dar uma chance aos jogos 2d do Genesis e PC-Engine.
Super Mario Bros. foi disponibilizado algumas semanas depois do lançamento.
Aproveite este momento com o VC. O que estamos vendo agora nunca irá acontecer novamente. Quando o próximo console da Nintendo sair, o VC já estará recheado de jogos. Nós poderemos ver o VC nascer apenas uma vez.
O editor do Infendo, Jack, escreveu um post criticando alguns reviews do Gears of War. Um escritor do Intendo o criticou por fazer isso. Qual a sua opinião?
Intendo é tolo não apenas por levar a sério o post de algum outro blog (eu geralmente não levo qualquer jornalista ou analista a sério, exceto os tomadores de decisão que gerenciam o fluxo de caixa de companhias de jogos, eu considero os jornalistas do New York Times a escória dos dias de hoje), mas é ainda mais tolo e arrogante considerar-se o árbitro do que é e do que não é jornalismo. Até mesmo alguns jornalistas de videogames pagos perturbadoramente fazem isso. Existe um jornalista de videogames que anda por aí apontando seu dedo para os outros o tempo todo, até mesmo para blogueiros, por perturbar o ‘tapete’ do divino éter jornalístico.
Deixe os leitores decidirem, por conta própria, o que eles consideram bons artigos ou discursos istas. Leitores são pessoas inteligentes. Eles não precisam de alguém para lhes dizer o que devem achar do trabalho de outra pessoa.
Então o que você achou do post do Jack?
Não importa o que você escreve sobre tópicos relacionados a videogames, as pessoas irão acusá-lo de parcial, ista, e por aí vai. Todo mundo quer ser a pessoa mais esperta da sala. As pessoas não gostam de ter seus contextos desafiados. Eu citei o que Harvard Business Review diz a respeito da Microsoft e Sony, e fui chamado de ‘parcial’ e ‘ista’ por isso.
Quando você dirige um carro, todo mundo que dirige mais devagar do que você é um ‘idiota’, enquanto que aqueles que dirigem mais rápido do que você são ‘maníacos’. É a mesma coisa com as mulheres. Um cara que tem menos mulheres do que você é um ‘idiota’, mas um cara que tem mais mulheres do que você é um ‘maníaco’ irresponsável.
Todo mundo se considera ‘normal’ e considera todos os outros istas desvairados. As pessoas se rendem ao seu narcisismo antes da razão. Quem não quer se tornar alguma sábia coruja imparcial pairando sobre multidões de ‘istas’?
O problema com o post do Jack é que este foi elaborado pela metade, não foi desenvolvido o suficiente. Isto permitiu surgir um buraco para que as pessoas o rotulassem, declarassem-no isso ou aquilo, e assim por diante. Uma das razões pelas quais alguns dos meus artigos espalham-se por páginas e páginas é porque eu tento aprofundar, não dar a oportunidade aos narcisistas de pau oco.
E mesmo assim há quem o julgue como um nintendista. Paciência.
Jack faz algo que mais pessoas deveriam fazer: ser cínico a respeito de jornalistas de videogames. No artigo, “Infelizmente, Microsoft,” eu mostrei citações de jornalistas de videogames evidenciando como é alta a pressão para aumentar notas. Há uma menção particular de como intensa foi a pressão para Halo 2. Gears of War obtendo notas perfeitas não é surpresa para mim. Halo 3 vai receber notas perfeitas do mesmo jeito. A Microsoft tem um longo histórico de astroturfing e pressão para criar ilusões de popularidade. Apesar de não bem conhecida entre jogadores de videogame, a Microsoft suborna, ou influencia de outras maneiras, muitos analistas de tecnologia. Quando analistas de tecnologia continuam falando sobre como brilhante é o futuro para um produto da Microsoft, isso cria a ilusão de invencibilidade e potenciais concorrentes caem fora. Esta técnica permite que a Microsoft elimine concorrentes a custos muito baixos.
O artigo “Infelizmente, Microsoft” é o Sobre O Ombro De Um Gigante Vol. 7.
Infelizmente, essas táticas implodem sozinhas. Quando a Sony mostrou cenas pré-renderizadas de jogos na E3 2005, eles receberam grande cobrança por não serem capazes de entregar um ano depois. A Microsoft, depois de tantas promessas com o Vista, está começando a receber críticas por não ser capaz de cumpri-las. Enquanto a Microsoft faz de tudo para garantir que Gears of War se torne “aclamado” e “idolatrado” entre jogadores, com o tempo, as altas expectativas dos jogadores sairão pela culatra. Ao invés de forçar tanto, a Microsoft deveria deixar as fichas caírem onde elas devem. Halo 2 recebeu reviews ‘perfeitos’ e o jogo não tinha final! Muitos jogadores de Halo 2, queimados com essa, estão naturalmente mais desconfiados da “aclamação”. O 1up também deu um review perfeito para Project Gotham Racing do Xbox 360. Se você quer comédia, lê o review deles do Perfect Dark Zero!
Eu comprei o Perfect Dark Zero. Jogo muito fraco, não daria sequer um 6/10 para ele. Palhaçada.
Eu não acho que os jogadores querem permitir a possibilidade de a maioria do jornalismo de videogames continuar dessa maneira. Todo jogador quer pensar que ele é o *mestre* de seu destino e faz ‘pesquisas fantásticas’ ao olhar vários reviews. Ninguém quer considerar a idéia de estar sendo manipulado. Já notou como caras legais ficam na defensiva quando se insinua que sua mulher o vê como um burro de carga? Mesmo princípio.
Então você vai pegar um Xbox 360 para jogar Gears of War?
Você não precisa. Pelo o que eu ouvi na Epic, a versão do PC deve sair em seis meses.
Já foi anunciado oficialmente?
Não. Mas definitivamente vai acontecer.
Dito e feito. O jogo saiu no PC alguns meses depois.
Você parece ter problemas com muito do jornalismo de videogames de hoje em dia. Por quê?
Não tenho nada contra jornalistas de videogames pessoalmente. Alguns deles verdadeiramente trabalham duro e são muito agradáveis de se lidar. Mas muitos, infelizmente, vêem-se como uma extensão da indústria de videogames. Eles vêem a ‘profissão’ de jornalista de videogames como uma maneira de entrar pela porta da indústria de videogames. Eu acho isso estúpido. A melhor maneira de ‘entrar’ é fazer um jogo pequeno e ganhar vendas no mercado. Isto o levará muito mais longe do que se tornar um ‘jornalista de videogames’.
O Jornalismo Mainstream é uma das instituições mais desprezadas na América. A razão é porque esses jornalistas literalmente vêem-se como a quarta ramificação do governo. Eles se dão prêmios. Eles se desconectam do resto da sociedade.
Se você perguntar a um jornalista por que eles querem se tornar um jornalista, eles respondem, “É porque eu quero mudar o mundo.” Mas ninguém espera que eles mudem o mundo. Seu trabalho é estar lá com um bloco de notas e anotar o que está acontecendo ao seu redor.
Quem assistiu ao filme “Intrigas de Estado”, com Russell Crowe interpretando um jornalista de um jornal americano, sabe do que o autor está falando. Os caras se acham no direito de investigar vidas pessoais, esconder evidências das autoridades, enfim, palhaçada total.
Muitos jornalistas de videogames sofrem de sintomas parecidos. Eles querem desempenhar um papel na indústria, ao invés de reportar o que está acontecendo. Eles se consideram um elemento integral da indústria, não forasteiros olhando de fora. E o pior de tudo, eles se vêem como serem iluminados acima de nós, jogadores mortais.
Uma coisa que foi fantástica na E3 foram as reações de jogadores normais aos jogos. Blogueiros escrevendo sobre títulos não requerem aprovação de empresas ou embargos a serem suspensos. Jornalistas de videogames desprezaram a E3 principalmente por esta razão. Eles acreditam que apenas eles devem entregar as notícias, não outras pessoas. Eles desprezaram ter que esperar nas filas como todo mundo. Eles odiaram a concorrência, sobretudo de jogadores normais, que finalmente tiveram voz.
Mas a E3 não é para a imprensa? Não havia gente demais entrando?
Mas como você define a imprensa? Um blogueiro de um site popular é tão jornalista de videogames quanto esses ‘profissionais’. O propósito da E3, assim como de qualquer feria comercial, é para fins de marketing. Foi de muita pobreza para os jornalistas de videogames dizerem que jornalistas de videogames ‘amadores’ não deveriam ser permitidos.
E por quê?
Algumas companhias desprezavam esses free lancers. Se elas ouviam alguém fazer um comentário, como a obtenção de um protótipo do Sixaxis uma semana ou duas antes da E3, isso faz com que qualquer empregado da companhia diga que são ‘vulneráveis’.
Mas o que foi muito ignorado foi que a E3 se tornou um grande campo de testes de mercado. As companhias podem obter opiniões de jogadores normais imediatamente e assisti-los jogando seus jogos. Nas entrevistas com desenvolvedores da Nintendo, eles falam sobre como a emoção das pessoas com o trailer de Twilight Princess em 2004 inspirou todo o time. Se jogadores normais, ao invés de apenas nosso núcleo da elite da imprensa, não estivessem lá, então todo o futuro do Wii teria mudado também. A curiosidade e interesse no Wii na E3 2006 foram fundamentais na mudança de planos de apoio das empresas. Qualquer um que disser que a E3 pertence apenas a ‘certas pessoas’ e que o resto não deve estar lá são ignorantes e excessivamente narcisistas, já que as empresas dependem das reações daqueles que participam do futuro dos jogos. A E3 é uma feira comercial, não um clubinho de jornalistas de videogames.
Então o que você acha que precisa ser mudado no jornalismo de videogames?
Outros campos do entretenimento mostram certa classe. Com filmes e teatro, você tem jornalistas vestidos imaculadamente e fala com pessoas em ambientes impressionantes. Agora, eu sei que, por trás do ator de fala mansa, muitas vezes está um limitado, baladeiro, viciado em drogas. Mas graças à apresentação, as pessoas pensam em grandeza associada aquele entretenimento. Com a música, você vê algo semelhante. A estrela do rock é a personificação do ‘legal’.
Quando você olha para os jornalistas de videogames, você não vê ternos finos ou ‘legal’. Muitas pessoas retraem-se com os vídeos e saem pensando ‘homens infantis’. Não ajuda quando todos os jornalistas são quase todos jovens do sexo masculino. Os videogames simplesmente não são tão legais quanto filmes e música. Parte da culpa tem que ir para nossos jornalistas de videogames, já que eles são o principal elo com o público.
Seria uma oportunidade fantástica para um jornalista de videogames em algum lugar se este tentasse mudar a imagem ao tomá-la emprestada de outras indústrias de entretenimento de sucesso. Por exemplo, eu lembro quando os jogos eram lançados em mochilas com zíper. A Electronic Arts, fundada a utilizar a indústria da música como modelo, decidiu colocar os jogos em pacotes parecidos com álbuns. Foi ali que os jogos começaram a ter caixas. Tirar de outras indústrias de entretenimento poderia transformar a imagem dos videogames, se algum jornalista ambicioso perseguisse isso. Nenhum vai.
Por quê?
Um dos problemas recentes tem sido os desenvolvedores de jogos fazendo jogos para si mesmos. Da mesma maneira, jornalistas de videogames estão escrevendo para jogadores de mesmo espírito. Você vê muitas publicações especializadas tentando apelar para audiências não tradicionais? Existe uma atitude de clubinho com a maioria dos jornalistas, onde eles jantam juntos, jogam juntos, ficam bêbados juntos, e são uma família unida e feliz.
Quando o Wii traz novos jogadores e expande o mercado, você vê algum jornalista de videogames se aproveitando disto? Você os vê tentando escrever para essas novas audiências de jogadores? Não. Eles estão perdendo uma gigantesca oportunidade de capitalizar sobre estas novas audiências e literalmente levar os videogames ao grande público. Mas escrever para pessoas diferentes é mais difícil e requer mais trabalho. Então estas novas audiências recebem suas novidades sobre videogames através das notícias gerais, já que eles não têm alternativa.
Uma mudança de paradigma nos videogames não é suficiente. Nós precisamos de uma mudança de paradigma no jornalismo de videogames. Eu não acho que os jornalistas de videogames percebem como eles são considerados repugnantes pela maioria dos jogadores lá fora. Nós não nos importamos com as opiniões de vocês. A não ser que vocês tenham alguma experiência empresarial, não saiam por aí fazendo análises de negócios. As pessoas só vão achar que vocês são uns bobos.
Uma coisa que questiono é a postura de toda a indústria, a mídia e seus jornalistas inclusos, em relação às iniciativas da Nintendo com o Wii e DS, e a chegada dos novos jogadores ao mercado. Esses asnos, ao invés de recebê-los de braços abertos, criam rótulos para essa nova audiência (chamam-na de casual, quando na verdade a consideram uma leva de jogadores retardados, de baixo nível, enfim, inferiores) e a atacam diariamente. Se um jogo de qualidade duvidosa “especialmente” desenvolvido para tal audiência não vende bem, a culpa não é da empresa ou da indústria, a culpa é do público. Tentam nos convencer diariamente que a nova audiência não compra jogos, e que o futuro da indústria estaria comprometido se esta contasse com estes novos jogadores para seguir em frente. Que absurdo! Mas claro, quando a indústria e seus jornalistas chegarão ao ponto de assumir serem incapazes de entregar conteúdo de qualidade a um público mais exigente? Essa indústria capenga, incompetente, mercenária e medíocre, recicladora de conteúdo, quebrará antes mesmo disto acontecer.
Algum exemplo de como deve ser feito?
Pegue este email enviado ao Kotaku que foi mais revelador do que qualquer outra coisa ultimamente. Jornalistas de videogames tendem a serem jogadores primeiro, e jornalistas depois, quando deveriam ser jornalistas antes, e jogadores depois.
Lembrei desses acontecimentos ao ler o tal email. O lançamento do Playstation 3 foi tão ridículo, que a maioria das pessoas que estavam nas filas japonesas para comprar o console no lançamento era composta de chineses contratados por atravessadores. Foram vendidos mais consoles do que jogos. Uma piada. Os aparelhos encalharam nas prateleiras. Esperar o que de um console lançado a U$600,00? A Sony perdeu completamente a noção.
Uma das melhores soluções que consigo pensar é remover as linhas de crédito. O jornalismo começou a descer ladeira abaixo quando as linhas de crédito foram introduzidas. No passado, uma história no Washington Post era escrita ‘por Washington Post’. Mas os jornalistas tinham uma necessidade de se tornarem estrelas, o que tem alimentado o narcisismo, resultando em um colapso da objetividade. Imagine se os reviews não tivessem linhas de crédito, se um review negativo não pudesse ser creditado a algum ‘escritor’, mas fosse visto como culpa da própria publicação. Oh sim, os editores e empresas iriam manter a rédea curta. A maioria das pessoas em suas vidas não tem uma linha de crédito, é revelador que os jornalistas se sintam no direito de terem uma.
Mas você não usa uma linha de crédito?
É um pseudônimo. Malstrom não é meu nome. Ele é baseado em ‘maelstrom’, que é o redemoinho descrito em todos os paraísos encontrados em toda a literatura. O que todos os primeiros exploradores temiam.
A única razão de eu escrever artigos é porque parece que ninguém mais está a escrevê-los. Por exemplo, Reggie disse mais uma vez em Montreal, “Nós optamos pela ruptura – não ignorar esses jogadores core, mas olhar além deles; procurar por uma maneira de expandir a audiência do mercado para incluir novos tipos de jogadores.”
Todo jornalista de videogames diz ‘entender’ a estratégia de negócios da Nintendo. Mas nenhum, nem mesmo um, escreveu qualquer coisa sobre a estratégia de negócios de ruptura. Se você perguntar a eles o que é a estratégia de negócios da Nintendo, eles simplesmente dizem ‘expandir o mercado através de não-jogadores’. Mas isso não é uma estratégia de negócios, isso é um efeito. Não tem havido qualquer investigação na mudança de curso da Nintendo em qualquer perspectiva comercial. Para seu crédito, pelo menos o IGN leu e citou “A Estratégia do Oceano Azul”. Mas se você deu um passo, por que não dar dois? Por que não ler “The Innovator’s Dilemma”? Muitos jornalistas expressaram estar chocados quando um analista revelou as razões pelas quais a Microsoft entrou no mercado de consoles em primeiro lugar (em retaliação contra os planos de rede da Sony). Eles não percebem que Wall Street está monitorando esta guerra de consoles porque a Sony está perseguindo um plano de ruptura que a Microsoft não aprecia. Com a Microsoft anunciando recentemente o download de filmes e episódios de televisão, deveria ficar claro onde está o foco da Microsoft e da Sony.
A Sony não está estragando tudo de repente com o PS3. Eles estão indo em alta velocidade com sua estratégia de ruptura de rede. A sétima geração não terá uma guerra de consoles, apenas uma guerra de ruptura. A Sony está usando o mercado de videogames como um ponto de apoio para causar ruptura à Microsoft, e a Microsoft está tentando impedir a Sony. A Nintendo percebe que, se causar ruptura aos videogames como os conhecemos com sucesso, mudar a própria definição da jogatina, ambas Sony e Microsoft irão perder seu ponto de apoio no mercado. A guerra de top box de Sony/Microsoft poderia acabar com a Nintendo puxando o tapete de debaixo de ambas as titãs.
E agora pergunto, por que os jornalistas insistem em nos esconder a verdade? Por que apenas o Malstrom, em todo o mundo, escreve a respeito da ruptura, das verdadeiras intenções das empresas envolvidas? O que temos é um esforço conjunto e deliberado por parte da indústria, jornalistas inclusos, para sabotar a iniciativa da Nintendo, mantendo-nos alheios ao que realmente está acontecendo. Fiquem de olhos abertos.
Já notaram que as listas dos jogos mais vendidos não incluem os jogos com as notas mais altas nos sites ditos especializados? Principalmente no Wii. O que vemos é a indústria, através de sua mídia, tentando nos impor o que deve ser jogado, através do hype e reviews enganosos, enquanto a maioria do público sequer lê suas palavras, comprando outros jogos. Jogos como New Super Mario Bros. Wii, Wii Fit ou Wii Sports Resort, não são considerados jogos AAA pela indústria. Mas o público comprou dezenas de milhões de cópias de tais jogos. Conseguem ver o desequilíbrio?
Por que seus artigos são tão longos e demorados? Por que investir tanto trabalho nisso?
Minha esperança é que alguns dos artigos mantenham-se relevantes por anos. Qualquer um pode escrever qualquer coisa, mas o verdadeiro teste é fazê-los relevantes além dos dias de hoje. Eu não vou escrever estes artigos para sempre.
Sim, ainda continuam totalmente relevantes, tanto que estamos aqui, traduzindo-os e discutindo-os. Sábias palavras.
Na Próxima Semana: Descubra porque a Guerra da Sétima Geração de Consoles já acabou quando esta apenas começou, o que são os laços da Nintendo com a Apple, e como o Wii é o DS-multiplicado-por-mil. Tudo na semana do lançamento!
Sim, este artigo foi escrito antes do lançamento do Wii. Segue o link para o artigo original: http://thewiikly.zogdog.com/article.php?article=87&ed=10
A gente se vê no próximo artigo, que pretendo publicar o mais rápido possível, para compensar o atraso do atual. Abraços a todos e até a próxima.
![]() Pitomba
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04/08/2010 às 12:51
Feiona da Web Cam, o Sean Malstrom nunca teve a intenção de analisar a guerra dos consoles na era 16 bit. Todo mundo sabe que a Nintendo utilizava de seu poder econômico e monopólio para angariar exclusividades junto às produtoras. E ninguém nunca pediu provas disso. É fato comum, todo mundo sabe, mesmo sem documentos. Não entendi sua pretensão em afimar que o autor estaria escondendo algo ou mentindo. Nunca foi intenção dele investigar ou analisar o comportamento da Nintendo em épocas de competição, como a era 16 bit. Ele simplesmente pega este comportamento, critica-o e aponta-o como erro, embasando sua tese em defesa das estratégias do Oceano Azul e Ruptura, essas sim, sob análise.
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![]() Feiona da Web Cam
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04/08/2010 às 10:12
'Feiona da Web Cam, pedir provas desse tipo de coisa é o mesmo que pedir provas do sexo dos anjos. É claro que não existem. O cara trabalhou na indústria e essas notícias chegaram aos ouvidos dele. Elas não chegam do nada. Você acha que esse tipo de suborno está contabilizado nas contas das empresas? É claro que não. Dê uma lida no Vol. 7 para mais informações.'
isso eh oq ele diz. chegaram aos ouvidos dele? serah q isso eh msm verdade? eh uma acusaçao mto grave. + ñ to duvidando e nem acreditando e mtos dizem q a nintendo tambem chantageava as empresas na época do SNES pra ter exclusividades e esse cara nao fala nada. fala de batalha custosa +ñ entra em detalhes por ñ querer. ou vai dize q eh mentira pitomba? eu tenho um tio q trabalhou numa revista de games nos anos noventa e ele me disse mta coisa |
![]() Pitomba
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03/08/2010 às 17:41
Lá vem gente criticar os artigos. Novamente, se não consegue acompanhar o raciocínio (ninguém é obrigado a gostar), basta não ler ou muito menos participar. Simples assim.
![]() Al %3 Rashid, o Malstrom usou o termo %Cquiet%D para adjetivar o período do Gamecube, o que também poderia ser entendido como calmo, sereno, sossegado, imóvel, etc. Escolhi o Ìalmo%D, talvez não com muita felicidade, mas acredito que ficou claro que o período para a Nintendo não foi movimentado, visto que ela continuou longe da liderança do setor. Kinect tábua de salvação? Pelo contrário, será o tiro de misericórdia no próprio pé. Aguarde e verás. Já o Move não fará com que a Sony venha a sair do mercado, acredito, mas também não fará qualquer diferença. A Sony de artista não tem nada. Ela copia, não rouba. Ela sequer é capaz de roubar. Sempre correu atrás. A meu ver, ela chegou à liderança do setor por demérito de terceiros, não por méritos próprios. Foi só a Nintendo acertar agora que ela está patinando geral. E deve continuar assim. Notei que o Charlie Brawl entendeu o espírito da coisa. ![]() Giygas, se a Nintendo fizer o que você sugere, ela deixará para trás tudo o que conquistou e tudo irá por água abaixo. Não adianta, no momento que a Nintendo entrar em um Oceano Vermelho junto com empresas do porte de Sony e/ou Microsoft, ela perde. Vide as duas gerações passadas. Não seria inteligente. Não se preocupe, jogando do mesmo modo, elas não estarão aí para sempre. Feiona da Web Cam, pedir provas desse tipo de coisa é o mesmo que pedir provas do sexo dos anjos. É claro que não existem. O cara trabalhou na indústria e essas notícias chegaram aos ouvidos dele. Elas não chegam do nada. Você acha que esse tipo de suborno está contabilizado nas contas das empresas? É claro que não. Dê uma lida no Vol. 7 para mais informações. Muito obrigado a todos pelo apoio, gente. Abraços. |
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Narugami
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03/08/2010 às 16:04
"Todo mundo se considera normal e considera todos os outros istas desvairados. As pessoas se rendem ao seu narcisismo antes da razão. Quem não quer se tornar alguma sábia coruja imparcial pairando sobre multidões de istas"
tão vendo meninos e meninas ??? essa foi muito bem dita !!! |
![]() Feiona da Web Cam
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02/08/2010 às 10:14
"ambas Microsoft e Sony estavam pagando milhões às produtoras para que empresas de jogos não portassem seus jogos para o Gamecube (apesar dos protestos dos desenvolvedores)."
hum... provas? |
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Giygas
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02/08/2010 às 01:47
"tbm foi por isso, mini-dvd não cabe nda"
Aham Jogos como Metroid Prime 2 e Zelda Twilight Princess eram curtissimos. São raros os casos de jogos de PS2 e Xbox que usavam a mídia ao limite. Eu sei porque tenho vários de PS2 aqui e somente alguns como GoW e RE4 chegam até o talo da mídia, a maioria esmagadora vai até a metade dela. Além disso existe a compresão de dados. |
![]() ScottSummers
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02/08/2010 às 00:02
"Depois dizem que o GameCube fracassou pelo mini-DVD,"
tbm foi por isso, mini-dvd não cabe nda |
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Um_Cara
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01/08/2010 às 20:56
É verdade, erro de interpretação meu.
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![]() Torto
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01/08/2010 às 15:12
Um Cara, o Malstrom é homem.
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Um_Cara
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01/08/2010 às 14:24
Hum, se eu entendi direito, é A Malstron e não O Malstron.
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